Domingo, 19 de Maio de 2019
Manaus

Quinhentas famílias permanecem instaladas em invasão em frente ao Encontro das Águas

Há dois meses, invasores criaram a comunidade "Encontro das Águas", no bairro Antônio Aleixo, na Zona Leste 



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O terreno invadido por aproximadamente 500 famílias fica localizado quase em frente ao Encontro das Águas. De um lado da rua, lotes demarcados e, do outro, o rio
13/07/2015 às 09:22

Situada de frente para um dos principais pontos turísticos de Manaus - o encontro das águas - uma invasão localizada no final da rua Alberto Campainha, na comunidade Nova Esperança, no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, contrasta com um dos mais belos cenários da natureza amazônica.

Os moradores da localidade disseram que a área começou a ser invadida há aproximadamente dois meses e, nesta segunda-feira, pelo menos 500 famílias estão instaladas em casebres, de forma precária.

Ainda não se sabe o tamanho exato do terreno invadido, nem quem é o dono dele, mas é possível ver que os terrenos foram loteados e sinalizados com nos nomes dos supostos “donos”. Além dos lotes, pequenas casas começaram a ser construídas com compensados e pedaços de madeiras e algumas delas já possuem até energia elétrica, que foi puxada por “gatos” na rede da rua.

No último domingo, A CRÍTICA esteve no local e verificou alguns invasores limpando o terreno e queimando vestígios de sujeira. A dona de casa Cídia Silva do Carmo, 36, disse que decidiu ir morar no local porque não possui casa própria e estava morando de favor na casa de amigos. “Tenho quatro filhas e o dono da casa onde morávamos vai se mudar. Como não tinha para onde ir, optei por vir para cá. Eu ganhei esse terreno”, contou a mulher.

De acordo com ela, a maioria dos invasores são pessoas que estavam morando alugado. “Essa área era só mato e era usada como varadouro e para desmanche de motocicletas roubadas. Quando começamos a limpar os terrenos, encontramos vários chassis por aqui”, afirma Cídia.

Vizinhança

Por estar de frente ao local onde o rio Negro se encontra com o rio Solimões, a comunidade foi batizada de “Encontro das Águas”. Mas alguns moradores do local não concordam com a apropriação irregular do terreno. “Eu fico incomodada porque eles fazem muita fumaça e invadiram uma área florestal. Além disso, não sabemos quem é quem”, disse uma moradora, que preferiu não se identificar. Para ela, as palafitas e os casebres acabam contrastando com o Encontro das Águas, um dos principais pontos turísticos da cidade. “Se os turistas vierem aqui, o que vão pensar? A invasão deixa a frente da cidade feia”, reclama.

No entanto, há outros moradores que defendem os moradores da invasão, por se tratarem de pessoal humildes e que não possuem casa própria. “A maioria deles morava em casas alugadas aqui no bairro mesmo”, disse outro morador. 

Esconderijo do crime 

De acordo com moradores da invasão “Encontro das Águas”,  a comunidade não possui liderança e os lotes de terras não estão sendo vendidos por nenhum invasor. Eles disseram que “tomaram” o local por se tratar de uma área que estava servindo apenas para desmanche de veículos, principalmente motocicletas,  e esconderijo de criminosos. A  Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que vai levantar informações sobre a atual situação da invasão nesta segunda-feira.


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