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Manaus
Falta de planejamento

Repetição de erros causa problemas de mobilidade e infraestrutura em Manaus

Nova diretoria do Instituto dos Arquitetos do Brasil no Amazonas critica falhas de gestão que reproduzem o passado 11/12/2016 às 05:00
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Engarrafamentos são reflexo da falta de planejamento, aponta IAB (Foto: Antônio Lima)
Silane Souza Manaus (AM)

Ruas estreitas, esburacadas e sem calçadas, trânsito caótico, com engarrafamentos nas principais vias, transporte público ineficiente, entre outros problemas de mobilidade urbana e de infraestrutura, todos comuns a Manaus e consequências de um único motivo: a falta de planejamento. Não é nenhuma novidade, mas o alerta da nova diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Amazonas (IAB/AM) é para a repetição dos erros do passado no presente, comprometendo o futuro.

Os arquitetos e urbanistas José Augusto Bessa Júnior e Hadley Nobre, presidente e vice-presidente, respectivamente da entidade, que foram eleitos para o triênio 2017/2019, destacaram que o progresso não deve ocorrer sem planejamento, com uma gestão contínua do poder público e apoio dos profissionais de arquitetura e urbanismo são fundamentais para chegar as soluções para boa parte desses problemas.

“Um dos papéis do arquiteto é projetar a edificação, o do urbanista, planejar a cidade. O arquiteto e urbanista faz essa integração da edificação à cidade”, explicou Bessa.

José Augusto Bessa Júnior, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil no AM (Foto: Winnetou Almeida)

“Por muito tempo fomos estigmatizados como profissionais que trabalham apenas na decoração de interiores, mas isso não é verdade. Há um grande leque de atividades que podem ser desenvolvidas por arquitetos e urbanistas, além da arquitetura de interiores, temos ainda o urbanismo (que vai desde o planejamento urbano, passando por mobilidade e crescimento ordenado da cidade), habitações sociais, patrimônios históricos e paisagismo”, completou Hadley.

Para ele, o maior problema que Manaus encara para o seu traçado urbano é a gestão primária do poder público, que se planeja apenas para aquele período de quatro, oito anos, sendo que o urbanismo nunca tem efeito imediato. “A solução urbanística sempre vem a médio e longo prazo. É preciso ser feito um plano urbanístico e traçar metas de desenvolvimento para Manaus para os próximos 20, 30 anos. Para isso precisamos do compromisso de que cada gestor que passar pelo poder durante esse período dê continuidade ao mesmo planejamento”, observou.

Bessa, por sua vez, destacou que é necessário no mínimo dez anos para que as melhorias possam ser percebidas de forma significativa em função das mudanças. “As melhorias vão sendo observadas aos poucos dependendo do planejamento que for feito em cada área da cidade e segmento”.

Conforme ele, se não houver planejamento nos próximos projetos de infraestrutura as dificuldades continuarão. “As intervenções nas vias na tentativa de melhorar o trânsito, por exemplo, são falhas, vão até certo trecho, você tem em uma via quatro faixas e de repente ficam duas gerando o afunilamento e os congestionamentos. As principais vias de Manaus têm esse problema, não basta apenas ligar”, destacou.

Hadley Nobre, vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil no AM (Foto: Winnetou Almeida)

Outro problema apontado pelo arquiteto e urbanista se refere aos semáforos: eles estão sempre instalados depois do cruzamento e não antes como percebemos em cidades com devido planejamento urbano e de trânsito. “O que acontece, quando o sinal está amarelo o motorista avança e acaba obstruindo o cruzamento ou então para em cima da faixa de pedestre. Isso acaba gerando um efeito-dominó, pois acaba por congestionar boa parte das vias do entorno. Essas são soluções simples, que podem ser implantadas em um período curto de prazo e com efeitos imediatos”, explicou Bessa Júnior.

Minoria dos profissionais é associada

A nova diretoria do IAB/AM defende três pilares fundamentais para atender às demandas da sociedade através do reconhecimento social de arquitetos e urbanistas: inovação e criatividade, visibilidade (marketing) e promoção e valorização profissional da arquitetura e urbanismo. De acordo com o presidente da entidade, Bessa Júnior, o foco das duas primeiras é voltado para a ampliação do quadro de associados do instituto. Conforme ele, há em Manaus mais de 1,5 mil arquitetos e urbanistas e o IAB/AM não tem 200 associados. Já o terceiro pilar, visa mostrar para a sociedade, em parceria com os demais órgãos, a importância do arquiteto e urbanista para o planejamento da cidade e para a realização dos sonhos da casa nova de qualquer cidadão.

Propostas para os projetos públicos

Para a nova diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Amazonas (IAB/AM), os desafios são muitos, mas o principal será disseminar a importância do arquiteto e urbanista e a valorização do profissional. De acordo com o presidente da entidade, Bessa Júnior, uma das novas propostas é procurar fazer parcerias com prefeituras da capital e interior, além do governo, para promover tudo isso.

Exemplo de erro de planejamento na instalação de semáforo em cruzamento em Manaus (Foto: Winnetou Almeida)

Conforme ele, o objetivo é fazer com que os governos municipal e estadual promovam concursos públicos de projetos nas mais diversas áreas da arquitetura e urbanismo, pois isso é fundamental para o planejamento de forma mais democrática para a melhoria da mobilidade urbana, do sistema de transporte público, entres outros. “O IAB pode contribuir, criando e formatando os editais dessa forma o poder público recebe diversas propostas e decide qual solução apresenta maior qualidade”, explicou. 

Habitação social

Bessa destacou que os projetos de habitação social de Manaus, seja com recursos do poder público, seja com recurso do próprio interessado, não recebem a devida atenção no que diz respeito às necessidades individuais de cada cidadão. Com o auxílio do arquiteto e urbanista é possível construir atendendo as necessidades de cada família. Além disso, é possível valorizar a estética da residência e ainda se preocupar com o conforto térmico, acústico, que proporcionará uma qualidade de vida melhor.

"O que se percebe é que grande maioria dessas residências, quando executadas pelo poder público, possuem as mesmas características, sem considerar o local de implantação, sem analisar questões básicas como posição do sol em relação a edificação, vegetações existentes, nem tampouco as necessidades específicas de cada tipo de família”, disse. 

Além disso, ele evidenciou que a grande maioria das obras públicas, não tem planejamento adequado no que diz respeito à manutenção de vegetação existente, o que vimos com frequência é que antes das obras serem executadas, derrubam todas as árvores do local. "Com auxílio do arquiteto e urbanista e uma equipe multidisciplinar é possível executar obras com o mesmo valor e atendendo às necessidades da sociedade, cooperando para o menor impacto no microclima da região”, completou.

Seminário no Mindu

No próximo dia 15, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), com apoio institucional do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/AM) realizará, às 9h, no Anfiteatro do Parque do Mindu, na Zona Centro-Sul, o “V Seminário de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas”, com o tema “Multiplicidade de Manaus”.  O evento faz parte da programação anual das entidades em comemoração ao dia do Arquiteto e Urbanista. As inscrições são gratuitas através do site www.cauam.gov.br.

Em números

30% é a redução de economia que uma pessoa pode ter com a contratação de um profissional adequado para desenvolver projeto planejando e executando a obra de uma residência popular, de acordo com o presidente do IAB/AM, Bessa Júnior.

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