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Referência na região em doenças de sangue, Fundação Hemoam tem déficit de leitos em Manaus

Número de vagas atende apenas 3% dos pacientes em tratamento. Para suprir esse problema, a fundação iniciou há três meses a construção de um hospital que deve ser concluído em dois anos 21/10/2014 às 08:20
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A Fundação Hemoam atende mais de mil pacientes, mas conta com apenas 35 leitos
Rosiene Carvalho Manaus-AM

Com 1.080 pacientes em tratamento de leucemia, linfoma, hemofilia e anemia hereditária, a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) conta hoje com apenas 35 leitos, sem Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Para suprir esse problema e outras necessidades básicas no tratamento que podem colocar em risco a vida dos pacientes, a fundação iniciou há três meses a construção de um hospital. Mas a previsão de conclusão da obra é de quase dois anos.

Além disso, a fundação referência em doenças no sangue não tem orçamento para mobiliar e equipar o novo hospital. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), mostram que, no Estado, só a leucemia deve apresentar 110 novos casos em 2014. O Inca também prevê o crescimento em 110 novos casos de linfoma no Amazonas.

O presidente da Hemoam, o médico Nelson Fraiji, recém reeleito para uma nova gestão de quatro anos, afirma que, na prática, a fundação, que não tem um orçamento fixo, apresenta uma demanda crescente de atendimento com tendência de aumentar, especialmente por causa do novo hospital. Para minimizar os problemas financeiros e melhorar a gestão dos serviços oferecidos pela fundação, uma das medidas adotadas foi tornar a Hemoam a única unidade pública que pede ressarcimento ao setor privado pelos serviços prestados.

“Nesses quatro anos tivemos momentos em que o orçamento foi suficiente e momentos em que o orçamento foi insuficiente (...) Somos a única instituição pública que busca ressarcimento financeiro pelo atendimento que faz ao privado, que é o plano de saúde. Desde o início entendíamos que a eficiência de gestão institucional tinha que arrecadar recursos para minimizar o impacto no orçamento público. Isso tudo é revertido para melhoramento da instituição”, declarou o doutor em hemoterapia.

Nelson Fraiji afirmou que de 20% a 30% das despesas de custeio (serviços de manutenção e compra de insumos) da Hemoam são pagas com o ressarcimento dos serviços prestados a pacientes de origem da rede privada de saúde. No ano passado, esse tipo de serviço representou uma despesa de R$ 29 milhões.

Orçamento

Fraiji afirmou que o orçamento mensal da Hemoam é sempre uma incógnita. “Todo recurso da saúde hoje vai para o fundo estadual da saúde. O secretário (de Saúde, Wilson Alecrim) é quem define a mensalidade de custeio para a instituição. Isso dá uma média de R$ 200 a R$ 300 mil de custeio, fora o pagamento de pessoal e o pagamento de contratos”, declarou o presidente.

Ele afirmou que, no geral, o orçamento e a verba administrada pela Hemoam tem se ajustado a necessidade das despesas. “Às vezes, temporariamente, há ausência de orçamento para dar curso em tempo justo à compra de insumos. Mas, de modo geral, posso dizer que o orçamento tem se ajustado às nossas necessidades. Mas aqui não temos problemas como denúncias de outras unidades, porque somos nós quem compramos nossos medicamentos e insumos. Fazemos programação. Vez ou outra pode ocorrer de uma eventualidade aumentar a demanda e não conseguirmos prevê. Mas não é algo que ocorra sempre”, declarou Fraiji.

Avaliação positiva de usuários

Com uma média de duas mil consultas por mês na área de assistência e um déficit de mais de 20 médicos especialistas em hemoterapia, a Hemoam consegue chegar a um índice de 90% de resultados “Bom” e “Ótimo” entre os pacientes atendidos na instituição. A fundação tem 294 funcionários. De acordo com o presidente da Fundação, Nelson Fraiji, há uma média de 60% de cura dos pacientes de leucemia da unidade.

“Temos pouca gente para um volume importante e crescente de atendimentos. A demanda é maior que a nossa capacidade instalação, faltam médicos hematologistas. Mas você não vê ninguém dizer que não foi atendido no Hemoam”, declarou.

Fraiji afirmou que ele e outros médicos que fazem parte da direção da Hemoam atendem duas, três vezes por semana por até seis horas por dia. Ele afirmou que a média de espera de um paciente que procura o Hemoam é de três dias e os que vêm da triagem do Estado é de cinco dias. “Quando o caso é grave, o paciente é atendido mais rápido. Cabe ao Hemoam não errar no diagnóstico. Todas as doenças malignas têm potencial de tornar impossível a cura quando você deixa o tempo correr”, disse.

Déficit maior com ampliação

O déficit de médicos hematologistas, que hoje é de mais de 20 na Hemoam, deve ampliar em dois anos, quando o hospital for inaugurado. Nelson Fraiji afirmou que, em média, se leva até dez anos para formar um hematologista e são raros os estudantes que se interessam pela área.

Uma das razões, para o presidente da Hemoam, é a pressão que o mercado exerce nos profissionais recém-formados, a baixa remuneração oferecida aos hematologistas quando comparada a outras especialidades e a dedicação que esse tipo de medicina exige.

“A pessoas que escolhe a hematologia tem que ter uma convicção muito forte para a sua formação e o seu futuro. Após concluir a faculdade, precisa de dois anos de clínica médica, depois dois anos com dificuldade na residência que paga uma bolsa de R$ 2 mil e tem muita cobrança, porque cobramos muito para formar bons profissionais. Depois forma e ganha um salário de R$ 4,2 mil para um trabalho de 60 horas por semana”, declarou.

Fraiji informou que a Hemoam oferece duas vagas por ano para a residência. Esse ano, há cinco candidatos. “O que é algo inédito porque, no máximo, aparecem duas pessoas”.

Ele informou que a fundação, em parceria com o Cetam, já começou a fomentar a capacitação de mão de obra para as vagas que devem surgir quando o hospital for inaugurado na área administrativa. “Uma unidade dessa precisa trabalhar com pessoas capacitadas e isso estamos trabalhando com antecedência”, disse.

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