Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2022
CENÁRIO

Rio Negro inicia período de cheia em ritmo fora do comum

Nos dez últimos dias de novembro, o nível do Rio Negro subiu, em média, nove a dez centímetros e nesta quarta-feira (1) alcançou 21,03 metros.



WhatsApp_Image_2021-12-01_at_18.22.36_EFFD3DA8-2E22-48FE-9105-32B24C6B7629.jpeg Foto: Divulgação
01/12/2021 às 18:23

Começou o período de cheia do Rio Negro, em Manaus, e em ritmo atípico se comparado ao ano passado. Nos dez últimos dias de novembro, o nível do Rio Negro subiu, em média, nove a dez centímetros e nesta quarta-feira (1) alcançou 21,03 metros. Em comparação com o mesmo período do ano passado, as águas subiam, em média, entre cinco e seis centímetros ao dia e registrava 17,60 metros nesta mesma data.

De acordo com a gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil em Manaus, Jussara Cury, o Rio Negro está em processo de cheia e já um pouco acima dos números registrados no ano passado.



“Estamos na primeira onda da cheia, ou seja, no início do processo da cheia. Para o período está um pouco acima da faixa dos 85% dos registros, mas não está próximo da máxima, a título de ilustração a cota de hoje está em 21,03 e a máxima já registrada no período foi de 23m”. 

Ela destaca que o aumento de nove centímetros dia é considerado normal e o período de chuvas contribui para essa subida do Rio Negro. “O período de vazante já passou, agora entramos na fase inicial da Cheia. É um período tipicamente de chuvas e de subida das cotas dos rios nas principais bacias do Negro e Solimões, e 9 cm diários é normal para o período”, disse ela, sem fazer alertas. 

Chove acima do esperado

O meteorologista do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Ricardo Dallarosa, explica que o período é de chuvas acima do esperado, deve seguir até maio e isso influencia na subida dos rios. 

“Já chegamos na estação chuvosa. Temos observado chuvas acima da climatologia nos meses passados, ou seja, tem alguma coisa que está fazendo com que as chuvas estejam acima do normal e aí o reflexo vem no rio Negro”. 

De acordo com ele, os excedentes de chuvas acontecem diante da produção de vapor d’água em abundancia. A razão para a grande quantidade de chuva durante o período, segundo ele, se dá pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) - quando ventos alísios são deslocamentos de massas de ar quente e úmido em direção às áreas de menor pressão atmosférica das zonas equatoriais do globo terrestre.

“Nós temos observado no oceano Atlântico que temos uma zona de escoamento de leste que deve descer e o principal escoamento se chama Zona de Convergência Intertropical. Ela é uma zona de convergência dos alísios de nordeste com os alísios de sudeste. Eles se encontram, circundam o globo, e trazem a umidade do oceano para cá. Se você tem um oceano Atlântico bastante aquecido significa que se tem uma produção de vapor d’água em abundancia, mais do que o normal”, afirma Dallarosa. 

Chegada do La Ninã em dezembro 

Essa dinâmica dos ventos alíseos e contra-alíseos integra o sistema de distribuição do calor da Terra pelas massas de ar e que se completa com a dispersão das correntes marítimas. As alterações nesse sistema provocam modificações climáticas como La Niña. Segundo Ricardo Dallarosa, pode-se esperar a chegada do fenômeno Lã Ninã em dezembro, o mesmo que influenciou a cheia histórica deste ano. 

“O Lã Ninã está começando agora. Se formam células de circulação que o ar induz convecção (movimento de levantamento do ar na atmosfera) na Amazônia e ao induzir convecção em uma área que já está carregada de umidade, você tem muita formação de nuvens e por consequência, abundancia de precipitação. E isso é uma preocupação por que chove bastante e vai chover mais do que o esperado”. 

De acordo com a Prefeitura de Manaus, por meio da Defesa Civil Municipal, só é possível atuar diante de cheias, após a emissão de alertas de órgãos como Serviço Geológico do Brasil – CPRM.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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