Publicidade
Manaus
Unidade de saúde

Pacientes culpam reordenamento da saúde pela dificuldade de atendimento

A Secretaria Estadual de Saúde esclareceu que as medidas previstas no reordenamento da saúde ainda não entraram em vigor e que, portanto, não houve nenhuma mudança, até o momento, nos fluxo de atendimento dos pacientes 15/06/2016 às 20:14 - Atualizado em 16/06/2016 às 12:02
Show spa
O operador portuário Raimundo Gomes da Cruz, 42, teve que se deslocar da Zona Sul até a Zona Leste porque no SPA onde procurou atendimento não tinha ortopedista (Foto: Winnetou Almeida)
Silane Souza Manaus (AM)

Usuários dos Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) de Manaus afirmam que estão sentindo efeitos do reordenamento da Rede de Atenção em Saúde anunciado pelo Governo do Amazonas, no mês passado. De acordo com eles, alguns serviços foram transferidos para outras unidades em razão das mudanças, conforme informações dos próprios atendentes desses locais. No início desta semana, o agricultor Darlan Lopes da Silva, 34, realizou uma “via-crúcis” pelos SPAs da Zona Leste, Sul e Centro-Oeste para retirar um abscesso (tumor) das costas.

Conforme o agricultor, que mora em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), foram dois dias tentando conseguir realizar o procedimento. “Eu fui ao SPA do Coroado e disseram que o procedimento não podia ser feito lá, mas me mandaram voltar à tarde, foi quando me deram um encaminhamento para agendar o serviço, sendo que só iria acontecer duas semanas depois. Aí fui ao SPA da Zona Sul e ouvi a mesma justificativa. Em ambos ainda falaram que a sala onde se fazia esse tipo de procedimento estava  sendo descontaminada”, contou. 

Não satisfeito, Darlan decidiu ir a mais uma unidade do Estado, dessa vez, no SPA da Alvorada, onde enfim conseguiu ser atendido. “Não teve tanta burocracia como encontrei nos dois primeiros SPAs. O médico examinou e não foi preciso fazer nenhum procedimento cirúrgico. Era uma coisa simples que acabou se tornando complicada nas unidades que fomos antes. Durante a ida nesses locais vi muitas pessoas que também não conseguiram atendimento por conta dessas mudanças na saúde”, disse. 
De Sul a Leste

Ontem, o operador portuário Raimundo Gomes da Cruz, 42, teve que se deslocar da Zona Sul até a Zona Leste porque no SPA da Zona Sul, no bairro Colônia Oliveira Machado, não tinha ortopedista. Ele ficou indignado com a situação. “A atendente falou que não há mais ortopedista em SPAs da cidade. Ela me mandou ir ao João Lúcio ou Platão Araújo (hospitais e prontos-socorros). E se fosse um caso de morte? Eu iria morrer e não seria atendido. Isso é um absurdo, o governador tirar os ortopedistas dessas unidades de saúde”, comentou. 

No SPA do Coroado, a reclamação dos usuários é em relação à demora no atendimento. Para o eletricista Manuel Cardoso da Silva, 47, desde que o governador anunciou as medidas de reordenamento da Rede de Atenção em Saúde, o local passou a receber uma quantidade maior de pacientes. “Eu sempre vim neste SPA e nunca esteve tão cheio quanto agora. A saúde pública virou um caos. Já não era boa, agora ficou pior. Tem gente que espera a manhã toda para ser atendida, coisa que antes não acontecia”, afirmou.

Mudanças não entraram em vigor

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) esclareceu que as medidas previstas no reordenamento da saúde ainda não entraram em vigor e que, portanto, não houve nenhuma mudança, até o momento, nos fluxo de atendimento dos pacientes dos Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) que compõem a rede.

A pasta destacou que as medidas de reordenamento da Rede de Atenção em Saúde só entram em vigor a partir de julho, após concluída a fase de esclarecimento da população. E que ninguém ficará sem atendimento, a Atenção Básica será ampliada, assim como os leitos de maternidade, e a população continuará a contar com atendimento de SPAs e Policlínicas. 

Atendimento de abscessos

Segundo a Susam, as salas onde ocorrem as drenagens de abscesso, nos SPAs Coroado e Zona Sul estão funcionando normalmente e com os profissionais adequados. Somente no SPA da Zona Sul, na manhã de ontem, foram realizados 18 procedimentos de drenagem. “Cabe ressaltar que, na rotina diária de atendimento destas salas, há intervalos, em horários fixos, para esterilização do ambiente e dos instrumentais”, disse em nota.

Conforme a Susam, isso também pode ocorrer em outros momentos, após atendimentos de pessoas com quadros infecciosos, com alto índice de contaminação. “São medidas para a segurança dos pacientes e da equipe de atendimento e que fazem parte da rotina”.

Quanto ao paciente Darlan Lopes da Silva, a pasta informou que ele foi atendido no SPA Coroado na última segunda-feira à tarde. “Não consta no prontuário dele que o cirurgião geral de plantão tenha encaminhado para drenagem de abscesso. Trata-se de conduta médica e a direção da unidade vai buscar esclarecer o caso junto ao profissional que atendeu o paciente”, garantiu destacando que não há registro de atendimento do referido paciente no SPA da Zona Sul.

Ortopedistas

Em relação à presença de ortopedista nos SPAs, a Susam informou que, desde agosto do ano passado, este tipo de especialista deixou de integrar o quadro dessas unidades. A medida está em consonância com a Política Nacional de Atenção às Urgências, que não prevê a presença de Ortopedistas nos SPAs. Pelo novo fluxo implantado na rede há 10 meses, os casos clínicos da área de ortopedia continuaram sendo atendidos nos SPAs, que têm equipe formada por clínicos, pediatras e cirurgiões gerais.

“Vale destacar, que a mudança foi adotada visando ampliar o número de cirurgias na área de Ortopedia. Os ortopedistas que antes atendiam nos SPAs, realizando principalmente atendimento clínico, passaram a reforçar a área de procedimentos cirúrgicos nos Prontos-Socorros Platão Araújo, 28 de Agosto e João Lúcio”, afirmou.

Conforme a Susam, ao contrário dos SPAs, estas unidades de alta complexidade possuem centros cirúrgicos e maior suporte na área de apoio diagnóstico, recebendo demanda expressiva de cirurgias ortopédicas, sobretudo em decorrência de grande número vítimas de acidentes de trânsito. Os casos de fraturas atendidos nos SPAs, com necessidade de cirurgias, sempre foram transferidos para os prontos-socorros.

Publicidade
Publicidade