Sábado, 16 de Outubro de 2021
LONGE DO LAR

Refúgio educacional: rede pública de ensino do AM comporta mais de 8 mil alunos estrangeiros

Vindos de países como Venezuela, Haiti, Colômbia, Peru, entre outros, cada aluno tem uma história única de vida. Acolhimento, a inclusão, além do estímulo à socialização são peças fundamentais para garantir o aprendizado deles



EDU_GM04_F17E9A16-7ACA-4F77-B9EE-87B3C787FBB9.JPG Com apenas 6 anos, a pequena Stephanie Iselaine, natural do Haiti, é a aluna intérprete da sua sala de aula. Foto: Gilson Mello
26/09/2021 às 06:18

Mais de oito mil alunos de diferentes nacionalidades estão matriculados, hoje, nas escolas públicas do Amazonas. Grande parte desses estudantes estrangeiros são da Venezuela, Haiti, Colômbia, Peru, Bolívia e demais países como Japão, Cuba, Líbia, Espanha, entre outros. 

Cada um possui uma história única de vida e, por isso, o acolhimento, a inclusão, além do estímulo à socialização são peças fundamentais para garantir o aprendizado deles. Uma dessas unidades de ensino que possui alunos estrangeiros matriculados é a Escola Municipal Professor Waldir Garcia, localizada na rua Pico das Águas, bairro São Geraldo, zona Sul da capital, que conta com 225 estudantes de outros países. 



Para a professora do Ensino Fundamental, Mirian Martins, o acolhimento é a ferramenta mais importante na hora da aprendizagem. “Esse relacionamento de afeto é primordial. Nós tínhamos uma criança do Haiti que não interagia durante as aulas pelo Google Meet. Nós não sabíamos, mas ela não entendia nada de português e foi aí que nós trabalhamos a socialização dela. Quando ela se aproximou de outras crianças do próprio país, ela se sentiu mais segura. Ou seja, quebrou essa distância”. 

A pequena Stephanie Iselaine, 6 anos, natural do Haiti, fala muito bem português. Ela é a aluna intérprete do 1º ano do Ensino Fundamental da Escola e auxilia tanto os professores quanto os colegas de classe a se comunicarem em sala de aula.


Foto: Gilson Mello

“Quando uma pessoa não entende, a professora me chama e me pede para eu traduzir para o meu coleguinha”, contou à reportagem.

Mirian Martins é profissional da educação há mais de 20 anos e há três atua com os alunos estrangeiros. Para a carreira de educadora, ela explica que precisou se reinventar e exemplo disso, foi a busca por aprender novos idiomas como o espanhol. 

“Quando eu cheguei, eu senti essa necessidade de aprender um segundo idioma, eu comecei pesquisar a cultura deles também. São diferentes histórias, nós temos alunos que tiveram muitas perdas na família. Então, eu tive que conhecer, entender o meu aluno para me tornar uma professora mais humana”.


Foto: Gilson Mello

Assim como a Escola Municipal Professor Waldir Garcia, outras unidades da rede pública recebem alunos vindos de outros países. Segundo um levantamento da Secretaria Municipal de Educação (Semed), há 5.388 alunos estrangeiros matriculados, hoje, na rede municipal de ensino de Manaus. Deste total, 5.093 são venezuelanos, 143 haitianos e 46 colombianos.

A Semed conta ainda com estudantes alemães, africanos, bolivianos, mexicanos, japoneses, entre outros. Para auxiliar os professores, o órgão afirma que oferece cursos gratuitos de inglês e espanhol aos docentes, por meio do Programa Ampliando Horizonte (PAH), para facilitar a comunicação com os alunos de outros países. 

Já a Secretaria de Estado de Educação e Desporto afirma que, em 2021, matriculou 3.883 alunos estrangeiros na rede pública estadual.  Desse total, 3.371 são da Venezuela, 212 do Haiti, 110 do Peru, 92 da Colômbia e 23 são da Bolívia. Os demais são de países como Japão, Cuba, Líbia, Espanha, dentre outros. Todos estão com matrículas ativas.

A Secretaria de Educação destacou também que atua sob a Instrução Normativa Nº001/2019, que estabelece que todos os imigrantes, residentes fronteiriços, apátridas e/ou refugiados poderão ter a sua matrícula efetivada, desde que haja vagas na unidade escolar solicitada, inclusive com orientação sobre emissão de documentação de identificação e comprovação de nível escolar.

Os alunos que já tenham frequentado a escola em seu país de origem e não tenham a comprovação de ensino passam por avaliações para fim de equivalência, para que possam ser alocados na série correspondente.

Ainda de acordo com a Seduc, uma vez na escola e convivendo com colegas e professores brasileiros, os estudantes de outras nacionalidades conseguem, com a rotina diária, adaptarem-se ao idioma e à cultura. 

“A Secretaria de Educação reforça que estimula os mais diversos tipos de inclusão, a fim de promover o respeito e o desenvolvimento de cada estudante”, finalizou o órgão, em nota.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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