Terça-feira, 16 de Julho de 2019
COLÔNIA DE FÉRIAS

Projeto desenvolve atividades com crianças que trabalhavam e moravam nas ruas

Além de oferecer às crianças a oportunidade de aprender e desenvolver habilidades por meio de brincadeiras, artes e esportes, o projeto também possibilita cursos de formação profissional aos pais



hg.JPG Cento e sessenta e seis crianças e adolescentes participam da colônia. Foto: Jair Araújo
26/12/2017 às 22:12

Um grupo formado por 166 crianças e adolescentes da Colônia Antônio Aleixo, localizado na Zona Leste de Manaus, participa da colônia de férias “De férias sim, na rua não”, na Escola Estadual Gilberto Mestrinho.  O bairro concentra 72% das crianças e adolescentes que pedem dinheiro nos sinais de trânsito da capital.

Além de oferecer às crianças a oportunidade de aprender e desenvolver habilidades por meio de brincadeiras, artes e esportes, o projeto também possibilita cursos de formação profissional aos pais desses meninos e meninas que estavam em situação de rua e vulnerabilidade social.

As atividades na colônia são desenvolvidas pelo projeto “Sinaleiras”, iniciativa interinstitucional e intersetorial de combate ao trabalho infantil. Segundo a coordenadora do projeto da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), Silvia Carla Furtado, esses 166 participantes são crianças e adolescentes que pediam dinheiro em sinais da cidade ou tem algum parentesco com outras crianças que também trabalhavam em sinais da cidade.

Conforme Silvia Furtado, um estudo encomendado pelo Governo do Estado para o projeto “O Pequeno Nazareno” apontou que 72% das crianças e adolescentes que trabalham em sinais da cidade são moradores da Colônia Antônio Aleixo e por isso o bairro foi escolhido para receber as atividades da colônia de férias.

Empolgação e alegria

Estão sendo oferecidas aulas de judô, desenho artístico, atividades circenses, aulas de teatro, futebol e ping-pong. O estudante Bruno de Lima Barcelar, 16, se encantou com o que vem aprendendo nas aulas de judô. “Estou muito feliz. Aqui a gente aprende coisas boas, pratica uma atividade que gosta. Eu prefiro estar aqui do que estar na rua pedindo ou fazendo outras coisas erradas”, contou.

Outro que estava animado com toda a programação era o pequeno Pedro Almeida de Lima, de apenas 10 anos. Ele estava empolgado colorindo um desenho que o professor de desenho artístico fez para ele. “Eu nunca tinha pintado um desenho bonito como esse. Eu gosto de colorir, gosto de estar aqui com meus coleguinhas”, disse.


Durante a colônia de férias, as crianças também têm aula de informática

Na sala ao lado, o estudante da oitava série do ensino fundamental Juan Silva de Oliveira, de 15 anos, participava entusiasmado de uma aula de teatro. “O professor está ensinando algumas técnicas. Nossa missão é aprender e criar algum espetáculo para apresentar aqui na sala. Eu estou feliz em participar disso tudo, gosto de arte e de toda essa magia que ela proporciona”, disse.

Cerca de 13 órgãos do Governo do Estado, quatro órgãos municipais, Ministério Público do Trabalho e associações beneficentes participam do colônia. As atividades irão ocorrer até o dia 26 de janeiro de 2018, na Escola Estadual Gilberto Mestrinho, que fica localizada na rua Danilo Areosa. 

A coordenadora Silvia Furtado pede a colaboração da sociedade para evitar que crianças e adolescente continuem nas ruas. “As pessoas se comovem com a situação dessas crianças e doam dinheiro.  A gente pede que elas não dêem, assim as crianças vão sair das ruas”, disse.

Regularização dos documentos

Além dos cursos aos pais e programação educativa para os filhos, durante a colônia também é possível regularizar a situação documental dessas crianças. Segundo a coordenação, há crianças que não têm Certidão de Nascimento e existem pais que não têm Registro Geral e Cadastro de Pessoa Física. A emissão desses documentos está ocorrendo na escola nos dias de realização da colônia de férias.

Cursos para os  pais das crianças

Silvia Carla Furtado, coordenadora do projeto, contou que além de programação voltada às crianças, os pais e mães também são beneficiadas. “órgãos parceiros estão aqui fazendo um cadastro de mães que querem ter uma profissão como, por exemplo, manicure. Eles podem até conseguir um microcrédito para abrir o próprio negócio”, disse.

Após a inscrição, as aulas do curso de manicure e barbearia irão iniciar no dia 21 de dezembro. Segundo Silvia Furtado, o curso profissionalizante é uma forma de incentivar e ajudar que pais e mães não mandem mais seus filhos pedirem dinheiro em sinais da capital amazonense. “Estamos oferecendo o curso e vamos acompanhar para que esses pais não mandem mais os filhos pedir”, disse.

Pais e filhos atendidos

As atividades irão ocorrer até o dia 26 de janeiro de 2018, na Escola Estadual Gilberto Mestrinho, bairro Colônia Antônio Aleixo. A primeira edição vai atender 237 pessoas, entre as quais 166 crianças e 71 familiares. Terão atividades para crianças e serviços para os pais.

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