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Reforma do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes ainda não foi concluída

Confira a primeira reportagem da série 'Bem Vindo?', que mostra a primeira imagem que Manaus passa para quem chega à cidade pelo Aeroporto Internacional, que foi prometido como um do ‘legados’ da Copa de 2014, mas continua com a reforma inacabada 20/06/2015 às 10:18
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A reforma e a ampliação do terminal de embarque e desembarque deveriam ter sido concluídas em 2013, mas sofreram atrasos no cronograma e, ainda hoje, passageiros convivem com as obras
Luana Carvalho Manaus (AM)

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) afirma que as obras do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes foram concluídas em janeiro deste ano. Mas não é bem isso que se vê. As obras estão inacabadas e passageiros reclamam, principalmente, da falta de variedade de lanchonetes e restaurantes, importante para quem precisa passar algumas horas entre um voo e outro ou pernoitar no local.

Ainda há homens trabalhando na obra, que deveria ter sido entregue, primeiramente, em dezembro de 2013, conforme foi previsto no início da construção. Depois foi adiado para abril de 2014, dois meses antes da Copa do Mundo. No entanto, seis meses após o mundial e a um ano das Olimpíadas de 2016, o que se vê ainda são espaços vazios, sem praça de alimentação e sem lojas dignas de um aeroporto internacional.

Sair da área de embarque e se deparar com um guindaste no meio do salão é algo comum, além da falta de luminosidade, que incomoda passageiros. Do lado de fora, tapumes ainda cobrem o resto das obras não concluídas e as faixas de pedestres foram pintadas na semana passada. Também há muito entulho na parte externa.

“Acho um transtorno grande. Eles tiveram tanto tempo para fazer isso, tanto dinheiro, e ainda não terminaram. O aeroporto pode até estar bonito, mas ainda falta muita coisa”, opinou a comerciante Rosa Maria de Oliveira, de 47 anos.

Algumas partes do teto do aeroporto estão sem forros e divididas com PVC, como toda a lateral esquerda de quem entra no terminal de embarque. “É muito feio, pois fica tudo fora dos padrões. Por mais que o projeto esteja bonito, a gente chega aqui e vê um aeroporto inacabado. No mês passado vim deixar meu filho e haviam goteiras”, reclamou o aposentado Roberto Farias, 69.

Até o mês passado, o embarque e desembarque ainda estavam sendo feitos por um mesmo saguão. O ‘AquaTerrário’, que estava previsto para ser implantado no subsolo, de acordo com o projeto original do empreendimento, por enquanto serve apenas para acumular água parada. Ainda não existe nem sinal de peixes e quelônios amazônicos, conforme foi anunciado pela Infraero.

O terraço panorâmico também decepciona quem estava acostumado com a vista do antigo aeroporto. “Soube que o terraço estava liberado e vim logo conhecer. Sou apaixonado por aviões, antigamente eu vinha e passava horas observando com meus filhos e netos. Mas fiquei decepcionado. Entendo que eles prezam pela segurança, mas se era pra ser assim, melhor nem terem feito”, lamentou o motorista Jorge Barros, 64.

Terminal é o terceiro pior do País, diz pesquisa

Dá pra contar nos dedos a quantidade de lojas e quiosques existentes no terminal de passageiros do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. No térreo, até agora, apenas seis lojas e sete quiosques, entre lanchonetes e outras de artigos para presentes, estão instaladas. O segundo piso, que deveria estar com a praça de alimentação em funcionamento, está vazio.

‘Sem Free Shop’

Os passageiros em viagens internacionais têm direito a cotas de compras isentas de impostos nas Free Shops, onde produtos são isentos de impostos normalmente cobrados pelo país de origem.

Nos aeroportos internacionais do Brasil, a empresa responsável pelas Free Shops é a Duty Free. A equipe de A CRÍTICA ligou para o setor comercial da Infraero em Manaus, que informou que a área de embarque e desembarque internacional ainda não possui franquia da loja: mais um motivo para reclamações de usuários.

