Publicidade
Manaus
PRISÃO

Reativação da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa tirou sossego de moradores da área

Após a reativação da cadeia no início do ano, a rotina da população mudou e eles voltaram a conviver com o medo de fugas e rebeliões e a se sentir mais prisioneiros do que os criminosos 05/03/2017 às 18:06
Show 1201134
Com a reativação da cadeia pública, moradores do entorno da unidade voltaram a conviver com o medo até de sair na rua (Foto: Aguilar Abecassis)
Alik Menezes Manaus (AM)

A sensação de paz dos moradores do entorno da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro, durou poucos meses. Após a reativação da cadeia no início do ano, a rotina da população mudou e eles voltaram a conviver com o medo de fugas e rebeliões e a se sentir mais prisioneiros do que os criminosos que estão na cadeia.

O alívio e tranquilidade que o aposentado Paulo Cesar Barros Silva, 65, voltou a ter com o fechamento da cadeia, ano passado, já acabou. Ele diz se sentir prisioneiro na própria casa sem ter cometido nenhum crime. “A gente fica com medo de sair, de passear aqui na praça, de viver a nossa vida com o medo de uma nova fuga. Eles saem dispostos a tudo. No final das contas, os prisioneiros somos nós”, desabafou o aposentado.

O aposentado contou que precisou investir em uma cerca de arame farpado e até comprou um cachorro no mês passado para se sentir um pouco mais seguro na casa onde mora com dois filhos. “Tem que ser assim, a gente tenta fazer nossa segurança. O cachorro vai pelo menos fazer barulho caso alguém tente entrar aqui e nós vamos tentar chamar a polícia ou algo do tipo”, disse o aposentado.

Na mesma rua, outro morador, que pediu para não ser identificado, contou que a comunidade vive com medo após a reativação da cadeia e muitos começaram a criar cachorros ou aumentaram o número de animais em casa, que atuam como cães de guarda. “Arrumei logo dois cachorros, eles são nossos verdadeiros seguranças, amedrontam os caras e latem quando veem alguém estranho”, contou o morador.

Mudança de rotina

Se os criminosos sentem medo ou não dos cachorros, a bióloga não quer nem saber e busca ficar em casa, com as portas fechadas, e evita sair na rua sozinha. “Nossa rua é meio deserta, imagina se eles fogem e entram nessa rua, tem chance de fazer vítimas, não é bom nem pensar em dar de cara com um deles”, disse.

A moradora disse que evita até passar pela frente da cadeia com medo de ser surpreendida por uma fuga de detentos.

Cadeia ficará ativa, pelo menos, até 30 de abril, diz Seap

Após 109 anos, a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa começou a ser desativada no dia 11 de outubro do ano passado e o prédio seria entregue para à Secretaria de Estado da Cultura, mas após a “guerra” entre facões rivais, que resultou na morte de mais de 60 detentos, a cadeia voltou a ser utilizada.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que a cadeiafuncionará até o dia 30 de abril, com tolerância de mais 15 dias, caso haja necessidade de atender “situações eventuais”, e que, após a desativação, a unidade será entregue para a Secretaria de Estado de Cultura (SEC), que irá desenvolver um planejamento de como o prédio será utilizado posteriormente.

No início do ano, logo após as mortes nos presídios, 286 detentos foram transferidos para a unidade prisional e, no dia 25 de fevereiro, 14 detentos fugiram da cadeia público, cinco foram mortos e quatro foram recapturados.

Publicidade
Publicidade