Publicidade
Manaus
Quadrilha do aluguel

Quadrilha do aluguel de prédios explora prefeitura de Manaus

Para subsecretário municipal de Educação, Deuzimar Pereira(PSDB), esquema é um câncer que precisa ser extirpado 17/08/2013 às 10:05
Show 1
Galpão no bairro Armando Mendes, na Zona Leste, alugado pela prefeitura, abriga o Centro Educacional Allan Kardec
Jornal A Crítica Manaus

A Prefeitura de Manaus promete acabar com os aluguéis de prédios para uso como escolas, anexos ou depósitos da Secretaria Municipal de Educação (Semed). A informação é do secretário de Educação, deputado licenciado Pauderney Avelino (DEM). Pela manhã, o subsecretário municipal da Educação, Deuzamir Pereira (PSDB), afirmou existir uma quadrilha dentro da prefeitura para “assaltar o dinheiro da educação”. A despesa com aluguéis de imóveis, de acordo com o subsecretário, custa aos cofres do município R$ 29 milhões por ano.

A declaração de Deuzimar foi feita minutos após a abertura do I Encontro Municipal de Educação da Região Metropolitana de Manaus (RMM) realizado na Câmara Municipal de Manaus (CMM). “O que se instalou (na prefeitura) foi uma quadrilha para assaltar o dinheiro da educação. Isso (aluguel) é um negócio sujo e chega a contaminar parte do tecido e nós precisamos extirpar esse câncer. Há casos desses em que o secretário Ulisses Tapajós (titular da pasta de Finanças) está atento a esse detalhe num verdadeiro processo de reciclagem das contas”, disse Deuzimar, pela manhã.

À tarde, ao ser questionado sobre a declaração do subsecretário, Pauderney Avelino disse desconhecer qualquer “quadrilha” dentro da prefeitura. “A gente aluga os imóveis pela necessidade de colocar os alunos em sala de aula. Honestamente não fazemos isso por gosto. Fazemos em razão da dificuldade de conseguir locais para construir as escolas”, informou o secretário de Educação.

Pauderney anunciou que com recursos do BID serão construídas 72 escolas em Manaus. “No ano que vem virão mais recursos para construção de escolas e, dentro de quatro anos, vamos terminar com a questão dos aluguéis”,garantiu.

Espelunca

Em julho, A CRÍTICA mostrou que a Semed autorizou o pagamento de contratos na ordem de R$ 8,9 milhões referentes à renovação do aluguel de 47 dos 172 prédios das escolas da Prefeitura de Manaus. O maior contrato, no valor de R$ 1,4 milhão, foi pago à empresa Millennium Locadora Ltda pelo prédio onde funciona o depósito da Subsecretaria de Infraestrutura e Logística da Semed.

Alguns desses imóveis alugados pela Semed foi classificado pelo subsecretário de “espelunca que a prefeitura tem que se livrar”. Deuzimar não quis citar qual é o prédio. O subsecretário reconheceu a necessidade de outros aluguéis feitos. “É claro que temos escolas alugadas que são dignas e nos ajudam a resolver questões muitas vezes incompreendidas pela Ministério Público do Estado (MPE)”, disse o subsecretário.

Comissão analisa os contratos

A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Mnauas (Semcom)informou, na sexta-feira(16), por meio de nota, que desde o início da  administração do prefeito Artur Neto (PSDB) foi criada uma comissão dentro da Secretaria de Finanças (Semef) que está analisando todos os contratos de aluguel da prefeitura. “Eles analisam contrato por contrato e estão chamando todos os proprietários, um a um, para renegociar”, diz a nota que atende a pedido de informações feitos por A CRÍTICA.

Em outro trecho, a Semcom reconhece o pagamento de valores de aluguel acima do mercado. “Porque existem alguns casos que estão acima do valor de mercado”, diz a nota.

A CRÍTICA tentou, na tarde dessa sexta-feira(16), entrevistar o secretário de Finanças, Ulisses Tapajós, mas às ligações feitas para o número 8193-xx00 não foram atendidas. A assessoria da Semef também não atendeu às ligações para o número 8155-xx01.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Educação (Semed), encaminhou, no final da tarde, uma nota onde diz: “A assessoria de comunicação da Semed desmente a existência de uma quadrilha de locação de imóveis e que as declarações do Subsecretário de Gestão Educacional da Semed, Deusamir Pereira, foram mal interpretadas”.

Publicidade
Publicidade