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Prosamim: áreas verdes são ‘alvo’ de invasão em Manaus

Espaços comuns são ocupados e conjunto perde originalidade 22/10/2013 às 20:05
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Aos poucos, o local que recebeu investimento em infraestrutura para melhorar a qualidade de vida dos moradores, vai perdendo as características e voltando a ser o que era antes
Jaíze Alencar Manaus, AM

Espaços verdes de 15 a 20 metros deixados pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) foram engolidos com a ocupação irregular dos moradores no bairro Cachoeirinha, e o fato se repete no Prosamim da Colônia Oliveira Machado, Zona Sul.

Aos poucos, o local que recebeu investimento em infraestrutura para melhorar a qualidade de vida dos moradores, vai perdendo as características e voltando a ser o que era antes do programa, sem ordenamento.

Um morador que não quis se identificar temendo represálias, lembra que quando foram concluídas as obras do Prosamim da Cachoeirinha, na avenida Maués, era possível ver à frente de todas as casas as gramas implantadas pelo Governo.

“Era bonito, além de contribuir para a paisagem da nossa cidade, permitia que houvesse uma ventilação para as casas, agora não existe mais, as pessoas foram invadindo e ampliando suas casas e hoje o que se vê são calçadas de um metro e meio”, conta André Santos (nome fictício).

A aposentada Luguimar Silva Ferreira,63, é uma das poucas moradoras a preservar a entrada da casa com o gramado, mas por pouco tempo. “Eu já dividi o terreno todo entre os filhos, e eles já estão comprando os materiais para construir uma casa aí na frente, mas é claro deixando uma calçada de um metro e meio para as pessoas andarem”, afirma.

Assim como ela, outros moradores do programa da Cachoeirinha pensaram e fizeram, sem a preocupação com o projeto original do Prosamim e sem uma fiscalização dos órgãos responsáveis.

INVASÃO

No bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Sul, o problema é ocasionado pela invasão de pessoas que não têm onde morar e que constroem casas de madeiras nas encostas verdes, relembrando a realidade do local antes do Prosamim. Na rua 13 de maio, pelo menos quatro famílias afirmam ter invadido o local e construído as casas com madeiras doadas pelos vizinhos.

A autônoma Lauricélia Silva de Oliveira, 24, conta que ela e o marido foram para o local porque não tinham para onde ir. “Temos quatro filhos, um de cinco meses e os outro de dois, cinco e oito anos. Não temos condições de pagar um aluguel, o dinheiro que consigo é para comprar comida para a casa”, conta.

O peixeiro Clanderson Alves, afirma que ganha R$ 30 reais por dia e que o dinheiro não dá para sustentar a família, mulher e quatro filhos. “Eu morava alugado e fiquei três meses sem pagar o aluguel e o dono do quitinete me expulsou, e então viemos para este lugar”.

Policiais da 2ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), afirmam que há três meses recebem ligações de moradores denunciando a invasão. De acordo com o soldado A. Vieira, as denúncias informam que os pedaços de terras estão sendo vendidos. “Não podemos fazer nada porque se trata de um problema do programa social do Governo, mas se a ocupação aumentar teremos outros problemas como o aumento da criminalidade no local, que antes das intervenções era considerado como zona vermelha, onde até a polícia tinha dificuldades de acesso”, afirma Vieira.

Leia mais na edição do Jornal A Crítica desta quarta-feira (23)

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