Domingo, 19 de Maio de 2019
Manaus

Registros apontam que fenômeno que costumava acontecer uma vez na década, passou a ser anual

A cheia invade as ruas e provoca transtornos a pedestres e prejuízo a comerciantes, que além de adaptar seus comércios para não perderem mercadoria nem clientes, ainda precisam conviver com os ratos, baratas e o mau cheiro



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Durante a cheia de 1953, que até o ano de 2012 era a maior da história das medições, o Centro também ficou debaixo d’água.
08/07/2015 às 20:57

As “grandes cheias” - como são chamadas quando a cota do rio Negro, em Manaus, ultrapassa a marca de 29 metros - estão ocorrendo a uma frequência cada vez maior: nos últimos quatro anos, todas foram acima dessa marca. E, de acordo com especialistas, isso deve transformar os transtornos provocados pela cheia, como entupimento de bueiros e alagação de ruas, em problemas rotineiros e anuais.

O fenômeno, que até a década de 1970 ocorria em intervalos que variavam de 13 a 31 anos, tiveram a frequência reduzida nas décadas seguintes até se repetir anualmente no período de 2012 a 2015, como jamais havia sido registrado desde o início das medições do nível do rio, em 1909.

Para se ter uma ideia, entre 1909 e 1971 o Negro só registrou quatro grandes cheias. O mesmo aconteceu nas duas décadas entre 1989 e 2009. Mas de 2012 para cá o nível do rio vem superando a marca de 29 metros, com cota máxima de 29,97 em 2012, 29,33 em 2013, 29,50 em 2014 e o pico de 29,66 este ano, registrado dia 29 de junho.

A cheia invade as ruas e provoca transtornos a pedestres e prejuízo a comerciantes, que além de adaptar seus comércios para não perderem mercadoria nem clientes, ainda precisam conviver com os ratos, baratas e o mau cheiro. 

“Há três anos que preciso, neste período do ano, trabalhar nesta situação. É necessário buscar outros meios para conseguir tirar o sustento da família”.

Sem previsão de qualquer intervenção que possa solucionar o problema e evitar que as galerias subterrâneas transbordem no período da cheia, o diretor de Regulação e Meio Ambiente da Manaus Ambiental, Arlindo Sales, alerta: os moradores e comerciantes  devem se acostumar com os transtornos.

“Os antigos governantes não se preocupavam com o planejamento urbano do centro histórico. A grande cheia era esperada de 100 em 100 anos, mas o planejamento urbano nunca se preocupou com o fenômeno e, com as mudanças climáticas, estamos expostos a conviver com a cheia todos os anos”, explicou.

Para Sales, em termo de engenharia seria complexo tentar realizar qualquer obra para evitar que o centro histórico ficasse alagado durante a cheia. Uma das alternativas já estudadas para conter a inundação nas ruas do Centro, segundo Sales, é a construção de um complexo para comportar a água do rio, evitando que ela chegasse às galerias subterrâneas.

No entanto, o risco, nesse caso, seria de um transbordamento durante a chuva, o que causaria transtornos ainda maiores.

“Não há muito que fazer, a princípio deve-se continuar com as ações que são realizadas todos os anos, quando é jogado cal na água para diminuir o PH (potencial hidrogeniônico)”, disse.

Secular

O problema de alagação nas ruas do Centro Histórico de Manaus data desde o século passado. Registros fotográficos da cheia do Rio Negro em 1953, a segunda maior da história, mostram moradores circulando em canoas pelas avenidas Floriano Peixoto e no final da Eduardo Ribeiro, a exemplo do que aconteceu durante a cheia recorde de 2012, quando o nível do rio chegou a 29,97 metros.



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