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Rio Negro: fascínio para turistas, 'estrada' dos viajantes e local de trabalho de Geraldo Lopes

O preto do Rio Negro, que encanta os turistas que visitam a capital, fascina até quem passou a vida entre idas e vindas sobre as águas, como os catraieiros 23/10/2015 às 15:20
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Há dez anos o catraieiro Geraldo Lopes, 60, deixou Codajás, no interior do Amazonas, para pilotar uma catraia nas águas do rio, em Manaus
Omar Gusmão ---

Beleza natural que impressiona quem chega a Manaus, o rio Negro é motivo de orgulho, local de lazer, estrada de chegada e partida para viajantes e cargas e, para muitos, local de trabalho também.  O preto do rio Negro é tão emblemático para quem vive em Manaus que encanta até mesmo quem o tem como ambiente de uma árdua rotina. É o caso de Geraldo Lopes, 60, que há dez anos deixou Codajás, no interior do Amazonas, para pilotar uma catraia nas águas do rio, em Manaus das 7h às 18h, diariamente.

A saída de Codajás com a esposa e nove filhos se deu pelas mesmas razões que trazem milhares de interioranos à capital, ano após ano: a falta de oportunidades. No caso de “seu” Geraldo, as mudanças climáticas também têm sua cota de culpa. “Eu plantava juta e malva. Também fui pescador. Mas, pra lá ficou difícil. Não podia mais plantar nada que a água vinha”, relata, referindo-se às cheias cada vez mais frequentes e rígidas nos rios amazônicos.

Geraldo, contudo, não reclama da mudança, apesar da dura rotina levando e trazendo pessoas em diferentes pontos nas margens do rio Negro. Para transportar até o outro lado do rio, na vila do Cacau Pirera, Município de Iranduba, ele cobra R$ 40 para até quatro pessoas. Do bairro de Educandos, onde mantém sua base, até a escadaria dos Remédios, no Centro, cobra R$ 10.

“Aqui está melhor. Trabalho só durante o dia. De noite, eu durmo. Lá, tinha vezes que eu trabalhava dia e noite”, conta o catraieiro, que aproveitou as economias que conseguiu juntar para comprar a canoa, com a qual passou a tirar o sustento da família. Recentemente, comprou um motor do tipo rabeta, que agora exibe com orgulho. “Está novinho. Comprei faz sete meses”, diz.

Resignação

Aos 60 anos de idade, depois de ter trocado o interior pela capital, seu Geraldo acredita que ter escolhido o rio Negro como local de trabalho foi a melhor opção. “Comprei essa catraia, me entrosei com os amigos que também trabalham por aqui e gostei muito de trabalhar assim. Não posso mais trabalhar como empregado, né?”, resigna-se.

Além de ter encontrado um meio de trabalhar em contato com o que a natureza ofereceu de mais bonito à cidade, Geraldo Lopes também ajuda a manter vivo um meio de transporte que já foi fundamental para a cidade. Afinal, antes da existência da ponte de Educandos, a travessia do bairro para o Centro da cidade era feita exclusivamente em catraias. E há quem defenda que a questão da mobilidade urbana em Manaus passe também pela utilização dessas vias fluviais. Para seu Geraldo, isso já é a realidade: “Aqui o pessoal quer andar mais de bote”, garante.

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