Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
LAÇOS

Redes sociais aproximam pessoas que vivem longe da família; conheça histórias

Português encontrou parte da família nas redes sociais fora do próprio país de origem. Dois jornalistas também contaram como matam a saudade dos familiares apesar da distância



04/02/2018 às 11:36

O homem e a tecnologia nunca estiveram tão conectados. Com o acesso à internet e às redes sociais, o português Antônio Joaquim Moreira Fernandes, 58, conseguiu encontrar parte da família no Facebook fora de Portugal. Em pouco tempo, ele também descobriu que os genes dos “Moreira” estavam espalhados pelo Brasil, inclusive, pela Amazônia.

Ele explicou que há 98 anos, o tio-avô dele, Manoel da Silva Moreira, deixou os seis irmãos na vila de Prado, um distrito da cidade Braga, em Portugal, e ainda adolescente, viajou sozinho em um navio para o Brasil,  até anos depois chegar ao Amazonas. Aqui ele constituiu família e nunca mais voltou para a Europa.

“Nos anos 70, um dos filhos do meu tio veio até Portugal e encontrou parte da família e eles começaram a trocar cartas e postais. Um primo meu veio,  em 1990, para um mundial da Espanha e depois disso perdemos o contato”,  disse. 

Graças a tecnologia, em março de 2013, o primo João Jaques Rodrigues Moreira, que mora em Belém, no Pará, foi o primeiro a ser encontrado durante as pesquisas de Antônio pela internet. Depois do reencontro, o contato foi retomado com outros familiares de Manaus e Brasília, entre eles Simone Moreira de Souza Borges, 58.

Segundo Antônio, a prima foi a principal propulsora para o reencontro da família. Ela contou que parte dos parentes viajou de Manaus  a Portugal para uma  visita, em 2014.  “Eu me surpreendi, pois todos são parecidos, tanto na aparência quanto pelo estilo de vida. É claro que alguns costumes são diferentes, como a culinária e o dialeto, mas tudo foi emocionante e fascinante”,  afirmou Simone.

Para se comunicar, a família criou um grupo no WhatsApp e outro do Facebook que já possui 474 membro, sendo 130 parentes diretos. “É uma experiência fantástica. Manaus é uma cidade que pulsa um ‘cadinho’ de Portugal. Minha família se uniu por conta da internet e apesar da tecnologia, nada se compara a um reencontro de verdade. Eu vou continuar mantendo o contato. Enquanto eu não consigo voltar, a família conversa pelo Facetime mesmo”, brincou ele, que em 2015 também visitou a capital amazonense com um grupo de portugueses.

Saudade de casa

Alguma vez na vida você já deu um beijo na tela do seu smartphone apenas como gesto de carinho enquanto conversa durante uma videochamada?  No caso da jornalista Camila Baranda, 26, que mora em Windsor, na Inglaterra, desde 2015, videochamada é um dos poucos recursos que ela tem para ver a família. Ela explicou que todo o domingo liga para os pais, por vídeo.

“Eu sempre tive uma relação muito próxima com os meus pais e eles sempre foram participativos na minha vida. Eu converso com a minha mãe por vídeo até para escolher roupa. Parece que ela está do meu lado”, afirmou. 

A jornalista iniciou um projeto no Youtube que mostra um pouco a vida da amazonense no meio da Inglaterra. O canal “Que isso Mundo” também mostra a relação de Camila com a família e o marido.

Questionada sobre a distância e se o modo “online” mata a saudade de casa, ela respondeu:  “Nunca vai matar. Mas eu penso muito pelo lado positivo. Mudar para outro país foi uma decisão minha e, por isso,  tenho que arcar com as coisas ruins. Ninguém gosta da distância, mas eu fico mais tranquila ao saber que posso ter esse contato eles pelas redes sociais”, explicou.

Camila conheceu o marido, o  designer Alan Hardy, 38, em 2012, enquanto ela fazia a cobertura dos Jogos Olímpicos , em Londres. Dois anos após se conhecerem, o casal resolveu morar na Inglaterra.

Tchau, São Paulo!

O caso do jornalista Felipe Menossi Gramanjo, 26, é parecido com o de Camila Baranda. Nesse caso, o jovem decidiu deixar a capital paulista em março do ano passado para fazer o mestrado em Manaus, depois que conheceu a namorada pela internet. “Minha mãe ficou um pouco assustada, mas agora ela está tranquila. Já o meu pai, que é argentino aventureiro e fez a mesma coisa pela minha mãe, aceitou tranquilamente a mudança”, disse.

Para ele, a saudade é acalentada pela tela do celular, durante as videochamadas. “Converso com meus pais toda a semana. Não é a mesma coisa, mas já me deixa um pouco mais feliz. Eu acredito que, assim como a tecnologia, a cada segundo, novos acontecimentos transformam o modo de pensar do ser humano”, concluiu ele.

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