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Reintegração de ocupações irregulares é realizada na avenida Torquato Tapajós, em Manaus

Aproximadamente 300 famílias que ocupavam terreno de uma empresa foram retiradas nesta terça-feira (4) do local, em ação de reintegração, na Zona Norte 05/11/2014 às 11:26
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Reforço policial garantiu o cumprimento da reintegração e a retirada das famílias, que não resistiram e saíram pacificamente
Jéssica Vasconcelos Manaus-AM

O terreno invadido há uma semana por aproximadamente 300 famílias, localizado na avenida Torquato Tapajós, ao lado da empresa Pioner, próximo à entrada do bairro Novo Israel, Zona Norte, foi reintegrado durante a manhã de ontem, depois de uma longa negociação.

De acordo com o empresário José Porfírio Chagas Saldanha, um dos sócios da empresa proprietária do terreno, no local será construída uma fábrica de componentes e, portanto, o terreno não estava abandonado, como afirmavam os invasores.

Ainda de acordo com o proprietário do terreno, os invasores não conseguiram se instalar definitivamente porque os seguranças continuaram fazendo a vigilância do lugar. “Os barracos foram retirados e, hoje, as casas que ainda estão no terreno serão retiradas”, explicou Porfírio, durante a retirada.

Os invasores informaram que o terreno esteve abandonado durante anos e era usado por marginais para praticar assaltos e estupros. Segundo o autônomo Pedro Souza*, as famílias que invadiram o terreno moravam de aluguel e decidiram se instalar no local para que diminuíssem, também, os crimes na área. “Esse terreno só serve para abrigo de marginais, nós deixamos tudo limpo e agora os donos aparecem”, disse o Pedro.

Pedro ainda declarou que a invasão só aconteceu porque o terreno não era murado e ninguém apareceu como proprietário. “Aqui ninguém é bandido e se tivesse cercado ninguém tinha invadido”, disse o invasor.

Depois de acionar reforço policial, o oficial de Justiça solicitou a retirada dos invasores, que não entraram em confronto e saíram de forma pacífica.

Um dos invasores que mora há mais tempo no local pediu ao proprietário que desse um prazo maior para sair da área. O pedido foi aceito por José Porfírio, que estabeleceu que, no prazo de oito dias, o invasor deve estar fora do terreno.

Conflito

Na segunda-feira, os invasores entraram em confronto com os vigilantes do terreno invadido. De acordo com o aposentado João Machado dos Santos, 64, enquanto juntava latinhas no terreno para complementar a renda, os seguranças o agrediram e a polícia precisou ser acionada para controlar a confusão.

De acordo com o empresário, parte dos ocupantes apedrejou o alojamento de vigilância montado para a segurança do terreno.

Invasão agora é de ‘indígenas’

A invasão iniciada há duas semanas no bairro de São Etelvina, Zona Norte, ao lado do parqueamento do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) segue crescendo sem que haja nenhum controle. No local, onde aproximadamente 100 famílias estavam instaladas, é possível verificar um aumento considerável no número de barracos que, segundo a placa colocada recentemente pelos invasores, se tornou um assentamento indígena.

No local também já é possível ver uma grande quantidade de tijolos para serem usados na construção de casas.

Conforme apurado por A CRÍTICA na semana passada, toda a área foi “dividida” e os “lotes” estão sendo vendidos a R$ 500, R$ 700 e até R$ 1 mil. E, numa cena que se repete em todas as invasões de terra, os mesmos lotes foram vendidos a várias pessoas.

Também na semana passada, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que os proprietários foram orientados a tomar as providências cabíveis, já tendo inclusive registrado boletim de ocorrência junto à Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema), conforme nota do órgão. Os donos deverão também entrar com pedidos de reintegração de posse na Justiça para reaver a área.

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