Publicidade
Manaus
Manaus

Quadrilha formada por médicos cobrava dinheiro para fazer partos em maternidades de Manaus

Três médicos, presos na operação “Jaleco”, cobravam entre R$ 1 mil e R$ 2,8 mil para fazer partos nas maternidades. Um deles é suspeito, ainda, de cometer abuso sexual contra pacientes grávidas 04/03/2015 às 10:03
Show 1
Mais embaixo, na foto, está o médico Armando, e acima o médico Denis
VINICIUS LEAL E JOANA QUEIROZ Manaus (AM)

CONFIRA GALERIA DE IMAGENS

Três médicos suspeitos de formarem uma quadrilha que cobrava dinheiro para fazer partos de pacientes grávidas em hospitais públicos de Manaus foram presos pela Polícia Civil do Amazonas nesta quinta-feira (26) na operação “Jaleco”. Os profissionais da saúde cometiam formação de quadrilha e corrupção passiva e majorada no funcionalismo público.

Os médicos presos são Odilon de Oliveira Gomes, 67, Denis Almeida dos Santos, 46, e Armando Andrade Araujo, 67. Todos foram presos durante cumprimento de mandado de prisão na própria residência deles, nos bairros União da Vitória e na Colônia Oliveira Machado, e até dentro da Maternidade Nazira Doau, na Zona Norte da capital.

Segundo o delegado geral Orlando Amaral, o grupo era investigado há cerca de um ano, após a polícia receber a denúncia de uma paciente que foi à Maternidade Dona Lindu para ter bebê. “Eles faziam uso do aparato público. São perniciosos, e agora estão sendo retirados”, afirmou Amaral. Os médicos deverão prestar depoimento ainda hoje.


Odilon de Oliveira. Foto: Euzivaldo Queiroz

A operação foi comandada pelo delegado João Neto, titular da Seccional Norte. De acordo com ele, a mulher grávida que denunciou o esquema recebeu oferta de R$ 2,8 mil do médico Armando Andrade para passar pela cirurgia de retirada do bebê dentro da Maternidade Dona Lindu. Pelo menos quatro vítimas foram identificadas e confirmaram os crimes.

Outros profissionais da saúde estão sendo investigados por também fazerem parte do esquema. Segundo a polícia, o grupo cobrava entre R$ 1 mil e R$ 2,8 mil para fazerem cirurgias em hospitais públicos, sendo que um deles pediu R$ 5 mil para fazer um parto na Maternidade Ana Braga, na Zona Leste. Também houve vítimas na Maternidade Moura Tapajós.

A polícia recebeu denúncia, também, de que um dos médicos também cometia abuso sexual contra pacientes grávidas. Os três médicos presos eram donos de clínicas particulares e também envolvidos na política: o “Dr. Denis” é ex-vereador de Manaus e ex-candidato a deputado estadual em 2014, e o “Dr. Armando” foi candidato a deputado federal em 2014.

Notas

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) informou que adotou providências para a imediata substituição dos profissionais nos seus locais de trabalho e aguardará o resultado do inquérito policial para aplicar as medidas que a lei prevê. A Susam reafirmou que a cobrança por qualquer tipo de serviço ou procedimento na rede pública é ilegal e deve ser denunciado.

A Susam diz, ainda, que os médicos Armando Araújo e Odilon Oliveira são estatutários e também prestam serviço à rede estadual de saúde através de contrato com o Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam). Ambos foram alvo de processo de sindicância no âmbito da Secretaria, cujos resultados foram encaminhados à Secretaria de Estado de Administração (Sead) e ao Ministério Público (MPE).

Em relação ao médico Denis Almeida dos Santos, foi informado que o mesmo não tem vínculo com a Susam e atua como médico cooperado do Igoam, não tendo chegado à Secretaria nenhuma denúncia contra o mesmo, até a presente data. A Susam reiterou que a cobrança por qualquer tipo de serviço ou procedimento na rede pública é ilegal e deve ser denunciada".

Igoam

O Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam) lamentou a existência do esquema formado pelos médicos. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o departamento jurídico do Igoam foi acionado para apurar os fatos e tomar as medidas cabíveis. O Igoam informou que o fato é individual e não reflete o trabalho coletivo dos demais sócios.

Publicidade
Publicidade