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Manaus
EM OBRA

Reforma demorada afasta os usuários do CSU do Parque 10, na Zona Centro-Sul de Manaus

Com equipamentos quebrados, rede elétrica com problemas e tomado por mato, local é o retrato do descaso 21/02/2017 às 05:00
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Ponta de madeira exposta no escorregador é ameaça para crianças. Foto: Winnetou Almeida
Isabelle Valois Manaus

Em janeiro, a Prefeitura de Manaus anunciou que a reforma do Centro Social Urbano (CSU) do Parque 10 de Novembro, na Zona Centro-Sul, entrava na segunda fase do processo, com previsão de conclusão no final de março. Mas quem vive nas proximidades ou frequenta o local diariamente acha difícil esse prazo ser cumprido, uma vez que, segundo eles, os trabalhos  aparentam estar em “ritmo lento”, com pouca movimentação de operários, enquanto o canteiro de obras aparenta abandono.

Quem relata isso é a dona de casa Maria Adelaide de Souza, 70, que há mais de 40 anos vive nas proximidades do CSU. De acordo com a frequentadora do local, na primeira etapa da reforma, a única coisa que ela viu acontecer foi a pintura de algumas partes do centro. “No início do ano cheguei a ver um homem ou outro colocando um cimento, dando uma pintada na quadra, mas nada mais do que isso”, reforçou.

Maria contou que, por causa dos buracos que há na pista de corrida e caminhada, e da falta de iluminação noturna, ela levou uma queda quando caminhava. Após o acidente, recebeu ordens médica de suspender qualquer tipo de atividade no local. “Era a minha diversão poder caminhar nesta pista, mas como o local não tem manutenção, sofri esse acidente, e na minha idade é mais delicado. Hoje fico triste quando passo por aqui e não posso fazer minha caminhada, sem falar na aparência do CSU, que ficou abandonado e perigoso”, comentou.

A filha de Maria Adelaide, a enfermeira Carmen de Souza, 36, também lamenta ao ver o CSU com áreas cobertas pelo mato e falta de manutenção. “As quadras estão totalmente abandonadas e o CSU tem sido coberto pelo matagal. Aqui, à noite, é perfeito para criminalidade. Nem podemos mais andar pelo CSU nesses horários, pois além de haver muitos assaltos o parque virou lugar de encontro para usuários de drogas”, disse.

Conforme Carmen, apesar da presença de uma unidade policial dentro do CSU, dificilmente ela vê um guarda metropolitano no centro. “E, quando há, eles ficam ‘entocados’ nas salas e não realizam a patrulha como deveria ser”, criticou.

Problemas elétricos
Todos os finais de semana, o professor Ronaldo Rodrigues dos Santos, 45, vai ao CSU para jogar vôlei com os amigos. Ele relatou que, nos últimos dias, os frequentadores têm ficado preocupados com a instalação elétrica do local. É que, na última sexta-feira, os refletores da quadra de vôlei começaram a soltar algumas faíscas. “Por isso que neste final de semana decidimos vir jogar vôlei durante o dia, pois ficamos assustados e preocupados. Do jeito que os fios dos refletores estão soltando faíscas, se não forem trocados ou reparados, pode haver um acidente. Enquanto isso decidimos evitar usar o local quando os refletores estiverem ligados”, detalhou.

Outra reclamação de Ronaldo diz respeito à arborização. “Esse parque precisa ganhar mais árvores para que tenhamos mais sombras nos dias de sol”.

Obras não estão paradas, diz Seminf
A prefeitura de Manaus informou que as obras do Centro Social Urbano (CSU) do Parque Dez não estão paradas.  Segundo a pasta, os trabalhadores estão atuando em alguma área que “talvez não seja tão perceptível ao público”, como dependências internas.

Segundo a prefeitura, “nesta etapa atual, está sendo providenciada a instalação de um novo piso de ladrilho hidráulico antiderrapante no entorno da área da piscina, além da recuperação de toda parte estrutural de vestiários e sala de administração. Além disto, na área da piscina, estão sendo realizadas reformas nos chuveiros externos e banheiros e sala de administração. O trabalho no entorno da piscina deve ser concluído em duas semanas”, informou por nota.

De acordo com a prefeitura, há ainda a construção de um novo salão de 210 metros quadrados para aulas de dança e atividades físicas, a ser concluído nos primeiros dias de março. “O antigo salão de convivência do espaço também está recebendo manutenção, com a troca de telhado, pintura e recuperação dos banheiros, que receberão agora rampas de acessibilidade”.

Sobre o mato, que avançou sobre as quadras e campos de areia, a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) informou que realizou na última semana a limpeza do complexo. Conforme a prefeitura, a ação no local envolveu 45 profissionais que, além de cuidarem da manutenção do centro social, atuam na implantação de um novo jardim no Conjunto Castelo Branco, no mesmo bairro.

Homenagem a presidente militar
No ano de 1977, atendendo ao pedido da comunidade,  o então prefeito Jorge Teixeira deu início à construção do Centro Social Urbano (CSU), com recursos do Plano Nacional de Centros Sociais Urbanos (PNCSU). O CSU seguiu o mesmo protocolo de homenagens do período e recebeu o nome do primeiro presidente do regime militar, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, e foi inaugurado em 25 de julho de 1977.

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