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Projeto do Memorial Encontro das Águas volta para a ‘gaveta’

Elaborado em 2005 por Oscar Niemeyer e prometido por Estado e Prefeitura, Memorial não tem previsão para ser construído 07/07/2013 às 16:09
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Privilegiada pela vista exuberante do principal cartão postal do Amazonas, o encontro dos rios Negro e Solimões, a região onde deveria ser construído o Memorial Encontro das Águas, sofre com o abandono e a falta de investimentos
Jéssica Vasconcelos Manaus (AM)

A paisagem exuberante do Encontro das Águas contrasta e muito com a realidade de abandono do lugar onde seria construído o Memorial Encontro das Águas. Escolhido para receber o Fan Fest, evento da Fifa com exibição de jogos em telão e shows durante a Copa do Mundo, o memorial, que ficaria ná área conhecida como mirante da Embratel, no bairro Novo Aleixo, Zona Leste, voltou a ser um projeto esquecido. O mato, o lixo e os buracos na entrada do acesso ao mirante são as únicas coisas que podem ser vistas no local que deveria se tornar um dos principais pontos turísticos de Manaus.

O projeto do Memorial Encontro das Águas foi elaborado em 2005 pelo arquiteto Oscar Niemeyer, já falecido, e custou R$ 600 mil aos cofres públicos. Após seis anos de promessas, “idas e vindas”, ele foi descartado pela Prefeitura de Manaus em março de 2011. Dias depois do anúncio, o Governo do Estado informou que bancaria a construção.

Após o Governo do Estado anunciar que o memorial não estaria pronto até a Copa do Mundo, o projeto foi novamente engavetado e hoje não tem previsão para ser posto em prática.

De acordo com o coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP-Copa), Miguel Capobiango, a Prefeitura de Manaus mostrou interesse na retomada do projeto pelo poder público municipal, porém, na prática, o projeto, orçado em 40 milhões, está sem dono.

A Zona Leste, que seria beneficiada com o projeto, pois o monumento levaria para aquela área grande fluxo de turistas e, consequentemente, investimentos, foi a principal prejudicada. Enquanto isso, os moradores dos bairros próximos, que acreditaram que a obra traria benefícios, continuam reclamando de falta de infraestrutura, segurança e transporte.

O segurança Azeilson Rocha, 30, que trabalha em uma das empresas instaladas no bairro, conta que o local é o preferido dos bandidos para “desovar” corpos. “Em um mês, encontrei dois corpos deixados aqui por bandidos”, contou Azeilson.

Moradora do Novo Aleixo há 27 anos, a dona de casa Maria Oliveira de Souza, 79, acreditou que o projeto geraria muitos empregos e melhorias na qualidade de vida. “Vários vizinhos estavam esperando por esse mirante para trabalhar”, acrescentou a idosa. Maria Oliveira reclama ainda que no bairro só duas linhas de ônibus passam e demoram cerca de 1 hora e meia para passar novamente. Além disso, a idosa conta que, muitas vezes, os ônibus passam pela rua Ernesto Costa e deixam os passageiros esperando.

Promessas da prefeitura ao Estado

O projeto de Niemeyer foi contratado na gestão do ex-prefeito Serafim Corrêa, que não conseguiu recursos para implementá-lo. O sucessor dele, Amazonino Mendes, não retomou o projeto, mas em 2010, Omar Aziz anunciou o desejo de retomar o projeto para transformar o memorial num Fan Fest da Copa de 2014.

Em meio à polêmica construção do porto das Lajes no local, o Iphan determinou o tombamento do fenômeno do encontro dos rios Negro e Solimões e estabeleceu como protegida uma área de mil metros no entorno, que inclui o espaço destinado ao Memorial. O projeto passou por análise do Iphan, que sugeriu modificar as fundações do restaurante e do centro de exposições para não afetar a estrutura das lajes e tornar mais permeável a água o piso do local. Mas a burocracia para fazer as mudanças fez com que o projeto saíde da responsabilidade da UGP-Copa e passasse à Secretaria de Estado da Infraestrutura.

Atrasos na emissão das licenças

De acordo com coordenador da Unidade Gestora da Copa, Miguel Capobiango, o monumento no Encontro das Águas sofreu com atrasos para obtenção de licenças, já que a região é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O projeto assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer iria contar com um pavilhão em formato de oca, com 35 metros de diâmetro na base e sete metros de altura, elevado em relação ao piso da praça. A estrutura também previa um subsolo onde funcionaria o restaurante com visão panorâmica para o fenômeno do encontro das águas.

Para atender às exigências da Fifa, o Estado escolheu a praia da Ponta Negra, às margens do rio Negro, como novo local para o Fan Fest, informou Capobiango.

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