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Próximo passo: viabilizar as reivindicações

Sociólogos avaliam que organizadores do protesto devem dialogar com o poder público para colocar propostas em prática 22/06/2013 às 18:06
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Manifestação popular em Manaus foi marcada pela multiplicidade de temas de interesse da sociedade e de atores sociais
Kleiton Renzo Manaus, AM

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Sociólogos ouvidos por A CRÍTICA afirmam que passada a efervecência das manifestações o núcleo da ação coletiva deve se concentrar nas reivindicações apresentadas pela sociedade nos atos de protesto e garantir que haja diálogo entre os movimentos e os parlamentos municipal, estadual e federal para que elas se tornem realidade.

“No fim das contas é muito evidente que a atenção deve ser às reivindicações. E aqueles que estão no governo e são responsáveis pela condução do País devem atender essas demandas que vêm se acumulando ao longo dos anos”, comentou o professor da Universidade Federal do Amazonas, sociólogo Renan Freitas Pinto.

Para o professor Renan, a participação dos jovens, muitos deles pela primeira vez em manifestações, não pode ser desprezada pelos atores políticos. “O principal elemento é a participação dos jovens nesses acontecimentos políticos do País. E isso é muito positivo porque dá uma lição importante a quem está governando: eles estão alertas”, explicou.

Um dos coordenadores do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (Ncpam-Ufam), professor Ademir Ramos, afirmou que as manifestações criaram o estranhamento necessário entre os atores sociais. “Esses movimentos de rua provocam um estranhamento nos poderes constituídos: Executivo, Judiciário e Legislativo. Eles precisam agora dar respostas à sociedade. Não podem ficar passivos”, disse Ademir Ramos.

Na avaliação do cientista social, as manifestações são reflexo da “desorganização dos partidos”. “Enquanto os partidos representarem empresas e interesses que sustentam as campanhas políticas a sociedade terá dificuldade de ter atendidas suas necessidades mais elementares”, disse Ramos.

Em comum, os dois estudiosos sustentam que não há surpresa nas manifestações, mas  sim na  proporção que algumas delas, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, tenham chegado. “Nenhum sociólogo teve condições de prever isso. A exemplo do impeachment do Collor. Ninguém esperava esse volume e intensidade dos movimentos sociais. Não estou dizendo que ela não poderia ocorrer. Era possível acontecer dadas as condições sérias e problemas que temos enfrentados nos últimos anos”, disse Renan Freitas.

Análise

Marcelo Seráfico, cientista social e professor da Ufam

 “Eu vi  na manifestação  de ontem em Manaus punks, gamers, patricinhas, brincantes, professores, jovens, estudantes, torcedores, clubers... e várias misturas de tudo isso.  Não é fácil levar mais de 50 mil pessoas às ruas. Mas não basta essa multidão andar lado-a-lado para avançar em conquistas secularmente negadas a quem trabalha. Multidões são comoventes. É bonito o espetáculo das gentes ocupando as ruas. Os carros cederam. A cidade mudou sua cadência. E por algumas horas buzinas, motores, fumaça e engarrafamento deixaram-se vencer pela respiração, pelos passos e vozes de anônimas unidos. Isso foi impressionante! Mas não sei... cheguei em casa, li algumas considerações sobre o que aconteceu aqui e em outros cantos do Brasil, e fiquei com a impressão de que faltou algo, um espírito. E agora?!

Blog

Ademir Ramos, sociólogo

“Agora é preciso  coisas concretas. Acusam os movimentos de não terem pauta. Eles têm pauta. Uma pauta difusa, cheia de nuances. O que é preciso é estruturar. O que se espera do prefeito, do governador e da presidente é que reconheçam o movimento como político e dêem respostas às questões pendentes. E a mediação entre esses movimentos e esses atores políticos pode ser feita pelos parlamentos. A atitude mais correta é o Legislativo chamar pra si a discussão. Escancarar suas portas e chamarem esses movimentos para dialogar. Estamos saindo de uma democracia presidencialista e entrando numa democracia mais participativa. Essa é a realidade”.

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