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Recuperação e reforma de prédios e logradouros históricos no Centro de Manaus é realidade distante

Anunciado há um ano e três meses, projeto que visa revitalizar dez monumentos e lugares importantes para história de Manaus ainda está só no papel. Verba ainda não saiu e locais esperam por revitalização 23/11/2014 às 16:09
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Monumento Pavilhão Universal, na Praça Adalberto Vale, está há anos depredado e é local usado para consumo de drogas
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

Passear pela avenida da Manaus Moderna e apreciar a bela vista do rio Negro por uma orla revitalizada; visitar a Praça da Matriz conservada e passear com segurança e tranquilidade pelo entorno da Catedral Metropolitana da capital, ou mesmo acessar o acervo de livros da Biblioteca Municipal em um ambiente restaurado parecem ser atividades longe ocorrer para moradores ou turistas em Manaus.

Tais prédios e logradouros, localizados no Centro Histórico da “Paris dos Trópicos” ficaram por muito tempo abandonados pelo poder público, e há exatamente um ano e três meses foram incluídos entre as dez obras que receberiam recursos federais pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas para serem reformados. Mas até agora: nada.

Apesar do montante de R$ 33,7 milhões ter recebido aprovação do Governo Federal em 20 de agosto de 2013, até agora o recurso não saiu do papel e nada foi feito. O único monumento histórico que começou, aos poucos, a ser “mexido” e reformado foi a Praça da Matriz, oficialmente Praça XV de Novembro, porém com dinheiro do tesouro municipal, da prefeitura.


Hotel Cassina. Foto: Evandro Seixas

As dez obras previstas para serem reformadas são: Praça D. Pedro II, Praça Terneiro Aranha, Praça XV de Novembro (Matriz), Praça Adalberto Vale, ruas e entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, antiga Câmara Municipal, antigo edifício do Corpo de Bombeiros, antigo Hotel Cassina, Casarão da Biblioteca Municipal e o Pavilhão Universal.

Segundo o engenheiro Nelson Ruiz, coordenador do PAC na Prefeitura de Manaus, as obras ainda não começaram porque os recursos não foram liberados pela Caixa Econômica Federal (CEF). “O que está acontecendo em Manaus também está ocorrendo em várias cidades. O PAC não anda. Eles estão postergando e já informaram que o prazo vai ser dilatado”, antecipou Ruiz.

Conforme o engenheiro, os projetos das obras estão atualmente em fase de “triangulação” na Caixa, ou seja, os dados contidos nos documentos técnicos, no projeto inicial e no orçamento estão sendo analisados e equiparados. O objetivo, segundo ele, é verificar se o mesmo escrito está nos três documentos e se as obras previstas cabem nos R$ 33,7 milhões.


Entorno do Mercado Municipal. Foto: Evandro Seixas

Além da CEF, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também fez análises cada detalhe dos projetos, e emitiu pelo menos seis pareceres com alterações. Cada mudança passava novamente pela revisão da Prefeitura de Manaus e voltava para o Iphan, processo burocrático que atrasou o andamento das obras, mas necessário.

Segundo o Ruiz, o Iphan atualmente faz a análise técnica do projeto básico das obras da Biblioteca Municipal, do Pavilhão Universal, da antiga Câmara de Vereadores, da antiga sede do Corpo de Bombeiros e do Hotel Cassina. Já a Caixa analisa os projetos da obras na Praça D. Pedro II, Praça Terneiro Aranha, Praça XV de Novembro (Matriz), Praça Adalberto Vale e do entorno do Mercado Municipal.

Na Prefeitura de Manaus, além do engenheiro coordenador do PAC das Cidades, dez pessoas compõem a equipe responsável pelas obras, entre arquitetos, engenheiros civis, arqueólogos, orçamentistas e restaurador, além de mais dez colaboradores vindos de outras secretarias municipais que ajudam a viabilizar os projetos.

Licitação

Após a aprovação dos projetos pela CEF e pelo Iphan, os R$ 33,7 milhões serão liberados e então a Prefeitura de Manaus abrirá um processo licitatório para escolher a empresa de engenharia de restauro que ficará responsável pelas obras. Somente depois da licitação é que as atividades poderão começar, mas ainda não há nenhum prazo para qualquer uma dessas fases.


Praça da Matriz. Foto: Euzivaldo Queiroz

Praça da Matriz

A Praça XV de Novembro (Matriz), no Centro, já começou a ser reformada com recursos da Prefeitura de Manaus, mas a passos lentos. Quem passa pelo local percebe tapumes ao redor da praça, mas pouca coisa sendo feita. A reforma do prédio da Igreja da Matriz também já começou, mas por conta do Governo do Estado e da Arquidiocese, sem recursos do PAC.

Mercado Adopho Lisboa

Entre as obras do PAC está a recuperação das ruas do entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa. O prédio do mercado em si já foi reformado e inaugurado ano passado, após sete anos de obras demoradas. A reforma do “Mercadão” contou com recursos federais, da própria prefeitura e de um banco internacional.

CONFIRA A GALERIA DE IMAGENS

Praça XV de Novembro (Matriz): recuperação das áreas pavimentadas com adaptação de passeios para deficientes físicos, requalificação do canteiro central, paisagismo, iluminação, sinalização, mobiliário urbano e drenagem do entorno da praça e restauração do Relógio Municipal. Localização: avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, em frente à Alfândega.

Praça Tenreiro Aranha: reforma e revitalização, adequando a praça às normas de acessibilidade, instalação de novo sistema de iluminação pública, sinalização, mobiliário urbano e paisagismo. Localização: originalmente na Travessa Vivaldo Lima

Praça Adalberto Vale: adequação da praça que atualmente é conhecida como Praça Tenreiro Aranha. Obras de acessibilidade, instalação de novo sistema de iluminação pública, sinalização e paisagismo. Localização: entre as ruas Teodoreto Souto e Floriano Peixoto.

Pavilhão Universal: desmontagem e reforma do monumento localizado na praça que é conhecida como Tenreiro Aranha, e posterior implantação dele na futura Praça Adalberto Vale, com a restauração das estruturas metálicas e demais elementos arquitetônicos históricos.

Praça Dom Pedro II: restaurações de elementos faltantes do chafariz e o coreto da praça, drenagem, irrigação, pavimentação, sinalização, mobiliário urbano e paisagismo. Localização: avenida Sete de Setembro com rua Luiz Antony.

Antigo Hotel Cassina: restauração e revitalização da fachada e da edificação, reconstrução de pisos, escadas, instalações e cobertura, para no local ser construído um Centro de Arte Popular. Localização: rua Luiz Antony.

Biblioteca Municipal: restauração das fachadas da edificação, reforma dos espaços internos, instalações e cobertura. Localização: rua Monsenhor Coutinho

Entorno do Mercado Municipal: proporcionar a recuperação das áreas pavimentadas com adaptação e acessibilidade nas calçadas, iluminação pública, sinalização, mobiliário urbano e paisagismo. Localização: rua dos Barés, rua Barão de São Domingos, rua Miranda Leão, avenida Manaus Moderna (orla) e Praça do Mercado.

Antiga Câmara Municipal: restauração das fachadas da edificação e das esquadrias de madeira, reforma dos espaços internos, instalações e cobertura e restauração do Mosaico no Hall de entrada do prédio. Localização: avenida Sete de Setembro.

Antiga sede do Corpo de Bombeiros: revitalização do antigo prédio, restauração da fachada da edificação, reforma dos espaços internos, instalações e cobertura. Localização: avenida Sete de Setembro.

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