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Manaus
DIREITOS

Representantes do movimento LGBT cobram projeto de casa de acolhimento da CMM

Ideia para abrigo a pessoas que foram expulsas de casa surgiu pela demanda, disse o presidente do grupo 15/08/2017 às 17:31
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Conforme projeto, abrigo atenderá de seis a oito pessoas em um período de três a seis meses (Foto: Divulgação)
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Os representantes do Movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) foram até a Câmara Municipal de Manaus (CMM) na manhã desta terça-feira (15) para pressionar os parlamentares em relação a um projeto para acolhimento de LGBTs que foram expulsos de casa.

O projeto de abrigo surgiu pela demanda da capital amazonense com pessoas que procuraram os Movimentos, segundo o porta-voz e presidente do Manifesto LGBT+, Gabriel Mota. “Em fevereiro a gente levantou a ideia da casa de acolhimento, começou a pensar no projeto, fazer pesquisa e em junho nós finalizamos a planilha de custos e o projeto em si”, explicou.

Mota contou que chegaram a procurar o poder público, mas sem sucesso, o que os levou a realizar duas campanhas, sendo uma de doação e uma ‘vaquinha’ online. De acordo com o porta-voz, a arrecadação em dinheiro é essencial. “A vaquinha é o mais importante porque a gente tem uma meta para alcançar de R$ 100 mil, que vão servir para pagar o aluguel da casa, as verbas complementares para fazer as capacitações. Esse valor vai diminuindo à medida que as doações vão chegando”, disse.

O abrigo atenderá de seis a oito pessoas em um período de três a seis meses. “Como a questão é a rotatividade, porque vão caber seis pessoas por vez, então a gente fez um prazo de três a seis meses para ficar na casa, até conseguir um emprego para a pessoa para que ela possa caminhar com as próprias pernas”, esclareceu o coordenador do Coletivo Gênero, Thiago Costa.

A vereadora Joana D’Arc (PR) levou o assunto para a tribuna da casa legislativa. A parlamentar comentou ainda que a falta de políticas públicas para o segmento enfrentam a bancada religiosa e destacou a omissão do poder público. “O poder público ao invés de trazer isso para o debate, fazer ações de inclusão desse tema nas políticas públicas, nas diretrizes orçamentárias, nas próprias secretarias de assistência social acaba ficando inerte e omisso, dando margem para que a gente não tenha nada de concreto feito na nossa cidade”, afirmou.

Um dos membros da bancada evangélica na CMM, Marcel Alexandre (PMDB), ressaltou que as políticas públicas não precisam ser direcionadas para um segmento específico da sociedade. “Políticas públicas privilegiando quem quer que seja, acho que isso deve ser visto com muito cuidado. A política pública é cidadã. Se nós estamos lidando com cidadãos que está tendo problemas de relacionamento e precisa ser abrigado, independente do que seja, o poder público tem que dar”, declarou.

O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, Povos Indígenas e Minorias (Comdihpim) da CMM, Plínio Valério (PSDB), já havia marcado uma reunião com o movimento para tratar de outro assunto, que seria a especificação de gênero nas autópsias para ter um mapa de quantos LGBTs estão sendo mortos e ser realizada uma estatística. Porém, será abordado, também, a questão do projeto do abrigo.

A reunião está prevista para dia 24 deste mês. Para Plínio, o tema será debatido até serem cessadas as reivindicações e o debate, assim como foi feito com os indígenas.

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