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Manaus
FORAGIDO

Rapaz que ateou fogo em 58% do corpo de jovem recebia ajuda da família da vítima

Segundo o pai da vítima, o suspeito do crime trabalhava na oficina da família e convivia com todos diariamente. Ele está foragido 28/05/2017 às 17:04 - Atualizado em 29/05/2017 às 10:27
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O pai Delmo Nascimento com a foto do filho, Daniel, no celular (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Álik Menezes Manaus (AM)

O rapaz de 17 anos suspeito de despejar gasolina em chamas e incendiar 58% do corpo de um adolescente de 14 anos, em Manaus, recebia ajuda da família da vítima. É o que diz Delmo Nascimento, pai de Daniel Simeone Castro do Nascimento, que está hospitalizado desde então em tratamento contra as queimaduras causadas pelo fogo.

Segundo Delmo, o suspeito do crime convivia com todos diariamente e era tratado como parte da família. “O pai dele perguntou se eu não poderia ensinar algumas coisas na minha oficina de motos para ele, para ele ter uma ocupação, não ficar na rua e ter uma profissão futuramente. Eu concordei”, contou.

O crime aconteceu na tarde da última sexta (26), justamente na oficina de onde o adolescente infrator teve a oportunidade de trabalhar, no bairro Zumbi 1, Zona Leste. Delmo diz que propôs ajudar o garoto e nunca imaginou que um ano após abrir as portas da empresa e da casa o jovem de 17 anos seria capaz de fazer o que fez e que o filho dele seria alvo de uma ação criminosa e calculada.

Ação calculada

Os familiares de Daniel acreditam que todo o crime foi premeditado. “Fiquei sabendo que eles discutiram semana passada depois que meu filho brincou com ele perguntando por que estava chegando tarde. Eles discutiram, se ofenderam, se empurram, mas ninguém falou nada para mim e para minha esposa”, contou Delmo.

Mais de uma semana após a discussão, o adolescente de 17 anos colocou gasolina em uma latinha de guaraná, ateou fogo e jogou em Daniel. “Ele esperou Daniel ficar sozinho na loja de conveniência da minha oficina. Eu tinha ido almoçar em casa com minha esposa. Ele agiu por vingança. Foi frio e covarde”, disse Delmo.

Para a irmã de Daniel, Bianca Daniele Silva Nascimento, 22, o suspeito do crime agiu por vingança. “Eles discutiram, quase trocam socos. Só que o desgraçado ficou guardando. A gente achava que era problema de família, porque o adolescente tem uma família problemática. Ele, na verdade, só estava esperando ficar sozinho com meu irmão”, contou.

Desespero

Após ser atacado com gasolina em chamas, Daniel entrou desesperado. Segundo a família, ele corria de um lado para o outro gritando até encontrar o chuveiro da oficina. “Quando foram lá em casa me avisar, ficamos desesperados, corremos para oficina e ele já estava se molhando. Levamos para o hospital”, lembrou.

O adolescente foi levado para o Pronto-Socorro João Lúcio, onde recebeu os primeiros procedimentos médicos. Depois, ainda na sexta-feira (26), ele foi transferido para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, onde possui um setor especializado no tratamento de queimaduras.

Atualmente, o adolescente ainda está na UTI do hospital, mas está se recuperando, respirando sem ajuda de aparelhos e com quadro considerado estável. O hospital atualizou a informação de 58% do corpo queimado, e não 80%. “Ele teve queimaduras de 3º grau, mas graças a Deus está melhorando, o quadro está evoluindo bem. Ele ainda está na UTI, mas respirando sem ajuda de aparelhos”, disse.

Foragido

O adolescente de 17 anos suspeito de cometer o crime está foragido. Ele não foi encontrado desde então. A família de Daniel registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) na Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), que é a delegacia do menor. Eles prometem retornar ao distrito de polícia para levar o laudo médico das queimaduras.

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