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Prosamin localizado no Centro, é ‘festa’ quando chega a noite

Primeiro residencial do Programa de Saneamento dos Igarapés, erigido no antigo Buraco do Pinto, é festa à noite quando todos saem dos apartamentos para bater aquele papo 12/09/2015 às 10:49
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Entre uma aula e outra, o universitário Samuel faz um ‘pit stop’ no barzinho
augusto costa Manaus (AM)

Quem passa atualmente pelo Parque Residencial Manaus, localizado entre as ruas Tarumã e Ipixuna, no Centro, percebe que os apartamentos modernos, ruas pavimentadas, iluminação pública, rede de esgoto, quadras de esportes e água encanada, mudaram pra melhor a vida dos moradores, após oito anos da implantação do primeiro Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

A falta de infraestrutura, casebres construídos em palafitas, lixo, igarapé poluído e inundações, agora fazem parte de um passado que os moradores fazem questão de esquecer.

Durante o dia, um hábito antigo de colocar as cadeiras no final da tarde para conversar com os vizinhos foi resgatado.

À noite, o local se tornou “point” de estudantes universitários que procuram os barzinhos próximos para simplesmente bater papo e descontrair entre o intervalo de uma aula e outra, além dos amantes da boa forma física, que aproveitam para fazer caminhada, jogar futebol de salão ou simplesmente praticar a dança de rua sob o olhar de admiradores e curiosos.

De acordo com a recepcionista Jéssica Paz, 24, que há 10 anos mora no local, a mudança foi pra melhor. Ela ainda relembra emocionada os momentos difíceis de sufoco que passava com a família na época em que as casas eram alagadas pelo igarapé de Manaus e as perdas de eletrodomésticos e moveis era inevitável.

“Aqui temos uma área para as crianças brincarem, ficamos conversando no final da tarde com os vizinhos e o local é relativamente tranquilo. Não tem mais aquele cheiro ruim das águas poluídas e não convivemos com o lixo embaixo das casas trazidos pelas águas. Fora as enchentes quando chovia. Uma vez tive que fazer um casco de geladeira de canoa para poder andar perto das casas num dia de inundação. Aqui tinha até jacaré”, relembrou Paz.


O marítimo José Florêncio, 68, morador desde a inauguração há oito anos, também afirmou que a vida mudou pra melhor, embora faça ressalvas em relação aos altos preços das tarifas de água e energia elétrica que está tirando o sono dos moradores.

“A minha casa era de madeira e não alagava porque estava numa parte alta do barranco, mas cansei de ver amigos sofrendo com as chuvas e as casas deles alagadas. Agora tenho o meu apartamento com dois quartos, sala, cozinha e duas áreas de serviço e estou bem instalado com a minha família”, contou o marítimo.

Ausência de infraestrutura é o problema

Mas nem tudo são flores no Parque Residencial Manaus. Alguns moradores, apesar de elogiar a infraestrutura do e reconhecer que estão morando num apartamento bem localizado, reclamaram do abandono dos serviços de manutenção.

Eles dizem que há nove meses ninguém do governo, responsável pelo conjunto, apareceu para fazer a limpeza de locais que estão tomados pelo mato.

“A iluminação pública é precária. Temos várias lâmpadas queimadas e estão ocorrendo assaltos na parte mais alta, perto da faculdade. Os alunos sofrem com os roubos de celulares”, denunciou Francisco Silva morador do local há oito anos.

O líder comunitário Odenis Reis reclamou da falta de manutenção dos órgãos públicos que não aparecem para capinar o mato que está crescendo próximos dos apartamentos.

“Aqui estamos abandonados pelo poder publico. Ninguém assume a responsabilidade sobre os serviços de manutenção dentro do nosso residencial. Temos que tirar do próprio bolso dinheiro para consertar até um bueiro entupido. As lâmpadas de alguns postes é comprada e trocada pelos moradores. Aqui o correio não entrega as cartas nos apartamentos e não temos cabos telefônicos e internet”, criticou Reis

Cervejas, suor, samba e conversas

Os boêmios de plantão, frequentadores dos bares e lanchonetes, não têm do que reclamar do Parque Residencial Manaus. À noite, antes de entrar na sala de aula de uma faculdade particular ou mesmo no intervalo entre as aulas, universitários têm o costume de lotar as mesas de um dos bares para tomar cerveja e jogar conversa fora com os amigos. É o caso do estudante de Pedagogia, Samuel Cardoso, 32, que sempre que pode não dispensa aquela cervejinha.

“O local é bom e tomar cerveja com os amigos, alivia o estresse antes de uma aula ou uma prova difícil. É tranquilo aqui”, disse o estudante cercado de amigos e até professores.

Outro que utiliza bem o espaço para praticar a dança de rua é o coreógrafo Carlos Alberto que juntamente com um grupo de 20 adolescentes frequenta o calçadão do Parque Residencial Manaus para treinar dança. “Vamos participar de um concurso e, de quarta-feira até sexta-feira, nos reunimos a partir das 18h para ensaiar. Temos um grupo jovem e talentoso que promete ser fera na dança. O local é bom e temos estrutura para ligar a caixa de som e dançar”, afirmou o coreografo cercado pelo olhar de vários curiosos e admiradores da arte da dança.

Renda garantida em um brechó

Outro morador satisfeito com a moderna infraestrutura do Residencial Manaus é Francisco das Chagas Silva, 53, que mora com três filhos num apartamento. “Moro aqui desde o início. Antes a situação era complicada. A maioria das casas era de madeira. Agora temos dignidade em morar num o apartamento localizado no Centro. Isso é bom demais. Eu não tenho do que reclamar daqui”, destacou Silva.

Dona de um brechó, Dilma Maia da Silva, 64, aproveita o fim da tarde quando a temperatura está amena para colocar a banca e vender as roupas que recebe de doações. “Morava antes perto do igarapé do Mestre Chico. Às vezes tínhamos que fazer marombas quando a água alagava a minha casa. Era difícil até pra sair de casa. Agora tenho o meu apartamento e o meu comércio aqui vendendo roupas e o faturamento é bom.

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