Sábado, 07 de Dezembro de 2019
INVASÃO

Protetores realizam mutirão para alimentar animais abandonados em invasão

Mais de 50 animais foram encontrados abandonados na antiga invasão Cidade das Luzes, Zona Oeste de Manaus. Alguns foram resgatados e estão disponíveis para retornarem aos antigos donos



Invas_o_1.jpg Protetores levaram alimentos aos animais abandonados (Divulgação)
17/12/2015 às 13:29

Após a divulgação dos abandonos de animais na área que até a última sexta-feira (11) era a conhecida invasão Cidade das Luzes, Zona Oeste de Manaus, um grupo de cinco protetores de animais foi até o local para dar alimentação e água aos cães e gatos abandonados nos 61 mil metros quadrados da Área de Proteção Ambiental (APA).

Uma das protetoras voluntária, a dentista Janaína Melo, 28, contou que assim que chegaram na entrada da invasão no início da manhã desta quarta-feira (16), policiais militares da 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) proibiu a entrada dos protetores na área que passou pela desocupação.



“Depois que eles viram que estávamos com ração e água e além de muita conversa com o comandante, conseguimos a liberação para entrarmos na área em que era a invasão. O cenário é horrível, totalmente de destruição, e infelizmente encontramos muitos animais abandonados, com sinais de maus-tratos na espera do dono”, contou Janaína.

Os protetores encontram mais de 50 animais abandonados. Desse número, mais de 40 eram gatos, e o restante cachorro. “Isso foi de uma parte da invasão, pois não conseguimos rodar todo o terreno que é muito extenso, acredito que tenha muito mais animais abandonados onde era a invasão”, disse.

Dos animais alimentados, Janaína contou que 12 cães foram resgatados. “Se os donos quiserem os animais de volta, nós iremos cuidar, fazer todo o procedimento necessário, e devolveremos quando o animal estiver sadio e castrado, pois todos estão com sinais do abandono, magros, sujos e nosso grupo está se responsabilizando em cuidar desses animais e devolver aos donos em boa forma. Infelizmente ainda há muito animal abandonado dentro da invasão, porém precisamos de mais ajuda para conseguir realizar o resgate”, informou.

Janaína disse que os gatos não puderam ser resgatados, pois os protetores não possuem um local apropriado para acolher os felinos. Ela acredita que além dos 40 gatos que foram alimentados nesta primeira visita, tenham muito mais escondidos entre o resto de entulho dos barracos da invasão.

Cães da família do invasor que ateou fogo no corpo

Quando os protetores chegaram à entrada da invasão encontraram com a mãe de André Junior Oliveira, 32, que ateou fogo em si mesmo durante a desocupação da invasão Cidade das Luzes. Ele morreu na noite da última sexta-feira (11), no Hospital Pronto-Socorro 28 de Agosto. A mãe de André tentava entrar na invasão para procurar os documentos do filho, mas foi proibida pelos policiais.

Quando ela avistou os protetores, contou que também não tinha conseguido resgatar os dois cachorros do filho que estavam abandonados no local. “Pedi que ela me explicasse onde era o barraco e fomos em busca. Quando chegamos no local, os dois cachorros, assim como a maioria estavam escondido por baixo dos entulhos onde era o barraco. Eles também foram recolhidos”, contou Janaína.

A lenda dos Ticunas

No momento em que andavam a procura dos animais, os protetores encontraram uma indígena da etnia Ticuna, moradora da invasão próxima da Cidade das Luzes, conhecida como Cidade das Tribos. A ocupante contou que assim que foi concluída a desocupação da comunidade, eles foram retirar alguns animais e os levaram para outra comunidade, porém eles retornaram para o antigo lar.

“A indígena contou que os Ticunas tem um respeito muito grande aos animais, principalmente ao cachorro, pois há uma lenda que eles contam e passam entre eles de um indígena que tinha um cachorro, passou por uma problema sério e acabou perdendo a perna. Por causa disso, a liderança da tribo ordenou que esse indígena fosse jogado em uma mata do outro lado do rio junto com o cachorro”, relembrou.

O cachorro conseguiu nadar levando o dono até onde era a tribo, e desde então, os Ticunas tem um respeito relevante ao animal. “Eles não aceitam que os donos dos animais os abandonem. Para eles não há explicação de uma atitude como essa”, disse a protetora.

Caso alguém queira ajudar os protetores, eles pretendem volta na antiga invasão da Cidade das Luzes no próximo sábado para alimentar os animais abandonados. “Esperamos que algo seja feito, pois abandono de animal é crime e ninguém está se pronunciando sobre isso”, finalizou a protetora.


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