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Manaus
RESTRITO

Projeto milionário de robótica da Semed reúne 160 alunos em competição

Ao custo de R$ 25 milhões, projeto contempla parte mínima da rede, gerando insatisfação dos pais e de alunos que foram excluídos do programa 24/11/2017 às 21:44 - Atualizado em 25/11/2017 às 09:04
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Projeto de tecnologia alcança apenas uma pequena fração dos alunos (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Alik Menezes Manaus

Na manhã de ontem, um grupo seleto de alunos da rede municipal de educação, que participam do Projeto do Clube de Linguagem e Programação e Robótica (ProCurumim), teve a oportunidade apresentar seus trabalhos e conhecimentos no 2º Concurso ProCurumim. Apenas 160 alunos, de uma rede de 240 mil alunos, estiveram competindo no evento, o que representa 0,06% do total.  Um investimento de R$ 31,2 mil por aluno, se considerado o valor do contrato deste ano para o projeto:  R$ 5 milhões.  

Diante da exclusão, pais de alunos reclamam do programa, que ainda não tem capacidade de atender todos os estudantes, e custou, ao longo dos últimos anos, quase 25 milhões de reais.  O projeto é alvo de investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), que fez fiscalização nas escolas e não encontrou os materiais. 

A gerente de tecnologia educacional da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Aldemira Câmara, afirmou ontem, em entrevista ao A CRÍTICA, que a pasta não pode fazer um projeto e implantar em toda a rede de ensino de uma vez e que o ProCurumim vai sendo aperfeiçoado e ampliado ao longo dos anos. “Essa é a ideia: a cada ano aumentar e aperfeiçoar as nossas ações nas escolas, os nossos projetos, até porque não tem muita verba para adquirir para todos os 240 mil alunos da nossa rede. Então, a secretaria pensa em ampliar esse projeto e os recursos das nossas escolas”, afirmou. 

Conforme a gerente, o evento de ontem reuniu cerca de 160 alunos de 32 escolas da rede municipal que integram o projeto e desenvolveram algum recurso de robótica ao longo do último ano. “Essas crianças estão mostrando hoje (ontem) o que aprenderam através de pensamento computacional, linguagem de programação e robótica, então a secretaria pensa em capacitar cada vez mais até os futuros profissionais do século 21 e preparar pessoas para o nosso polo industrial”, disse. 

Excluídas desse “super projeto de capacitação de pessoas”, as filhas da dona de casa Elizângela Ramos de Lima, 39, ficaram tristes ao saber da existência de um projeto de robótica, que custa milhões aos cofres públicos, mas não atinge um público expressivo da rede municipal de ensino. “É revoltante saber que existe um discurso de ampliar o acesso à educação, mas crianças são excluídas de programas como esse”, disse. 
Gabriela Holanda Ramos Cardoso, 12, e Isabely Monique Ramos Cardoso, 8, estudam na Escola Municipal Dr. Geraldo Pinheiro, no Japiim, e nunca ouvirem sequer que algum amigo participe desses aulas. “Eu gostaria de participar, sou curiosa, gosto de informática. Mas nunca ninguém comentou na escola que esse ProCurumim existe”, contou a menina, que é motivo de orgulho dos pais pelas notas “azuis” no boletim, que é um dos critérios para o aluno ser selecionado.
 

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