Terça-feira, 07 de Julho de 2020
CASO

Responsáveis e profissionais pedem que escola de educação especial retome atividades

Proprietários entraram com pedido na Justiça para tentar reabrir a instituição. Pais alegam que filhos apresentaram regressão



ESCOLA_C9581F61-13E9-416D-9100-8EA5A49E0B14.jpg Foto: Divulgação
06/06/2020 às 12:26

Funcionários do Centro de Educação Especial Maria das Graças, na Zona Centro-Oeste de Manaus, junto aos pais de alunos relatam que a ausência das aulas tem trazido sofrimento e regressão no quadro terapêutico das crianças com autismo.

A instituição atende apenas pessoas com deficiência intelectuais e físicas, tendo atualmente 30 alunos, sendo 7 crianças por sala. Os profissionais são especializados em Psicopedagogia e contam com fonoaudiólogos, fisioteraupeutas e psicólogos para o desenvolvimento cognitivo dos alunos.



A diretora Sarah Brasileiro disse que muitos pais têm procurado a escola para pedir ajudar pois a quebra de rotina das crianças tem causado grandes transtornos em casa. “Nossas crianças estão sofrendo muito sem poder ter suas atividades terapêuticas, já entramos como uma liminar para conseguir atendê-los, enquanto isso muitas estão tendo crises severas em casa e sem uma autorização ficamos sem poder ajudar os pais que nos procuram”, relatou.

Lenimar Cardoso é mãe de duas crianças com autismo e que estudam na instituição há 5 anos, ela relatou as dificuldades que seus filhos têm sofrido em casa. “Quando se trata de crianças especiais é um assunto muito delicado por que eles não entendem que não podem ir para rua, não têm para onde passear, eles ficam estressados, têm muitas crises e nós ficamos sem saber de que maneira ajudar. A falta das terapias fez com que a quarentena fosse um sofrimento maior”, ressaltou.

A mãe do Lucas Alexandre, 8, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) também contou sobre as crises que seu filho tem sofrido. “Meu filho passou por um laudo e foi constatado, por um psiquiatra, que ele não tem condições de frequentar uma escola regular e no Instituto, que é uma escola clínica, ele já havia adquiro algumas autonomias. Meu filho não entendeu a quebra de rotina, ficou doente, triste e voltou a se agredir, está todo machucado, um hematoma grande na cabeça, o fato dele já ter mais forma me impede de contê-lo. Nós pedimos que o Ministério Público e as autoridades competentes nos ajude de alguma maneira”, desabafou a mãe.

A psicóloga do Instituto Zara Rodrigues reforçou a importância do acompanhamento terapêutico. “Nesse momento tão difícil de pandemia, isolamento social, com certeza afetou diretamente nossos alunos, pois eles dependem de uma rotina para ter um dia a dia mais prazeroso, e essa quebra de rotina fez retroceder um trabalho já conquistado por eles mesmo. Nossas crianças precisam voltar às suas rotinas, pois a quebra causa sofrimento, muitas se autoagridem, ficam em um nível elevado de ansiedade e isso com certeza não é bom”, disse.

A fonoaudióloga da Instituição, Daniele Barros, falou que é de extrema importância o tratamento das crianças e que a paralisação acarreta graves crises. “A pausa no trabalho que desenvolvemos para elas é prejudicial no que tange no comportamento e o aprendizado, pois é um processo contínuo. A rotina de uma criança especial é diferente de uma criança que tem o desenvolvimento regular, visto que essas crianças têm necessidades de uma rotina, ou seja, de uma previsibilidade no seu dia a dia”, reforçou

O coordenador pedagógico Bruno Gabriel relatou como os pais têm tentado aliviar as crises das crianças. “Muitos pais estão trazendo as crianças para passear de carro em volta da escola, mas, infelizmente, não está adiantando, e como estamos sendo impedidos de abrir, isso tem causado muitos danos às crianças. A nossa psicóloga tem trabalhado arduamente com os pais, a questão emocional, porém temos pouquíssimos retornos, por conta da agitação das crianças. A gente tomou providências jurídicas para tentar abrir a escola, infelizmente está demorando, foi passado agora para o Ministério Público. Mas estamos com fé que possamos reabrir o Maria das Graças para que nossas crianças tenham a vida escolar de volta e consigam se reorganizar”, concluiu

Resposta

Em nota, a Secretaria de Comunicação do Estado disse que não tem previsão para o retorno das aulas. Já o Conselho Estadual de Educação respondeu que cada escola deve analisar sua realidade e que as decisões devem ter base nas recomendações sanitárias. Terapias podem ser realizadas em atendimentos individualizados, porém a decisão deve ser tomada pelos responsáveis dos alunos e da escola.

Repórter

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