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Protesto bloqueia avenida das Torres com galhos e pneus queimados nesta quinta-feira (15)

Os responsáveis são moradores de uma rua no Novo Aleixo, que ficaram indignados depois que homens chegaram se dizendo donos do terreno onde várias casas estão construídas, derrubando 13 delas 16/01/2015 às 00:51
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Manifestação durou cerca de uma hora
Lucas Jardim Manaus (AM)

Um protesto, com incêndio de troncos de árvores e pneus, bloqueou completamente o sentido centro-bairro da avenida das Torres, grande artéria que conecta a Zona Norte às regiões centrais de Manaus, entre as 19h e as 20h desta quinta-feira (15).

Os responsáveis pela ação são moradores da rua Altiva Nogueira (antiga rua G3), bairro Novo Aleixo, que ficaram indignados depois que, nesta quarta-feira (14), homens chegaram com tratores se dizendo proprietários do terreno onde várias casas estão construídas, derrubando 16 delas. Ao todo, mais de 50 pessoas estão desabrigadas por conta da ação.

“Nós moramos nessas sobras de terra há mais de 9 anos, tem gente que mora aí há mais de 20. Nesse tempo, nunca venho ninguém. Agora chegaram e destruíram tudo. As coisas [dos desabrigados] estão todas na rua, passaram a noite aí”, disse Graciente Bispo, moradora do local, apontando a pilha de colchões e eletrodomésticos que ficou no meio da rua e teve que ser coberta com uma lona para ficar protegida da chuva, em meio aos clamores de “Queremos nossas casas!” entoados pela multidão.


“Eu moro aqui há 8 anos. Desde três meses atrás, todo mês aparece um dono diferente. O cara de ontem apareceu um mês. Eles vêm com polícia, mas não é com Ronda no Bairro não, eles vêm sempre com Força Tática ou [Rondas Ostensivas Cândido Mariano] Rocam. Esse de ontem veio com a maior ignorância, passou o trator por cima das casas, arrebentou até a fiação dos postes e deixou todo mundo sem luz. Quase todo mundo tá dormindo nos vizinhos de favor e várias casas tão sem luz até agora e aí tem de tudo, até uma criança especial”, explicou Simone Muniz, que mora próximo à rua Altiva Nogueira.

Segundo Simone, o homem diz ser representante de uma empresa, mas age de maneira suspeita. “Ele diz que representa uma empresa chamada Rainha, que fabrica biscoitos, mas não deixa ser filmado nem nada. Veio com uma suposta juíza aí, que assinou um papel, mas pra bom entendedor, um mandado oficial de justiça não vem daquela forma. Além do mais, se fosse uma reintegração de posse, teria vindo gente da Prefeitura, coisa que não veio”, comentou.

“Eu sou mãe de dois filhos. Tinha saído para uma consulta, quando eu voltei, vi que eles tinham destruído a minha casa. As minhas coisas tão todas aí enterradas no entulho. Minha televisão não presta, eu não tenho mais cama para dormir, eles acabaram com tudo. Até meus documentos ficaram aí embaixo, foram as únicas coisas que consegui de volta. Eu estou desamparada, eu estou dormindo no meio da rua com meus filhos!”, exclamou a moradora Aldenilze Pedrosa, desesperada.


“Não digo que o dono não tá no direito dele, mas a população também tem o seu, porque há dez anos, não tinha avenida das Torres, não tinha nada disso, mas essa comunidade já existia. Se esse cara era dono, por que não veio antes?”, ponderou Simone.

Quando os policiais da 12ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) chegaram no local, tentaram apaziguar os ânimos da população, conseguindo chegar a um acordo com os manifestantes para que eles desocupassem a via por volta das 20h. O Corpo de Bombeiros chegou minutos depois e conteve rapidamente as chamas remanescentes.

Os moradores clamam para que o poder público encaminhe os desabrigados a algum lugar onde possam permanecer de forma provisória. Nesse ínterim, eles já anunciaram que farão um novo protesto, no mesmo local, às 16h desta sexta-feira (16).


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