Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020
Manaus

Quilombo Urbano de Manaus prepara festejos em homenagem a São Benedito

Festa ganhou patrocínio inédito do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura



1.jpg No local, resistem, há mais de um século, famílias remanescentes de escravos do Maranhão
24/03/2015 às 11:59

A cultura africana, através de seus costumes, tradições, músicas, danças e comidas será fortemente representados em Manaus, a partir do dia 29 de março, quando inicia a Festa de São Benedito, realizada há 125 anos na Comunidade do Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito, no bairro Praça 14. Este ano, a festa ganha patrocínio inédito do Governo do Amazonas / Secretaria de Estado de Cultura, por intermédio de edital de credenciamento nº 01/2005 publicado no dia 18 de março. O edital está disponível no site www.editaisculturamazonas.com.

 “A cultura africana tem importância fundamental para a formação cultural do Amazonas. Essa festa está passando por uma grande reformulação e o Governo do Amazonas fica muito orgulhoso em participar da disseminação desses costumes e tradições”, afirmou o governador do Amazonas, José Melo.



Desse modo, as ações culturais do evento serão incrementadas. Além de distribuição de filme-documentário sobre a festa, haverá ainda apresentação e distribuição de filmes, apresentações de grupos folclóricos com temática africana, rodas de capoeiras, além de shows de hiphop e distribuição gratuita de comida.

“Queremos mostrar que essa festa não é apenas um ato religioso, mas uma celebração aos costumes de um povo que esteve sempre ligado à formação cultural do Amazonas. Quem for à festa vai entender que os negros vindos da África tiveram importante ligação com a cultura regional e a construção do Teatro Amazonas é apenas uma dessas ações”, afirmou o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga.

 Uma das novidades deste ano é o retorno da tradicional “Banda do Dedé”. Dedé era um morador da comunidade e durante quase 30 anos (entre as décadas de 1970 e 1990) foi o responsável por tocar o “Hino de São Benedito” durante todos os dias de festa. Depois de sua morte (no final da década de 1970) esta tradição ficou deixada de lado e há mais de 15 anos o Hino de São Benedito não era tocado por uma banda. “Agora, com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, estamos retomando as principais tradições da festa, aumentando as atividades realizadas e mostrando de uma maneira mais ampla a influência da cultura negra em nosso Estado”, afirmou Jamily Souza da Silva, organizadora dos festejos de São Benedito no Amazonas.

 Programação

A festa começa no dia 29 de março, com a “retirada do mastro da mata”. O mastro, de uma árvore Envira, é o símbolo da festa e representa a ligação entre o céu e a terra. O mastro é retirado da floresta uma semana antes do início do novenário de São Benedito e durante esse período preparado para a festa, sendo descascado, enfeitado com samambaias, frutas verdes, fitas vermelhas e recebendo uma bandeira de São Benedito. Ele é erguido no local da festa no primeiro dia do novenário, marcado para o dia 4 de abril, um sábado.

A partir do dia 4 e até o dia 12, haverá o novenário a São Benedito, sempre às 20h. No dia 12, a festa vai começar a partir das 8h, em frente à casa onde está o altar e imagem de São Benedito (na rua Japurá, nº 1360), Praça 14.

Às 17h, inicia a procissão, que percorrerá as ruas Japurá, Jonathas Pedrosa até à rua Tarumã, onde haverá a missa em louvor a São Benedito, na igreja de Nossa Senhora de Fátima. Após a celebração, a procissão voltará para o ponto de partida, percorrendo as ruas Jonathas Pedrosa, Ramos Ferreira, Emílio Moreira e Japurá.

A partir das 19h, haverá o derrubamento do mastro e distribuição de comidas como vatapá com arroz, bolos, salgados e a tradicional bebida “aluá”, além de água e refrigerante.

 O Quilombo

O Quilombo do Barranco de São Benedito é o segundo quilombo urbano do Brasil, recebendo esse título em outubro de 2014.

A comunidade iniciou-se com a vinda de Dona Maria Severa Nascimento Fonseca, negra, escrava, que veio do Maranhão para o Amazonas por escolha própria, que após receber a carta de alforria de seu Senhor, conhecido como Dr. Tarquinho.

Veio para o Amazonas em meados de 1890 com seus três filhos (Manoel, Antão e Raimundo) e foram recebidos pelo militar e conterrâneo Eduardo Gonçalves Ribeiro. Maria Severa trouxe consigo o símbolo de maior devoção da família até hoje, a imagem de São Benedito, que, conforme os antigos contam, veio de Portugal e foi dado a ela de presente.

A família começou a delimitar a área e construíram um barracão, uma espécie de terreiro, onde passaram a praticar seus costumes e crenças. Logo depois, mais maranhenses foram chegando e, a maioria, com a ajuda de Eduardo Ribeiro, eram encaminhados para esse lugar, que virou símbolo de resistência negra na cidade de Manaus. Por isso, o nome de “Vila dos Maranhenses”.

A comunidade permanece no mesmo lugar há mais de cem anos, formada a partir de famílias advindas do Maranhão, descendentes de escravos e que vieram para trabalhar em Manaus, principalmente na construção de prédios, hoje considerados históricos (como o Teatro Amazonas).

*Com informações da assessoria de comunicação.

 

 



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