Seis meses depois da Copa do Mundo, as obras ainda não foram concluídas

Atrasos sem explicações

A reforma, modernização e ampliação do terminal de passageiro e adequação do sistema viário do aeroporto de Manaus fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. No site do programa, consta que o empreendimento ainda está em estágio de obras. Iniciada em 2011, o valor previsto para a reforma seria de R$ 447 milhões, se concluída até 2014.

O projeto foi idealizado para a Copa do Mundo, com reforma da área de desembarque internacional e doméstico, sala de desembarque remoto, além do saguão público, estacionamento e praça de alimentação. Também estavam previstos 133 lojas, 16 elevadores sociais, seis elevadores de serviço, 13 escadas rolantes, oito pontes de embarque, aquaterrários e 87 balcões de check-in.

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que gerencia os recursos do PAC, foi procurado por A CRÍTICA para se manifestar sobre o atual estágio da obra, bem como se o empreendimento havia sido cumprido conforme consta no projeto, mas informou que a própria Infraero acompanha as obras em aeroportos “sob responsabilidade deles”.

O superintendente da Infraero em Manaus, Rubem Ferreira, foi procurado para comentar o atraso e as obras, mas informou que atualmente está gerenciando o setor de suporte. “Toda informação em relação a empreendimentos deve partir da superintendência de Brasília”, disse.

A Infraero, no entanto, não respondeu aos questionamentos sobre a conclusão do projeto e também não se manifestou sobre os motivos dos atrasos. Limitou-se a dizer que “a totalidade dos trabalhos foi entregue em janeiro de 2015” e que o valor do contrato é de R$ 417.060.779,06, “tendo sido 100% executado”.

Inicialmente, as obras seriam entregues em dezembro de 2013. Depois, o prazo foi adiado para abril de 2014, dois meses antes da Copa do Mundo. Mas após seis meses do mundial e a um ano das Olimpíadas, o que se vê ainda são espaços vazios.

No subsolo, duas agências de turismo e quatro locadoras de carros, além de poucos caixas eletrônicos, ocupam o espaço. Não foi à toa que o aeroporto de Manaus empatou com o da cidade de Salvador, com nota 3,78, como o terceiro pior aeroporto do Brasil, segundo pesquisa de satisfação de passageiros divulgada pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) em janeiro deste ano.

O valor dos produtos comerciais, a quantidade e variedade de lanchonetes e restaurantes, disponibilidade de internet wi-fi e caixas eletrônicos foram os quesitos que obtiveram as piores avaliações dos passageiros que passaram por Manaus, além, é claro, da oferta precária de transporte público.

Turismo ainda não sofre crise

O número de pessoas que embarcaram e desembarcaram em Manaus vem sofrendo um aumento nos último cinco anos, exceto no último mês contabilizado pela Infraero - abril de 2015 - quando 230.646 mil pessoas viajaram, quase 10 mil a menos que no mesmo mês do ano passado.

Em compensação, os voos internacionais em abril deste ano superaram os do mesmo mês de 2014, quando 15,693 pessoas embarcaram para destinos internacionais. Este ano, foram quase 200 passageiros a mais que viajaram.

A crise, por enquanto, se refletiu nos atrasos da obra do aeroporto, parece não ter afetado o turismo. De 2013 para 2014, houve um aumento de 7,5% de amazonenses viajando para destinos internacionais e domésticos. De 2011 para 2012 o crescimento foi um pouco menor, 2,34%.

A procura por destinos internacionais tem crescido mais que os nacionais e ganhado a preferência dos amazonenses. De 2011 para 2012, o aumento foi de 9,2%, enquando o de voos domésticos foi de 1,7%. De 2013 para 2014, os embarques internacionais tiveram um aumento de 12,8%, enquanto os nacionais cresceram 7,3%. Entre os destinos mais procurados nos útimos cinco anos está Miami. No Brasil, são cidades litorâneas como Fortaleza, Recife e Natal.

Crise não afetou férias dos amazonenses, que estão viajando mais a cada ano.

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