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Projeto 'Manô Bike', que compartilha bicicletas, não sai do papel

Era pra estar plenamente operacional em setembro de 2016, mas até o momento só foram instaladas as estações e um pequeno trecho da ciclorrota, que estão se deteriorando sob chuva e Sol 20/02/2017 às 05:00
Show biciclet rio
Estação em frente a Galeria Espírito Santou virou banco de descanço. Foto: Winnetou Almeida
Isabelle Valois Manaus

O projeto de bicicletas compartilhadas, batizado de “Manô Bike”, entrou  para a lista de promessas não cumpridas pela  prefeitura feitas aos cicloativistas. Para estar plenamente operacional em setembro de 2016, até o momento só foram instaladas as estações e um pequeno trecho da ciclorrota, que estão  se deteriorando sob chuva e  Sol.

 Quando questionados sobre a previsão de uma nova data de inauguração do bicicletário, nem a Prefeitura de Manaus e muito menos a empresa Samba Transportes Sustentáveis, do Grupo Sertell,  responsável pela implantação, operação e manutenção do sistema, garantiram algo.

Nas  ruas do Centro existem 11 estações e um pequeno  trecho da ciclorrota do sistema.  Sem utilidade, as estações  servem  de cadeira  para flanelinhas ou mesa para jogo de carteado. Na estação da Luiz Antony uma   distribuidora usa a estação para abrigar as bicicletas de carga.

Algumas partes das estações encontram-se no início do processo de ferrugem. Em alguns casos é possível encontrar teias de aranha, a tinta azul descascando e  arranhões. Quando a prefeitura anunciou o projeto, no início de setembro de 2016, afirmou que a inauguração do Manô  Bike seria no final do mês. Se passaram cinco meses e pelo menos as estações como também a ciclorrota apresentam os sintomas de abandono.

Em um trecho da ciclorrota  da  avenida Getúlio Vargas é possível ver que parte da tinta que demarca a pista já está apagada, mesmo sem ser utilizada. É possível ver também que boa parte do trecho  é dominado por carros, transitando ou estacionados.  O mesmo problema se repete na avenida Sete de Setembro, no trecho entre o colégio Dom Pedro II e a avenida Eduardo Ribeiro. Onde há o desenho da ciclorrota, os carros estão estacionados.

Projeto envolve empresa parceira
Quem assinou o Termo de Cooperação com a Prefeitura de Manaus  para operar o sistema do projeto foi a empresa Samba Transportes Sustentáveis, após vencer o edital de chamamento público lançado pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).

Quando foi divulgada a criação do Manô Bike, a prefeitura reforçou que o Termo de Cooperação tem prazo de 36 meses e não há ônus para o município. Para dar sustentabilidade aos custos envolvidos, a Samba teria, em Manaus, o patrocínio da Hapvida.

Se a prefeitura e a empresa parceira não  conseguiram colocar o projeto para funcionar, a patrocinadora fez a parte dela instalando as estações e concluindo o portal que servirá como meio de informação e cadastro do Manô Bike.

Estações têm falhas estruturais                                                 
Para quem trabalha e transita no Centro, as estações foram estruturadas sem uma análise do sistema viário. Algumas  estações mostram que as bicicletas ficarão expostas aos veículos. Em outras, elas vão ficar em  cima das calçadas. Assim é o caso da estação que fica em frente à galeria  Espírito Santo, na rua 24 de Maio. 

“Quando esse bicicletário próximo a galeria começar a funcionar os pedestres vão colocar a vida em risco. Como as bicicletas irão ocupar as calçadas, vamos ser obrigados a caminhar na via, e todos sabem que as ruas centrais são bem movimentadas. Acredito que o projeto não foi bem estruturado, parece que resolveram criar em cima da hora e estão implantando de qualquer jeito sem pensar na segurança da população”, comentou o autônomo, Jorge Frederico Pereira, 56.

Pedala lamenta dos atrasos
Um dos coordenadores do Movimento Pedala Manaus, Paulo Aguiar, lamenta o atraso do projeto. “A prefeitura prometeu acelerar a implantação, espero que isso realmente aconteça. A própria prefeitura precisa e deve cobrar como também apresentar uma resposta para população, pois é a responsável de fazer isso dar certo”, disse.

A   Samba Transportes Sustentáveis, do Grupo Sertell não respondeu aos questionamentos de A CRÍTICA sobre  os motivos do abandono das estações  e se as bicicletas estão sendo fabricada em Manaus.

O  Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) informou que o projeto Manô Bike teve alteração de data em razão da necessidade prévia de se lançar uma ampla campanha de sensibilização e educativa para o trânsito, informando a população sobre este novo sistema.

Conforme o Implurb, a campanha publicitária está em produção.  “As sinalizações verticais e horizontais também estão sendo produzidas para completar o circuito das ciclorrotas. Assim que tivermos uma data mais próxima de lançamento, divulgaremos” informou o instituto.

Sobre as bicicletas, o Implurb informou que estas se encontram em Manaus. Questionado sobre a fabricação das bicicletas, o instituto disse que elas são produzidas sob medida para o sistema, o mesmo implantado em dezenas de cidades brasileiras.

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