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Manaus
EDUCAÇÃO

Projeto combate evasão em escolas de Manaus ensinando futebol americano

Atendendo 400 estudantes de quatro escolas nas zonas Leste e Norte, há relatos de alunos que também abandonaram as drogas a partir das ações do projeto 01/04/2018 às 17:24
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Futebol Americano na Escola” não faz distinção entre participantes do projeto. Foto: Márcio Silva
Álik Menezes Manaus (AM)

O alto índice de evasão escolar e o amor pelo futebol americano incentivou um grupo de voluntários a saírem da chamada zona de conforto. Há dois anos eles se uniram e fundaram o projeto “Futebol Americano na Escola”, que atualmente é desenvolvido em quatro escolas da rede estadual de ensino e atende aproximadamente 400 estudantes, de 14 a 19 anos, nas zonas Leste e Norte de Manaus.

As ações do projeto vão além de desenvolver atividades esportivas, segundo os coordenadores do projeto. Os jovens são incentivados a ter pensamento crítico em palestras e existem casos em que alguns deles que tinham envolvimento com o tráfico de drogas abandonaram a vida no crime após serem impactados com as ações do grupo.

As pesquisas que motivaram o sociólogo Girleno Barbosa a idealizar o projeto começaram em 2014, quando ele se incomodou com o alto índice de abandono escolar e decidiu fazer algo para mudar essa problemática.  A ideia era tornar o ambiente escolar atrativo para os alunos e para as famílias. “A escola não é tão atrativa para muitos alunos. Isso me incomodava bastante e eu percebi que precisava fazer algo para tentar reverter essa situação pelo menos na escola em que eu trabalhava. Deu certo e hoje estamos em quatro colégios”, afirmou.


Projeto iniciou em 2016 e atualmente está funcionando em quatro escolas públicas. Foto: Márcio Silva

Conforme o fundador do projeto, o filho dele é jogador de um time de futebol americano e ele é apaixonado pelo esporte. Eles, então, decidiram fundar “Futebol Americano na Escola”, participam dos treinos e têm ajuda de jogadores do Manaus North Lions. “O esporte envolve as pessoas, ele é interativo, é apaixonante. Aqui não existe distinção como em outros esportes, pessoas acima do peso, magros, altos, baixos, mulheres e homens podem participar juntos”, contou.

Barbosa destacou que o principal objetivo da iniciativa é incluir e incentivar esses jovens e adolescentes a pensarem, por exemplo, no momento histórico político vivido no Brasil, a economia e, principalmente, incentivá-los a não pararem de estudar. “O projeto inclui esses jovens por meio do esporte, mas vai além porque o jovem começa a pensar mais, ser mais crítico e não se deixar influenciar negativamente por outras pessoas. Temos exemplos de pessoas que saíram do mundo das drogas nesses dois anos de projeto”, destacou o sociólogo.  

Gratidão pelos bons resultados

Após o desempenho positivo do projeto, um novo movimento surgiu dentro do “Futebol Americano na Escola”. O Movimento “Juntos Podemos Mudar” leva ações educativas e palestras para as comunidades. “Temos a oportunidade de ensinar e ajudar esses jovens a terem uma nova formação e entendimento sobre os assuntos que são relacionados a vida diária deles, mas também abordamos temas polêmicos como as drogas, os perigos do crime, política dentro outros que eles vão questionando durante os encontros”, disse um dos coordenadores, Lucas Alencar.

Alencar destacou como é o relacionamento com integrantes do projeto e a importância do trabalho que é desenvolvido com eles. “Quando nós conhecemos esses jovens, muitos deles têm um visão distorcida do certo e do errado. Requer um esforço fazer com que eles te respeitem e te dêem a oportunidade de fazer parte da vida deles”, comentou o coordenador, que também é advogado.

Premiação

O “Futebol Americano na Escola” começou na Escola Estadual Artur Soares Amorim, no bairro Cidade Nova, na Zona Norte, e atualmente atende também jovens das escolas estaduais Julio Cesar Moraes (Cidade Nova), Berenice Martins (Mauazinho) e Antônio Gimenez (Zumbi 2). Os treinos ocorrem geralmente às terças, quartas e quintas-feiras. O projeto ganhou o prêmio nacional Desafio Criativos na Escola.

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