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Projeto de requalificação dos camelôs das ruas e calçadas avança no Centro de Manaus

Semc retirou, nesta quinta-feira (11), 125 camelôs da Instalação e Epaminondas e deu mais um passo no processo de requalificação do Centro 12/09/2014 às 09:10
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Camelôs retirados da Epaminondas e Instalação limpavam, nesta quinta-feira (11), o prédio em que foram alocados até a mudança definitiva para uma das novas galerias
JÉSSICA VASCONCELOS ---

Dando sequência ao trabalho de requalificação das ruas e calçadas do Centro, a Secretaria Municipal do Centro (Semc) retirou 125 camelôs da avenida Epaminondas e rua da Instalação. Ontem os camelôs começaram a limpar e organizar as barracas na galeria provisória para poder receber os clientes.

Antes da retirada, os camelôs organizavam as mercadorias para a mudança e se despediam dos clientes que estavam acostumados a encontrar diariamente. A vendedora de lanche Suzete Lira dos Santos junto com outras duas vendedoras confeccionaram uma faixa agradecendo aos clientes e amigos que fizeram ao longo dos 10 anos de permanência na rua.

Segundo Suzete, que a partir de agora vai trabalhar no bairro Manôa até que a galeria do T4 fique pronta, os clientes se tornaram amigos e a expectativa é que no novo local seja possível “fidelizar” novos clientes. “Tenho fé que esse será um novo momento para nós e que em breve tudo vai estar melhor”, disse Suzete.

Apreensão

Para a camelô Iris Angelo de Lima, que durante 30 anos trabalhou na Epaminondas vendendo roupas íntimas, o momento é de preocupação, pois todos sabem que o movimento na galeria não será o mesmo da rua e, mesmo com o auxílio da prefeitura, os prejuízos serão grandes. “Vamos passar pela mesma situação dos outros que só tiveram prejuízo”, disse Iris.

A maior preocupação de acordo com Iris é com o filho que vai trancar a faculdade de Letras porque não vai mais ser possível pagar o curso. Além disso, a camelô disse que contraiu uma dívida de R$ 6 mil em mercadoria e não sabe como vai pagar. “Aceitamos vir para a galeria, mas aqui não é o lugar ideal para as vendas e nunca vamos conseguir vender como vendíamos na rua porque a rua Lobo D’ Almada não é passagem dos clientes”, explicou Iris.

Como alternativa para chamar clientes, os camelôs pretendem pagar uma pessoa para fazer propaganda nas ruas e, assim, levar compradores até a galeria.

À espera pelos dias melhores

Os camelôs transferidos para a galeria provisória da rua Floriano Peixoto, no Centro, ainda esperam por vendas melhores. Para eles, o principal motivo para a baixa procura dos clientes é a falta de costume de frequentar as galerias e, principalmente, a grande quantidade de vendedores que ainda estão na rua.

Na própria Floriano Peixoto, Miranda Leão, Guilherme Moreira e Henrique Martins diversos camelôs seguem trabalhando nas ruas e oferecendo roupas, óculos e lanches. Além dos camelôs, ainda há nessas ruas uma grande quantidade de vendedores estacionados com carrinhos de mão e veículos vendendo verduras e frutas.

Segundo o camelô Ricardo Soares, há 15 anos trabalhando na rua e que atualmente aguarda a reforma da galeria dos Remédios, a falta de clientes faz com que a maioria dos trabalhadores optem por não trabalhar e receber somente o auxílio da prefeitura até que os shoppings definitivos fiquem prontos.

Ainda segundo Ricardo, em alguns dias da semana os vendedores não conseguem vender nada o que acaba desestimulando. “Eu mesmo só venho trabalhar duas ou três vezes por semana porque não tem clientes e busco outras alternativas”, disse.

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