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Riscos de leptospirose colocam comunidades em alerta

É preciso ter cuidado e evitar contato com os roedores, principalmente neste período do ano, quando os riscos aumentam em função da cheia dos rios no Amazonas 21/05/2015 às 08:55
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luana carvalho ---

Eles causam muito mal à saúde. Inimigos mais antigos do homem, os ratos transmitem várias doenças mortais e, por isso, é preciso ter cuidado e evitar contato com os roedores, principalmente neste período do ano, quando os riscos aumentam em função da cheia dos rios no Amazonas, onde a doença mais recorrente transmitida por eles é a leptospirose.

No ano passado, 84 casos da doença foram registrados no Amazonas, sendo 60 só na capital. Em relação aos três primeiros meses do ano, os casos diagnosticados em 2015 tiveram uma redução de 34% em comparação ao ano passado, quando 35 casos foram registrados até março, de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS).

Mesmo com a redução dos casos, é preciso ficar alerta, pois em 14 anos, 74 pessoas faleceram por leptospirose no Amazonas, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (MS). O ano com mais óbitos foi 2009, quando 11 pessoas diagnosticadas morreram. Este ano, uma morte foi registrada.

Dos sete Estados da Região Norte, o Amazonas está em 4º lugar no ranking de infecção por leptospirose, totalizando 768 casos confirmados desde 2000. O Acre lidera a lista, com 2.830 casos em 14 anos, seguido do Pará, com 2.116 e Amapá, com 1.189.

A doença infecto-contagiosa é geralmente transmitida pela água, alimentos ou utensílios contaminados pelas fezes e urina de roedores. “A ocorrência da leptospirose é maior exatamente durante este período de cheia, principalmente em função das alagações, que facilitam que as pessoas entrem em contato com a urina do rato e consequentemente tenha uma probabilidade maior de infecção”, alertou o diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque.

Os sintomas podem aparecer em um período de três a sete dias, conforme explica o especialista. “É uma doença febril. Outro sintoma é a dor muscular, que geralmente impede até a pessoa de andar por causa das fortes dores nas panturrilhas. O aparecimento de icterícia (coloração amarela da pele e dos olhos) também é um dos sintomas”.

Prevenção Bernardino citou algumas medidas importantes para se prevenir da doença. A principal delas é evitar contato com áreas alagadas. Mas como isto não é possível em todos os casos - principalmente para quem mora próximo de igarapés ou áreas alagadas - o médico recomenda a utilização de acessórios de proteção, como botas de borracha e luvas.

“É uma doença que infelizmente não existe vacina e não temos uma medida de proteção mais eficaz, a não ser evitar. A doença pode ser tornar muito grave, dependendo da resposta de cada indivíduo. Tem as principais complicações que podem levar até a hemorragias, comprometimento renal que pode levar o paciente a óbito”, alertou Bernardino.

Em números

768 casos foram confirmados no Amazonas em 14 anos, deixando o Amazonas em 4º lugar no ranking de infecção de leptospirose na Região Norte. O Acre lidera a lista, com 2.830 casos desde 2000.

Epidemia de ratos pelo Brasil

A leptospirose é uma doença endêmica, tornando-se epidêmica em períodos chuvosos, principalmente nas capitais e áreas metropolitanas devido às enchentes associadas à aglomeração populacional de baixa renda e más condições de saneamento Existem registros de leptospirose em todas as unidades da federação, com um maior número de casos nas regiões sul e sudeste. A doença apresenta uma letalidade média de 9%.


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