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Manaus
Morte no Viver Melhor

'Ele era muito preocupado comigo', diz mãe de gari morto após ser atropelado

Rodrigo Gomes da Silva, 19, veio do Pará há seis meses para Manaus, para que a matriarca da família pudesse dar continuidade ao tratamento de um cisto no abdômen 20/09/2016 às 05:00
Show gari
Rodrigo Gomes da Silva foi atropelado no conjunto habitacional Viver Melhor, Zona Norte. Foto: Antonio Menezes
Isabelle Valois Manaus

Natural do Pará, a família do gari Rodrigo Gomes da Silva, 19, veio há seis meses para Manaus com o objetivo de submeter  a matriarca da família a um tratamento de um cisto no abdômen. Como a mãe e o pai do gari precisavam de mais tempo para ir aos hospitais, ambulatórios e demais consultas, Rodrigo resolveu procurar um emprego para  ajudar com as despesas de casa. Há quase três meses tem trabalhado na equipe de limpeza da capital, e nos últimos três dias prestava serviço no conjunto habitacional Viver Melhor, bairro Lago Azul, Zona Norte, onde foi atropelado, nesta segunda-feira (19), pelo motorista de um Pálio, de cor vermelha e placas OAD-5041. Ele morreu  no local.

Rodrigo era filho do meio do casal Antônia Natalina Gomes e Marinaldo Pimenta da Silva. O primeiro homem, o irmão e filho mais preocupado com todos, disse a mãe. “Por causa do cisto, sinto muitas dores e às vezes só consigo dormir sentada, Rodrigo sempre foi muito preocupado. Hoje mesmo (ontem), como tinha uma consulta agendada no FCecom (Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas), ele chegou a me ligar e perguntou se precisava da companhia, pois poderia pedir para o liberarem e ele iria participar da consulta. Mas disse que ele não devia se preocupar, estava com outros parentes presentes”, contou.

Colega de Rodrigo,  Thiago Ribeiro Pereira, 24, contou que o rapaz  tinha ido comprar pão para a equipe de trabalho comer e pegou emprestado  a moto, de placas PHB – 7540, modelo não informado, de um dos garis. O mesmo não utilizava capacete e quando cruzava a avenida Comendador José Cruz, a principal do Viver Melhor, foi atingido pelo Pálio que era conduzido por uma mulher.

“O carro vinha em alta velocidade, se duvidar mais de 100 km/h, quando atingiu o Rodrigo. A passagem era dele e não do carro, onde a motorista não pensou nem em frear ou muito menos prestar socorro. Assim que ela saiu do carro, ligou para o companheiro, um policial que provavelmente mora no conjunto”, relatou Thiago.

Conforme a testemunha, o policial levou menos de 10 minutos para chegar até o local do acidente, mandou que a companheira entrasse em outro carro e saísse do local, pois ele iria se responsabilizar pelo ocorrido. O fato causou confusão e foi preciso  reforço policial.

Socorro chegou em 30 minutos
Após o acidente, Rodrigo Gomes da Silva ainda apresentava sinais vitais. Os colegas  e  moradores acionaram  o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que levou mais de 30 minutos para chegar ao local e com  a vítima já morta.

Revoltado com a morte do gari, a população e os demais amigos de trabalho da vítima começaram a quebrar  o veículo da atropeladora. O policial, proprietário do veículo, chamou  reforço de policiais da 26ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) e da Ronda Ostensivo Cândido Mariano (Rocam).

“É um absurdo ver policiais realizando a segurança de um veículo, tinham que preservar o local do acidente, mas foram os primeiros a deteriorem a área restrita”, disse uma das moradoras que não quis se identificar.

Família quer imagens do acidente
Os familiares do agente de pedreiro, Raimundo Pinto Maciel, 58,  também  vítima fatal em acidente de trânsito, procuravam ontem, as filmagens do acidente que ocorreu na avenida Tefé, quando Raimundo tentava atravessar na noite do último sábado.

Conforme testemunhas, a motorista que atropelou o ajudante de pedreiro, além de estar dirigindo em alta velocidade, apresentava sinais de embriaguez. “Ela foi conduzida para o 1º Dip e logo após pagar a fiança, foi liberada. Em nenhum momento passou por  teste para verificar o índice de álcool, e a morte do meu tio ficou sem explicação”, comentou a sobrinha dele Silvana Valente.

A vítima foi atingida quando estava em cima da faixa amarela que divide as duas mãos da avenida. A motoristas tentou ultrapassar outro carro e atingiu Raimundo que morreu na hora.

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