Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
REFORÇO

Projeto de Lei quer que finalistas de Psicologia atuem em escolas do ensino infantil

A proposta também se estenderia a profissionais que já atuam na área. A ideia é reforçar o combate a depressão e ao suicídio entre adolescentes no Amazonas



sala_C863D3A4-F6FF-49D5-A1BF-6F229860275F.JPG Foto: Divulgação
09/09/2019 às 17:24

Um projeto de lei da Câmara Municipal de Manaus (CMM) prevê que estudantes finalistas do curso de psicologia e profissionais atuem nas escolas de ensino infantil e fundamental como um reforço para combater a depressão e o suicídio entre adolescentes no Amazonas. O PL (que já está tramitando na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM) surge em um momento de alerta para pais, professores e psicólogos desde a divulgação, mês passado, de um dado preocupante: sete suicídios de estudantes, entre 15 e 17 anos, matriculados na rede pública estadual foram registrados entre fevereiro e julho desse ano, segundo levantamento da Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (Seduc).

Segundo o autor da proposta, o vereador Diego Afonso (PDT), o projeto também se estende aos profissionais formados que desejem atuar de forma voluntária nas escolas públicas municipais de Manaus para incrementar o currículo acadêmico. “A nossa intenção é promover um trabalho preventivo nas escolas, que sai muito mais barato para as secretarias e para o poder executivo. Esse projeto de lei foi debatido com o Conselho Regional de Psicologia e todos os órgãos competentes que lutam contra a depressão”, disse.



Por meio de editais (que deverão ser abertos de seis em seis meses), os candidatos selecionados deverão atuar durante seis meses nas escolas municipais de Manaus em uma carga horária de quatro horas. Serão abertas cinco vagas para cada turno. No projeto de lei também é especificado que, antes de finalizar o tempo de atuação dos candidatos contemplados, outro processo seletivo deverá ser aberto em tempo hábil para que a continuidade do atendimento aos jovens e adolescentes não seja prejudicado.

Como incentivo, o benefício para os estudantes finalistas de Psicologia seria a emissão de um certificado que valerá como horas complementares. Já os profissionais formados receberiam um certificado que valerá como “titulação” para a prova de títulos em concursos públicos no Amazonas.

Iniciativas voluntárias já têm acontecido nas escolas públicas de Manaus há algum tempo. Entre eles, o projeto “Escuta Emergencial nas Escolas”, coordenado pela psicóloga Elayne Pensador, que busca cada vez mais ampliar o número de psicólogos e psiquiatras para, voluntariamente, atuarem nas escolas públicas da capital e até mesmo universidades com palestras, orientação vocacional e escuta terapêutica. Atualmente, o grupo conta com 48 voluntários.

“Existe a necessidade de um olhar mais diferenciado em sala de aula. De observar mudanças bruscas de comportamento dos alunos ou uma queda acentuada no desempenho acadêmico. Tem certos casos que fogem à alçada de professores e colegas. É nesta lacuna que o profissional da psicologia entra em cena. As escolas precisam, urgentemente, dessa atenção psicológica”, destacou Elayne.

PL tem falhas, diz psicóloga

Sobre o projeto de lei, Elayne Pensador destacou que a proposta é maravilhosa no sentido de prevenção e promoção da saúde mental e bem-estar psicológico, contudo, ao mesmo tempo lamenta que a proposta falhe em não promover uma valorização maior dos profissionais de psicologia.

“Sob a ótica de contratação, é vergonhoso que o poder público não valorize a contratação de mais profissionais da psicologia e psiquiatria para atuar nas escolas municipais. Fica a impressão de que é uma estratégia de adquirir mão de obra sem custo. Enquanto a saúde mental não for encarada com urgência e prioridade, a sociedade caminhará para o caos psicológico, pois até os educadores estão adoecendo em grande escala”, observou.

Segundo a OMS, a depressão atinge 400 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, sendo a 2ª principal causa de morte entre jovens entre 15 e 29 anos. Em Manaus, segundo dados da Semsa, só em 2018 foram registrados 652 atendimentos de pessoas com sintomas depressivos ou transtornos depressivos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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