Terça-feira, 31 de Março de 2020
INVESTIGAÇÕES

Quase sete meses depois, caso de autônomo desaparecido continua sem resolução

Bruno Vasconcelos de Almeida sumiu no dia 13 de junho, quando saiu de casa, no bairro Cachoeirinha, para abastecer o carro. Seis policiais militares da Força Tática, suspeitos de envolvimento, continuam presos



IMG0017511163_14540729-6D5A-4B60-B58C-9C5D69130A26.JPG Foto: Junio Matos
03/01/2020 às 19:41

“Cadê o Bruno?”. Esta pergunta que foi estampada em faixas, cartazes e camisetas de familiares e amigos do autônomo Bruno Vasconcelos de Almeida, no dia 24 de junho do ano passado, hoje, perto de completar seis meses, ainda está sem resposta. As investigações iniciais feitas pela Delegacia Especializada em Ordem e Política Social (Deops) apontam indícios de envolvimento de militares no desaparecimento do autônomo.

As buscas feitas pela polícia ainda não encerraram e seis policiais militares da Força Tática estão presos, negam a autoria e mantém o silêncio sobre o paradeiro que deram a Bruno e ao seu carro. “Nós só queríamos saber onde eles (os assassinos) o jogaram para fazermos um sepultamento digno”, diz a esposa da vítima, Jaqueline Melo.



De acordo com ela, o filho do casal passou a virada do ano chorando muito pela ausência do pai. Bruno está desaparecido desde a madrugada do dia 13 de junho, quando saiu de casa, no bairro Cachoeirinha, para abastecer o seu carro, uma Peugeot 207 Passion, de cor branca e placas OAN-4D38.

De acordo com Jaqueline de Melo, Bruno foi visto pela última vez por volta das 5h, na rua Santa Isabel do Rio Negro, bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus. Desde então, Jaqueline não teve mais noticiais sobre o marido.

Na mesma madrugada, câmeras de segurança de imóveis da rua onde Bruno morava registram imagens de policiais militares da Força Tática com o carro do desaparecido. Mais tarde, apenas a placa do carro foi encontrada no Manoa, Zona Norte.

Seis deles foram identificados e presos como principais suspeitos pelo desaparecimento de Bruno. Os mesmos permanecem presos até o momento na Companhia de Guarda da Polícia Militar, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte. A defesa deles já trabalha para que os mesmos sejam colocados em liberdade.

Prestes a completar seis meses do ocorrido, a polícia ainda não tem uma resposta para a pergunta “Cadê o Bruno?”. Ontem, a titular da Delegacia Especializada em Ordem e Política Social (Deops), Catarina Saldanha Torres, disse que as investigações ainda não foram concluídas. “Ainda estão abertas, elas continuam porque até o momento ainda não conseguimos nenhuma pista que nos leve onde está o corpo e o carro de Bruno”, disse a delegada.

A delegada, que por quase 20 anos é titular da especializada e possui larga experiência em busca de desaparecidos, disse ontem que, apesar de ainda estar buscando por Bruno, ela tem a certeza de que ele está morto e que os policiais militares o mataram e sumiram com ele e o carro. “Quando são interrogados eles não respondem as perguntas e dizem que só vão falar em juízo”, disse Torres.

O caso é investigado também pelo Ministério Público Estadual do Amazonas (MPE-AM), pela 60ª Promotoria Especializada em Controle da Atividade Externa Policial (Proceap), que instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (Pic) para apurar o desaparecimento de Bruno, possivelmente praticado por policiais militares. A portaria é do dia 29 de julho de 2019 e está assinada pelo promotor de justiça Vitor Moreira da Fonseca.

Afastamento

Assim que tomou conhecimento do caso o comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Ayrton Norte determinou que fossem afastados do policiamento de rua e entregasse as armas.  Ayrton Norte disse que já foi instaurado inquérito policial militar e designou um oficial para apurar o caso. Se ficar comprovado o envolvimento deles, estes serão responsabilizados.

“Eu já disse que nós vamos ter que cortar na própria carne, mas vamos dar uma resposta para a sociedade”, disse o comandante. Ontem à tarde, os militares foram ouvidos na Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública. O caso está sendo apurado sob sigilo.

Os amigos de Bruno temem que aconteça com ele o mesmo que aconteceu com os jovens Alex Roque de Melo, Rita de Cássia Castro e Weverton Marinho da Costa, que foram levados no dia 29 de outubro de 2016, na comunidade Grande Vitória, pelo tenente Luiz Ramos, o “Boca De Lata”, e os soldados José Fabiano Alves da Silva, Edson Ribeiro Costa, Ronaldo Cortez, Eldeson Alves de Moura, Cleidson Eneas Dantas, Denilson de Lima Correa e Isaac Loureiro da Silva, e até hoje não tiveram os corpos encontrados.

Repórter de A Crítica

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