Quarta-feira, 08 de Dezembro de 2021
MIRA AGUÇADA

Público feminino busca na prática do tiro esportivo segurança e empoderamento

Centenas de amazonenses escolheram a prática, mesmo em meio à pandemia, para sentirem-se mais confiantes



portal_1_1F569826-5EA8-48C0-8A46-6FA0A70D0A43.JPG Foto: Gilson Mello
27/06/2021 às 08:37

As mulheres tomaram conta dos espaços de treinamento de tiro em Manaus. Correspondendo a 42% de todos os participantes, instrutores já preveem que o público feminino se torne, em breve, maioria dos que praticam o esporte. Entre as razões para a procura, mesmo em meio à pandemia da Covid-19, estão a busca pela sensação de segurança e de satisfação.

A empresária Ana Letícia Martin, 26, é divorciada e mãe de duas crianças. Ela buscou o treinamento de tiro, porque quase foi vítima de assalto dentro da própria residência. Desde o ocorrido, no final de abril, ela não parou de frequentar as aulas de tiro.



“Eu me senti numa situação de risco em que eu, uma mulher divorciada e com dois filhos pequenos, pensei: como eu iria reagir se alguém entrasse na casa?. Então, eu senti todo o pânico, eu lembro que não conseguia dormir, foi aí que me deu start na minha cabeça”, explicou. 


Ana Letícia gostou tanto do tiro esportivo que agora pratica uma vez por semana . Foto: Gilson Mello

“Como eu tenho amigos civis que frequentam centros de tiro, eles me indicaram e no outro dia, eu já estava começando o treinamento para iniciante, já comecei o intermediário e hoje, estou no nível avançado. Eu pratico uma vez por semana. É muita adrenalina!”. A universitária Beatriz de Almeida, 26, conta sobre a mudança de vida a partir das aulas de tiro. 


A jovem estudante Beatriz de Almeida, de 26 anos, fez do tiro ao alvo um hobby. Foto: Arquivo Pessoal

“Treinar tiro é o que mais amo na minha vida. A prática foi uma virada de chave na minha vida e sempre que eu posso, indico a colegas. É uma terapia para quem é estressado demais, por que eu acredito que alivia toda a tensão”. Já a administradora Emanuelly Braga, 24, optou pela prática para sentir-se mais segura em momentos de apuro. 

“Eu vim em busca de empoderamento. Eu passei por uma situação de quase estupro e isso me fez querer eu cada vez mais procurar me defender. E aí, eu pesquisei sobre o assunto e vim fazer o curso iniciante. Quem já atirou, sabe que é um sentimento único, eu me sinto empoderada mesmo”, completou.


Emanuelly Braga conta sobre como a prática melhorou sua confiança. Foto: Gilson Mello

Melhor desempenho

Os instrutores de tiro João Paulo Elvas, da Juliet Papa Treinamento e Anderson Cordeiro, da Defenda-se Treinamentos Para a Vida destacam que a prática melhora desempenhos como no aspecto de defesa pessoal. O principal motivo de elas buscarem treinamento de tiro é a segurança e melhoria de autoconfiança. 

Para se ter ideia, Elvas avalia que as mulheres operam o armamento melhor que os homens. “Elas presam pela perfeição, então elas ouvem a instrução com cuidado e dedicação e quando vão para o tiro, elas executam exatamente o que foi passado pelos instrutores e aí, elas conseguem ter um bom disparo. A maioria das mulheres busca o armamento para ter na sua casa e se protegerem, prover a sua própria segurança”. 


João Paulo Elvas é instrutor do clube de tiro. Foto: Gilson Mello

O treinador de tiro, Anderson Cordeiro, percebe grande adesão das mulheres ao estudo das armas.  “Hoje, eu diria que 42% do nosso público é feminino. Vemos que mais e mais as mulheres procuram uma forma para se proteger, uma forma de estar mais preparada para toda essa ascensão de violência que a gente vem assistindo”.  

O Treino na Prática

De acordo com João Paulo Elvas, a forma de treinar as mulheres não diferencia do treinamento para homens. Apenas um detalhe é modificado, conforme ele. “Na prática, há ainda algo que eu ajuste como as armas com o gatilho muito pesado e a gente troca o armamento, mas é somente isso”.

Segundo ele, todo o aluno que treina tiro esportivo passa a aprender quatro fundamentos e durante todo o ensinamento, os instrutores estão do lado dos alunos. Ele complementa que nenhum aprendiz atira sozinho e a preparação psicológica também faz toda a diferença.


Foto: Gilson Mello

“Desde o inicio nós treinamos todo o fundamento que é desde a postura, a empunhadura, a visada que é a mira e o acionamento do gatilho. A gente trabalha desde o início esses quatro fundamentos e depois disso, quando se começa a efetuar os disparos, nós preparamos o psicológico do aluno que é o controle da ansiedade. Nenhum aluno tira sozinho, sempre há um instrutor auxiliando o aluno na hora de atirar”, finalizou.

As empresas "Juliet Papa Shooting Defense" e "Defenda-se Treinamentos Para a Vida" estão localizadas nas dependências do Clube de Tiro Ponta Negra situado na avenida Liberalina Loureiro, bairro Ponta Negra, na zona Oeste da capital. A média de custo para iniciar o treinamento de tiro varia entre R$ 300 a R$ 500 e qualquer pessoa, maior de 18 anos, pode se matricular nas aulas.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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