Terça-feira, 18 de Junho de 2019
APRENDIZES

Projeto trabalha iniciação científica em alunos da rede pública do Amazonas

Trabalhos recebem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam). "Ciência na Escola" estima apoiar até 600 projetos da capital e interior



alunos_1608B694-69A3-45D7-B1EE-6DB7F8A1C088.jpg A professora Nancy e os alunos Douglas e Romildo exibem produtos feitos a partir do projeto (Foto: Luiz G. Melo)
26/05/2019 às 10:53

No caminho entre um dia ter sido o “pior aluno da escola” ao prêmio de aluno mais aplicado estava a ciência. Assim poderíamos resumir a reviravolta acadêmica do estudante Romildo Parente, de 17 anos. Ele foi aprendiz de cientista no projeto coordenado pela professora de química Nancy Grangeiro, que há quatro anos trabalha a iniciação científica com alunos da Escola Estadual Maria Madalena Santana de Lima, no bairro Armando Mendes, Zona Leste de Manaus.

No último projeto, os alunos extraíram óleos de plantas para aplicação na produção de perfumes e sabonetes líquidos. “Meu primeiro contato com a matéria foi péssimo, não gostava de jeito nenhum, mas depois que entrei no projeto fui me afeiçoando tanto que até penso em prestar vestibular para química”, conta Romildo.

Empolgação

Outro aluno bolsista, Douglas Múltima, também de 17 anos, conta que se viu empolgado ao ver aquelas fórmulas de química no quadro branco “ganhar vida” em produtos feitos de ingredientes naturais, como velas, sabonetes, perfumes e detergentes.

“É muito chato estudar só teoria. Gostei muito da prática laboratorial que tivemos com a professora. Isso me entusiasma demais, e até me ajudou a perder o medo de falar em público”, diz o garoto, que ao final do projeto deu uma aula aos moradores do bairro sobre a produção de cosméticos.

Extração

A coordenadora do projeto, Nancy Grangeiro, contou que os alunos ajudaram na busca e coleta das espécies e participaram do processo de extração do óleo.

“Eles coletaram alecrim, alfazema, erva-doce e camomila. A extração foi feita de forma caseira, com óleo de girassol e com álcool. Todo material confeccionado foi comercializado no fim do curso”, explicou Grangeiro.

Para a coordenadora, cada projeto que já foi desenvolvido por ela nos últimos anos tem rendido muitos frutos.

O maior deles talvez seja o de despertar nos alunos o desejo por enveredarem pelo caminho da ciência e da pesquisa.

“Todo o conhecimento que os alunos adquirem no laboratório eles passam para a comunidade através de oficinas [em um evento chamado “Ciência na Praça”, promovido pela escola]. Hoje eu tenho ex-alunos que estão na universidade, alguns até no curso de química”, disse ela, que esse ano pretende montar um projeto de produção de sorvetes naturais na escola.

Composto

Em outro projeto desenvolvido na Escola Estadual Sant’Ana, bairro Petrópolis, Zona Sul da cidade, os estudantes do ensino médio, sob a orientação e supervisão do professor doutor em biotecnologia, Manoel Feitosa Jeffrey, produziram, em laboratório, um composto químico para a assepsia das mãos - muito útil no combate à proliferação de doenças como a gripe e o sarampo.

Durante a produção do álcool em gel antisséptico, os alunos puderam comprovar a aplicação direta da química e da biologia na vida das pessoas.

O resultado é que o composto produzido por eles foi usado pela escola para higienização das mãos de estudantes e professores durante o surto de H1N1 no Estado.

Despertar vocações

De acordo com o professor Manoel, a alfabetização científica ajuda os alunos na criação de um projeto com estreita relação com as aplicações no cotidiano. “Os alunos puderam compreender as reações químicas e biológicas no processo de prevenção de doenças”, explicou.

Os projetos tanto da professora Nancy quanto do professor Manoel foram dois dos 540 que receberam o apoio do Programa Ciência na Escola (PCE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

O programa, aliás, é a menina dos olhos da Fundação por estar completando, neste 2019, 15 anos de existência.

Como destaca a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales, o objetivo do programa sempre foi despertar a vocação científica entre alunos de escola pública.

“O que eles [o professor coordenador mais três alunos bolsistas] desenvolvem no projeto não fica restrito ao laboratório ou à sala de aula. Pelo contrário, esse conhecimento é compartilhado com a comunidade. Essas ações ampliam o horizonte dos alunos”, disse.

Com investimento de R$ 3 milhões, a edição comemorativa do “Ciência na Escola” estima apoiar até 600 projetos de escolas de Manaus e do interior do Estado.

O número de vagas foi ampliado e os valores das bolsas, tanto do professor quanto do aluno, foram reajustados. No final dessa etapa está prevista uma premiação aos projetos que mais se destacarem. A meta é alcançar até 1,8 mil estudantes amazonenses.

“A Fapeam tem um papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Amazonas porque ela é o grande amparo para que pesquisas sejam encaminhadas e os resultados sejam conhecidos e usufruídos pela população”, resumiu Márcia Perales.

“A ciência é uma ferramenta para interferir na qualidade de vida das pessoas”, destaca ela.

Orçamento vem de 1% da receita

O orçamento anual da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado é composto por 1% da receita tributária líquida do Amazonas, como determina a Constituição Estadual.

São 20% dos royalties gerados pela exploração do petróleo e gás, recursos hídricos e outros minerais do Estado, de forma a complementar os recursos recebidos do Tesouro Estadual; além de recursos provenientes de outras fontes, como convênios, por exemplo.

Em 2018, a receita da Fundação totalizou R$ 112,3 milhões, o que permitiu, entre outras ações, o financiamento de 281 projetos de pesquisas científica e tecnológica, com o pagamento de 24.422 bolsas para a formação de recursos humanos e iniciação em ciência, tecnologia e inovação, totalizando o montante total de R$ 40,3 milhões.

A meta para 2019 é aumentar de 20% a 30% o número de bolsas.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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