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‘Recebo ameaças e me desloco com segurança’, diz Rafael Lemos Assayag em entrevista

Secretário para Requalificação do Centro de Manaus, Rafael Assayag enfrenta dificuldades e ameaças para realizar as ações inerentes à sua pasta, mas garante que não vai abdicar da tarefa 16/03/2013 às 10:07
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Rafael Assayag conta que enfrenta dificuldades e ameaças
Adan Garantizado ---

Dentre os novos secretários da administração municipais, o engenheiro Rafael Lemos Assayag recebeu uma das missões mais “espinhosas”: reorganizar o Centro de Manaus e dar dignidade a uma área definida por ele próprio como uma “casa sem dono”. Após dois meses e meio da gestão, o titular da Secretaria Extraordinária para Requalificação do Centro (Semex) fez um balanço das ações da pasta nesta conversa. Segundo ele, a Semex vem fazendo um trabalho de “formiguinha”; sem muito barulho, está mapeando os gargalos da região central e firmando parcerias para executar projetos para a área. Trabalho esse que não tem sido fácil. Além de pressões políticas, Rafael disse ter recebido ameaças anônimas de grupos que tem interesses em manter o Centro do jeito que está. Precavido, ele só se desloca sob escolta de segurança.

O trabalho da Semex não tem sido ‘tímido’ diante de tantos problemas no Centro?

Temos feito ações pontuais. Sei da ansiedade das pessoas em ver o Centro recuperado. Não é preciso julgar se o trabalho das últimas administrações foi bom ou ruim. Basta ver como o Centro foi deixado. Ainda não entramos no tratamento efetivo, mas estamos fazendo uma espécie de “acupuntura”. Fizemos a limpeza da área no segundo dia da gestão. Algumas pilhas de lixo como no final da Dr. Moreira com a Eduardo Ribeiro já não existem mais. Tiramos carros que transformavam os porta-malas em lojas/restaurantes, executamos ações no Relógio, retirando algumas bancas, amanhã (hoje) vamos limpar e tirar o limo dele... Avançamos, mas não está ainda do jeito que a gente quer. Esta é uma batalha diária. Você tira e vem pressão política, vem pressão de camelô, mas se não está autorizado não pode ficar! Estamos finalizando o projeto para os ambulantes e ele será divulgado no momento certo. Depois dele, virão uma “chuva” de projetos.

Então o camelô é o principal obstáculo nessa reorganização do Centro?

Não definiria como obstáculo, mas sim como desafio. O principal desafio da Semex é encontrar uma forma organizada, factível e viável para resolver o problema dos camelôs de maneira pacífica. Isso é uma obsessão da Secretaria. Muita coisa só vai poder ser feita no Centro, depois que o ambulante for retirado das ruas. Com essa questão solucionada, nós ganharemos credibilidade. Só chegamos a esta situação no Centro por abandono. É público que houve prisões no final da gestão do ano passado, de gente que ganhou dinheiro alimentando banca de camelô no Centro. Queremos evitar tudo isso. Não seremos omissos. A intenção é colocar os camelôs em um local digno, de maneira pacífica. E só serão beneficiados os que são verdadeiramente camelôs. Banca de agiota e de empresários que possuem redes de camelôs vão perder. Banca de estrangeiros, recém-chegados à Manaus também, pois não há condições de absorver estrangeiro atuando como camelô no Brasil. Um brasileiro pode montar uma banca no Centro de Lima (Peru) de uma hora pra outra? Possivelmente não. Mas Manaus é terra do pode tudo. Aqui tem Peruano, coreano, chinês, haitiano, nigeriano... E este é um grupo perigoso, o das máfias internacionais. Não são todos, mas alguns deles fazem parte desses grupos. Tenho recebido ameaças de todos os tipos que você pode imaginar e por precaução, me desloco com seguranças. Mas não vou deixar de fazer meu trabalho. Poderia muito bem continuar tocando minha vida como empresário e engenheiro, mas topei este desafio.

E quando o projeto para os camelôs estará pronto? A Semex já sabe quantos ambulantes atuam no Centro?

Estamos trabalhando para divulgar o projeto inteiro ainda dentro do prazo dos 100 primeiros dias de gestão. Teremos o número oficial de ambulantes na primeira quinzena de abril. Nossas equipes estão trabalhando nas ruas, com apoio do IBGE e do Sebrae, fazendo levantamentos no Centro. É uma espécie de recenseamento dos camelôs. A pesquisa envolve várias perguntas, como em que bairro a pessoa mora, há quantos anos ela trabalha nas ruas, de que cidade ou país ela veio, quantos filhos tem. Assim a gente consegue montar uma “árvore” sobre a pessoa, até porque existem famílias inteiras envolvidas.

Há tempo suficiente para organizar o Centro até a Copa do Mundo?

Em relação ao patrimônio histórico é algo que demanda um tempo maior e que será feito no pós-Copa, pois temos que mapear, apresentar projeto, desapropriar, ter a chancela do Iphan, fazer licitação. Agora a questão dos camelôs a é bem clara. Não dá para receber uma Copa do Mundo com os camelôs do jeito que estão. Temos um verão de julho a dezembro e as obras precisam ser feitas neste período. Os próprios ambulantes admitem que a situação não pode ficar do jeito que está. Eles vão nos ajudar e tem sinalizado positivamente. Nosso relógio é a Copa. Mas o importante é ter uma solução a longo prazo. Os jogos da Copa são importantes, porque virão milhares de turistas para cá, que vão passar pouco tempo, mas vão levar uma imagem de Manaus. Se esta imagem for boa, os turistas farão uma publicidade positiva da cidade. A recuperação do Centro é importante nesse processo.

Além dos camelôs, que outros projetos da Semex já poderão ser ‘visíveis’ até a Copa?

Conseguimos destravar as obras do Mercado Municipal. Parece que havia uma cabeça de burro enterrada ali. A obra está andando. Hoje (ontem) reuni com Iphan, construtoras e outras secretarias e vimos que não existem empecilhos que impeçam a obra de ser inaugurada no dia 24 de outubro. Ainda temos ações de arborização, sistema de transporte cicloviário e de lixo.

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