Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
Saúde e Mobilidade

Está tudo liberado: Comércio informal volta com tudo às ruas do Centro de Manaus

Comércio informal toma novamente as vias da região central da capital amazonense, ocupando calçadas e pista de rolamento dos veículos. Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados diz que o número de ambulantes cresce a cada dia



Capturar.PNG Todos os dias uma feira de carrinhos de mão surge no Terminal da Matriz (foto: Antônio Menezes)
18/05/2016 às 20:42

Não existe uma estatística de quantos vivem do comércio informal nas ruas do Centro de Manaus, mas pelo cenário encontrado atualmente naquela região, o número aumentou consideravelmente nos últimos anos, principalmente daqueles que vendem frutas e verduras: eles estão por toda parte. No terminal de ônibus da Matriz, uma espécie de feira improvisada é montada todos os dias. No local, frutas e verduras são comercializadas em carrinhos de mão aglomerados um ao lado do outro. 

A venda desses produtos, muitas vezes sem condições adequadas para o consumo, além de desagradar  pedestres, é ilegal, uma vez que a atividade informal não é permitida no Centro pela Prefeitura de Manaus. No entanto, não há fiscalização eficaz para combater a prática. Os vendedores destacam que lutam para se regularizar, mas o poder público não lhes oferece  alternativa e eles precisam sustentar a família.

Para os   mais antigos na “profissão”, a saída seria a prefeitura regularizar a atividade e espalhar os vendedores, de forma organizada, nas esquinas das ruas, como foi feito há  13 anos. “Em cada esquina ficava um carrinho de verdura e outro de fruta. Era tudo bem organizado, mas depois entrou outro prefeito, que não aceitou isso, e a gente se tornou ilegal”, disse Gean Patrick, 38. 

A vendedora  Astri Alves de Sá Carneiro, 40, contou que trabalha vendendo frutas e verduras desde os 13 anos por influência da mãe que a levava para ajudar  nas vendas. Apesar de ter uma profissão irregular, ela se orgulha em dizer que criou os dez filhos com o dinheiro desse trabalho. “Parece que somos pior que os ladrões. Mas se nós estamos aqui enfrentando sol e chuva é porque precisamos”, declarou.

A dona de casa Marieta Gomes, 42, defende a permanência dos ambulantes que vendem frutas e verduras nas ruas do Centro. Para ela, todos precisam ter oportunidade de trabalho, especialmente nesse período de crise. “Nós vivemos um momento de escassez de emprego e acredito que esses ambulantes não estão fazendo mal a ninguém. Além disso, as frutas e verduras que eles comercializam são de boa qualidade e o preço é acessível. Sempre compro”, afirmou. 

A professora Jackeline Araújo, 28, não concorda. Conforme ela, a venda de produtos alimentícios dessa forma põe em risco a saúde das pessoas. “Confesso que é uma situação muito complicada de opinar, mas ninguém sabe qual a procedência dessas frutas e verduras que são armazenadas de qualquer jeito, portanto, não são confiáveis para consumo. Podem causar muitos problemas de saúde”, apontou. 

Para o presidente da feira da Manaus Moderna, Davi Lima da Silva, o comércio de frutas e verduras por vendedores informais  têm prejudicado não somente a população, que pode ter a saúde afetada, mais também os permissionários da feira da Manaus Moderna, que vêem as vendas caírem por causa da concorrência desleal. “Pode andar pelas ruas do Centro para ver que estão tomadas pelos vendedores ambulantes”, destacou Silva.

Operações de fiscalização diárias

A Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab), responsável pela fiscalização dessas atividades,  informou que não tem como saber quantos vendedores informais trabalham  no Centro, visto que a quantidade aumenta todos os dias tanto naquela área quanto nos bairros devido à falta de emprego na cidade. Mas reforçou que tem feito varias operações nesse locais para coibir as vendas ilegais.

A pasta informou também que entre as alternativas para combater as vendas ilegais está à realização de operações diárias tanto na área Central como nas avenidas Eduardo Ribeiro, 7 Sete de Setembro, Floriano Peixoto, Praça Tenreiro Aranha, onde tem carros irregulares vendendo frustras e verduras sem condições adequadas para o consumo. Inclusive, todos os dias são feitos várias detenções de mercadorias, mas isso não intimida os ambulantes que voltam a vender novamente depois.

Permissionários e canoeiros em briga

Do outro lado, a briga entre permissionários do setor de peixe do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e da Feira da Manaus Moderna com os vendedores de pescado em canoas no rio Negro parece não ter fim e o poder público não consegue encontrar uma solução definitiva para o problema. 
Os permissionários reclamam de concorrência desleal; o segundo diz que trabalha na irregularidade por não ter outra opção de emprego e local para comercializar o produto. 

O presidente da feira da Manaus Moderna, Davi Lima da Silva, disse que há uma insatisfação grande por parte dos feirantes com a permanência da feira de peixe a céu aberto entre a Manaus Moderna e o Adolpho Lisboa. “É um absurdo! Nós estamos perdendo muitas vendas e eu não entendo como a prefeitura não acaba com essa ilegalidade. A maioria desses ‘invasores’ teve banca tanto aqui quanto nas feiras do Coroado e Cachoeirinha, mas aceitaram. Eles não têm responsabilidades”, afirmou.

Para o canoeiro Raimundo Hosana, 45, a “briga” é desnecessária, pois há mercado para todos, principalmente naquela área central que recebe muitos consumidores. “Realmente a prefeitura colocou a gente em feiras, mas elas eram distantes e sem movimento. Eu perdi R$ 5 mil. Todo o meu capital. Então continuar lá não tinha condições. Por isso, voltei para vender peixe aqui na beira”, declarou ele, que chegou a ser realocado na Feira Municipal do Coroado, na Zona Leste. 

A Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados reconhece que a venda de peixe na área do rio Negro, na orla da Manaus Moderna, é feito de forma ilegal pelos canoeiros, mas informou que não tem como acabar com a prática a não ser que a população deixe de comprar peixe no local. Contudo,  garantiu que tem combatido essa prática irregular, mas cabe também à população fazer sua parte não comprar estes peixes sem qualquer tipo de higiene para o consumo próprio.

A Subsempab ressaltou que “Manaus tem passando por uma crise, onde se pode verificar que muitas lojas estão sendo fechadas em bairros nobres como Vieiralves e em shoppings centers. Isso tem aumentado muito a procura do trabalho informal”.

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