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Guerreira

'Rainha do Arrocha', Kayza Marques luta contra doença sem abandonar a música

Cantora tenta se recuperar de sequelas de diabete e insuficiência renal que tiraram movimentos das pernas e a visão do olho direito 17/11/2018 às 14:09 - Atualizado em 18/11/2018 às 10:18
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Artista de várias músicas autorais, a cantora Kayza Marques passa por problemas de saúde / Foto: Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Uma das artistas mais conhecidas do Amazonas está travando uma árdua luta pela vida. Com sequelas de diabete e insuficiência renal (seus dois rins estão atrofiados), a cantora amazonense Kayza Marques, conhecida como a “Rainha do Arrocha”, vem tentando se recuperar e buscando, na música, a alegria de viver. Ela está fazendo três sessões de hemodiálise, perdeu o movimento das pernas e chegou a ficar um mês internada no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. A diabetes ocasionou a perda da visão do olho direito da artista, há 8 anos, e o esquerdo possui complicações.

Em seu pescoço foi introduzido um cateter. Atualmente, ela aguarda por uma vaga no Sistema Único de Saúde (SUS) visando um procedimento cirúrgico de fístula arteriovenosa, que consiste na união entre a artéria e a veia.

“Esse procedimento é feito no (ambulatório) Araújo Lima, mas essa mudança e transição de Governo do Estado ocasiona que muita coisa fique parada no sistema de saúde. E a fila para a cirurgia nem está andando. Com certeza deve ter muitas pessoas na minha frente, e estou procurando um meio de fazer por médico particular. Só a consulta com um cirurgião vascular custa quase R$ 500”, explica a cantora.

Além da necessária cirurgia de fístula, outra dificuldade de Kayza é custear a locomoção para uma clínica de hemodiálise da rua Maceió, em Adrianópolis, Zona Centro-Sul, indicada pelo SUS - sem transporte particular, ela e Gato pagam condução de aplicativo. “Os motoristas de APP não querem levar minha cadeira de rodas. Uns pedem pra mim sair do carro, como se eu estivesse podre”, critica Kayza. “Os médicos falaram que dentro de três a quatro meses eu devo melhorar das pernas”, completa a Rainha do Arrocha, que hoje vive, na pele, a sofrência da vida real.

Volta aos palcos

No tratamento, ela vem cantando para espantar os males e sequelas, pois a voz continua a mesma. Há cerca de um mês ela voltou aos palcos para shows particulares em uma cadeira de rodas. “Quando voltei pra casa fiquei triste, principalmente porque estava em uma cadeira de rodas. Aí resolvi sair de casa e voltar a cantar pois tenho um filho desempregado e um marido que trabalha comigo (ela é casada há 15 anos com Sebastião Gato, que também é seu empresário)”, destaca ela, que foi caloura de programas famosos da TV nacionalmente como do apresentador Raul Gil e de concursos locais.


A artista voltou a cantar mesmo em uma cadeira de rodas (Foto: Reprodução/Facebook)

“Quando eu voltei a cantar, no Centro de Convivência da Família da Aparecida, foi muito bom, muita, nem sei descrever. Os idosos me curtem e compram meus discos. Enfrentar o público não é fácil, e cantar toda hora eu me engasgo porque a emoção vem. E vejo muita gente chorando, que me abraçou e disse que iria orar por mim”, relembra ela.

Kayza diz sofrer preconceito por parte dos donos de casas de shows locais que não a chamam para fazer shows mesmo que em cadeira de rodas.

“Lá pra fora têm artistas que se apresentam de todo jeito. Aqui, ninguém me chamou ainda. Também sinto falta das amizades que eu tinha. Alguns nem um telefonema me deram para ver como eu estou. Se não fosse o Facebook eu estava esquecida, como estava esquecida no hospital”, revolta-se, ela.  

Kayza Marques nasceu em Urucurituba, cidade do interior do Amazonas a 218 quilômetros da capital. Vaidosa, ela não revela a idade e nem há quanto tempo é artista. O início da carreira foi aos 8 anos, já em Manaus, junto com o pai, Tertuliano Dácio de Queiroz que era violinista e se apresentava nos beiradões - a mãe chamava-se Maria Marques. “Ele sempre coloca um filho e outro pra ajudar, e acabou que eu entrei na vez e aprendi a cantar. A primeira canção foi o frevo “Fagulhas ponta de agulhas / Brilham estrelas de São João”. Até que viemos pra Manaus continuar a vida por aqui”, relembra.

Luta pela vida

A cantora diz que frequentemente lhe perguntam se ela tem medo de morrer, ao que de bate-pronto, responde: “Tenho, sim, mas hoje mesmo alguém vivo, que não tem doença nenhuma, vai morrer. E eu, se Deus quiser, ainda vou estar lutando pela vida”. O futuro ela diz que é incerto, está nas mãos de Deus. “O que Deus me dê daqui pra frente está bom demais”, revela.

Em 2008, ela ficou seis meses sem enxergar de ambos os olhos e por alguns médicos estava desenganada. “Ela pediu á Nossa Senhora que ficasse boa. Um dia chegou em casa cantando a música em homenagem á santa (“Nossa Senhora / Me dê a mão / Cuida do meu coração”) e ela voltou a ver novamente”, afirma Sebastião Gato, que já foi homenageado pela artista com uma música bastante singular chamada “Fera no Cio”.

“Ainda tem muita novidade por vir na minha vida, ainda. Sigo fazendo música que vai chegar até vocês pela cadeira de rodas, rádio e Internet. Ainda vou fazer uma música sobre essa entrevista que você está fazendo comigo”, disse Kayza à reportagem.


Kayza e seu marido, Sebastião Gato: união há 15 anos e apoio 24 horas (Foto: Jair Araújo)

Do humor, ela passou à emoção: ao fim da entrevista a cantora agradeceu a Deus, ao filho Augusto e ao marido Gato por estar com ela 24 horas. “Nessa doença o Gato é o meu anjo da guarda, que não falhou um momento sequer, e eu reconheço. Se algum dia eu fiz alguma coisa pra ele eu aproveito pra pedir perdão agora. Se eu viver mais dez anos que seja com ele”, declara a cantor.

Amigos vão organizar eventos para arrecadar recursos para artista

Sensiblizados pela situação da artista amazonense,   amigos vão organizar eventos em dezembro para arrecadar recursos para Kaysa. No dia 5, ela será realizado o bingo “Amigos de Kayza Marques” no Clube Municipal sob a organização de Athayde Muller. No dia 15 é a vez do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Amazonas (Sinpol), em Petrópolis, Zona Sul, sediar uma feijoada.

Paralelo aos apoios, a cantora de arrocha recebeu convite e vai participar da festa de confraternização da Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), marcada para dia 20.

Se você quer colaborar com a causa de Kaysa, pode entrar em contato pelos fones 99167-1250, 99213-4152 e 98817-9636, via e-mail gatoeventos18@gmail.com ou pelas redes sociais da cantora no Facebook e Instagram.

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