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Manaus
ENCHENTE

Quatro das cinco calhas monitoradas pelo CPRM estão em processo de enchente

No porto da Manaus Moderna, o nível do rio chama a atenção por ter ultrapassado as primeiras escadarias da orla 08/02/2017 às 10:39
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No ano passado, nesta mesma data, a cota do Negro, em Manaus, estava em 20,05 metros, sendo que o rio estava secando devido a um fenômeno conhecido como repiquete (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Silane Souza Manaus (AM)

Das cinco bacias de rios amazonenses monitoradas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), quatro estão em processo de enchente com níveis acima das médias para o período, de acordo com o 5º Boletim de acompanhamento – 2017. Em Boca do Acre, o rio Purus está 91 centímetros acima do registrado na mesma data de 1971, ano da maior cheia naquela região. Já em Manaus, o nível do Negro está dois centímetros abaixo do registrado no mesmo dia de 2012, ano da maior enchente neste rio.

A situação mais crítica é na calha do Juruá, onde os municípios de Guajará e Ipixuna estão em situação de emergência por conta da enchente. Outras cinco cidades da mesma região estão sendo monitoradas e permanecem em alerta. Pelo menos 2.106 famílias já foram afetadas e o governo prepara distribuição de ajuda humanitária, de acordo com o secretário executivo da Defesa Civil do Estado, Fernando Pires Júnior. “Nós enviamos ajuda para Guajará e esta semana mandaremos para Ipixuna”, afirmou.

De acordo com o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional do CPRM, Andre Martinelli, ainda não é possível prever a dimensão da enchente deste ano, mas, segundo ele, ela é “realidade” nas calhas do Juruá e com forte tendência para a calha do Purus. “Para fazermos a previsão da cota de enchente necessitamos observar os dados que irão ocorrer em fevereiro e março”, explicou, ressaltando que o primeiro alerta de cheia deve ser divulgado pelo órgão no dia 31 de março.

Fernando Pires também acredita ser muito cedo para prever uma grande cheia. “Embora as previsões meteorológicas para os próximos três meses indiquem muita chuva, não quer dizer que isso possa ocorrer, pois esse prognóstico tem 60% de acerto. Precisamos aguardar os novos boletins do CPRM e do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). É prematuro dizer que a região do Amazonas terá uma enchente nos moldes de 2015, mas é propício por conta dos níveis hidrológicos apresentados”, considerou.

Em 2015, 48 municípios amazonenses passaram por desastres ocasionados pela subida das águas dos rios da bacia Amazônica. Para minimizar os efeitos de uma possível grande cheia na região, a Defesa Civil do Estado entregou ontem ao governador José Melo planos de trabalho para as calhas do Purus, Juruá, Solimões e Negro. “É para o caso de persistirem o aumento, acima da média, das chuvas, nós possamos trabalhar previamente e antecipadamente a assistência aos afetados”, disse Fernando.

Rio Negro chega às escadarias

Ontem, a cota do rio Negro, em Manaus, atingiu 24,57 metros, ficando dois centímetros abaixo da registrada na mesma data de 2012, de acordo com a medição realizada no Porto da cidade. No porto da Manaus Moderna, o nível do rio chama a atenção por ter ultrapassado as primeiras escadarias da orla.

Quem trabalha na área acredita que a enchente será grande, visto que está chovendo muito, além disso, ainda estamos em fevereiro e a cheia segue até meados de junho. “A tendência é que vai ser uma cheia grande porque os barcos estão encostando aqui no beiradão”, disse o feirante Samuel Marques, 50.

No ano passado, nesta mesma data, a cota do Negro, em Manaus, estava em 20,05 metros, sendo que o rio estava secando devido a um fenômeno conhecido como repiquete.

Monitoramento

As bacias que apresentam níveis acima dos valores médios para época são Purus, Negro, Solimões e Amazonas. A bacia do Madeira é a única que se encontra em processo de enchente, com cotas baixas para o período, talvez um reflexo da usina hidrelétrica de Jirau.

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