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Manaus
‘QUENTURA’

Trabalhando duro na ‘Terra do Sol’: relatos de quem enfrenta o calor manauara no dia a dia

Eles até tentam ‘enfrentar’ a forte temperatura, mas contam que já passaram mal por conta dos raios solares 15/07/2018 às 06:30 - Atualizado em 15/07/2018 às 11:13
Show terra do sol
O paulista Juarez Oliveira usa protetor solar, mas no momento da entrevista não usava boné ou chapéu (Foto: Jair Araújo)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Trabalhar nas ruas de Manaus com um Sol “à pino” e sensação térmica elevadíssima não é pra qualquer um. Sob forte temperatura e o Sol inclemente, o ganha-pão fica literalmente ainda mais suado e valorizado.

O vendedor ambulante Henrique Neto, 60, é acostumado à “quentura manauense”, afinal, já são exatos 31 anos que ele oferece guloseimas como amendoins e balas de mangarataia nos sinais de trânsito da capital - hoje, mais precisamente no cruzamento do Boulevard Álvaro Maia com Major Gabriel, de segunda a sábado de 8h às 16h. Conhecido pelo apelido carinhoso de “Risadinha”, ele é experiente na arte de se proteger dos raios solares: gosta de usar religiosamente dois bonés e camisa de mangas compridas, que, se por um lado esquentam o corpo, por outro atenuam a incidência do “Astro Rei”. E usar tênis e calça comprida e tomar de 2 a 3 litros de água durante o serviço.


O veterano Henrique Neto, o “Risadinha”, não descuida do boné e da roupa

“Já trabalhei em todos os cantos de Manaus, como com panfletagem, vendendo broa, venda de jornais, como caseiro. etc. Minha vida sempre foi assim para criar meus três filhos, ajudando-os a se formarem - uma delas é fonoaudióloga”, afirma o ex-industriário. “Antigamente eu não me protegia assim, mas hoje, como o negócio está feio e a insolação está grande, devemos nos proteger com o que pode: protetor solar, labial, roupas adequadas de manga comprida e chapéus”, conta o filho de um pai de 90 anos de idade que se chama José Henrique. Mesmo com essa proteção toda, Risadinha conta que de vez em quando fica com tonturas por insolação. “Quem trabalha na rua tem que se proteger do Sol”, disse ele, a quem o “sorriso é a porta de entrada e ‘quebra o gelo’ perante o público”.

O “dindinzeiro” Antônio Teixeira de Souza Neto, 62, vende dindins na área da Manaus Moderna há 27 anos de 9h às 14h. No seu caso, é o boné o “amigo anti-raios solares”. “Se eu tivesse mais dinheiro compraria protetor solar, que é muito caro; custa R$ 35. Não dá pra comprar toda vez porquê a minha renda é pequena”, diz o ambulante, que anda com camisa leve de botões, calça social e uma bota. Antônio, que é natural do Município de Lábrea (a 852 quilômetros de Manaus), confirmou já ter passado mal ao Sol. “Eu tenho pressão alta e às vezes tenho tonturas. Tomo remédio controlado”. 


O dindinzeiro Antônio Teixeira disse que o protetor solar custa caro

Contra o sol inclemente, o paulista Juarez Rodrigues de Oliveira, 44, usa protetor solar em meio ao causticante Sol da Manaus Moderna nas vendas de facas e conserto de lanternas expostas numa lona. No momento da entrevista ele não usava boné ou chapéu. “Hoje eu esqueci de usar”, conta o trabalhador, que está no local, diariamente, de 5h ao meio-dia. “Já senti tontura e falta de ar por aqui”, comentou. 

Vem mais por aí

E é melhor os nossos entrevistados reforçarem suas proteções solares. É que levando-se em conta as temperaturas mínimas e máxima e mais a precipitação (em milímetros), historicamente, os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro são os mais quentes em Manaus, oscilando-se entre 24º a 32º. Isso de acordo com as médias climatológicas em valores calculados a partir de uma série de dados de 30 anos segundo divulgou o site climatempo.com.br.

Uma das estratégias de alguns trabalhadoras da rua ouvidos por A CRÍTICA em face da forte temperatura local é sempre estar munido de uma garrafa pequena de água mineral e enchê-la constantemente ajudando a hidratar o corpo nos intervalos das vendas.

Proteção é essencial

A radiação solar  é dividida em ultravioleta A, B e também infravermelha, e em contato com a pele podem causar problemas, sim. O alerta é do diretor-presidente da Fundação Alfredo da Matta (Fuam), dermatologista Hélder Cavalcante.

“O mais importante desses problemas é o câncer de pele pela sua gravidade, mas essas radiações podem causar manchas na pele, envelhecimento precoce, estímulo de aparecimento de sinais na pele e, naqueles que têm pele mais clara, pode surgir o câncer de pele”, explica o especialista.


O diretor-presidente da Fuam e dermatologista Hélder Cavalcante

Ele destaca que o câncer de pele é comumente curável a partir de intervenções como cirurgia tradicional removendo a pele alterada, ou com laser e eletrocoagulação e crioterapia.

“Para prevenir a agressão da radiação solar deve-se usar protetores solares, hidratar-se, usar roupas compridas que cubram a maior parte da pele, chapéus ou luvas, dependendo da profissão de cada pessoa”.

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