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Promotor que pediu suspensão da Faixa Azul afirma: 'trouxe mais transtornos do que solução'

Segundo Paulo Stélio, a prefeitura deveria ter apresentado um estudo antes de implantar as faixas do Bus Rapid System (BRS) 09/11/2015 às 21:22
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Na avenida Constantino Nery é possível ver que ônibus circulam dentro e fora da faixa azul
Luciano Falbo Manaus (AM)

Para o promotor Paulo Stélio Sabbá, a experiência da “Faixa Azul” em Manaus, até agora, mostrou que o corredor para ônibus coletivos é mais excludente do que exclusivo. Isso porque muitos ônibus que não são articulados ficam de fora do sistema. O promotor ajuizou, ontem (8), uma ação civil pública na Vara da Fazenda Pública Municipal pedindo a imediata suspensão do uso das faixas.

“Houve várias reclamações. A faixa trouxe mais transtornos do que soluções. O Ministério Público (MP-AM) não é contra priorizar o transporte coletivo, pelo contrário, mas a implantação de um corredor exclusivo necessita de planejamento”, afirmou Paulo Stélio.

Na ação, o promotor pede que a Justiça impeça que a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) da Prefeitura de Manaus implante novos corredores exclusivos e semiexclusivos. “Ainda há muita desinformação. Os condutores de carros particulares não sabem ao certo onde pode ou não trafegar. Falta um orientação mais efetiva”, disse Paulo Stélio para ao Portal A Crítica, por telefone.

O risco de acidentes por conta da largura da faixa e das ondulações no asfalto resultantes do peso dos veículos também foi ressaltado pelo membro do MP-AM. “Da forma que está (o sistema de faixa azul) cria muitas situações de risco. A faixa é muito estreita, existem aquelas ondulações. É uma infinidade de coisas que devem ser observadas, estudadas. É necessário um estudo que prove que faixa é viável  ou não”, completou. Desde que a faixa azul da avenida Constantino Nery começou a ser usada exclusivamente por ônibus, pelo menos seis atropelamentos foram registrados, três deles com vítimas fatais.

Segundo Paulo Stélio, a prefeitura deveria ter apresentado um estudo antes de implantar as faixas do Bus Rapid System (BRS). O mérito da ação pede que o Executivo elabore um plano e, segundo o promotor, não necessariamente precisa ser o Plano de Mobilidade Urbana, que está pendente de análise e votação pelo Legislativo desde abril - isso porque ainda não foi enviado pela prefeitura à Câmara Municipal (CMM). “Pode ser algo independente e tem que ser feito o quanto antes”, frisou.

Procurado pela reportagem, o diretor-presidente da SMTU, Pedro Carvalho, informou que só irá se manifestar depois que for notificado.

Plano de Mobilidade

Com sete meses de atraso, a minuta do Plano de Mobilidade Urbana de Manaus deve chegar à CMM no fim deste mês, anunciou o líder do prefeito, vereador Elias Emanuel (PSDB). Já foram gastos R$ 2,8 milhões com consultoria para o projeto.

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