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Manaus
PARALISAÇÃO

Rodoviários interditam av. Constantino Nery no trecho do T1 em nova paralisação

Passageiros precisaram desembarcar dos coletivos e seguirem a pé aos destinos. Trânsito no sentido bairro/Centro é prejudicado 28/02/2018 às 10:40 - Atualizado em 28/02/2018 às 13:36
acritica.com Manaus (AM)

Rodoviários de Manaus interditaram um trecho da avenida Constantino Nery, no sentido bairro/Centro, desde o acesso até a saída do Terminal de Ônibus 1, em uma nova paralisação da categoria, na manhã desta quarta-feira (28) na capital. Passageiros precisaram desembarcar dos coletivos e seguirem a pé aos destinos, e outros ficaram nas paradas à espera dos ônibus. O trânsito é prejudicado.

Segundo os trabalhadores, que preferiram não se identificar à reportagem, a paralisação é motivada pelo não pagamento do reajuste salarial de 10% à categoria, prometido há dois anos, segundo eles. De acordo com os rodoviários, a intenção é reivindicar pelo aumento dos salários e chamar a atenção da Prefeitura de Manaus e do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário (Sinetram).


Foto: Euzivaldo Queiroz

Além disso, os rodoviários reclamam da insegurança dentro dos coletivos, como o aumento da ocorrência de assaltos. Eles acrescentaram que a paralisação é organizada sem o acompanhamento do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário (STTRM). No local, rodoviários de diversas empresas de transporte da capital participam da paralisação.

Em contato com a reportagem, o presidente do STTRM, Givancir Oliveira, confirmou que o sindicato não organizou a paralisação. “Não temos participação. A categoria está fazendo essa paralisação por conta própria”, disse.

Usuários prejudicados


Foto: Euzivaldo Queiroz

A dona de casa Zuleide Amaral, de 35 anos, foi uma das usuárias do transporte coletivo surpreendidas com a paralisação. "É um absurdo. Estou atrasada para um compromisso. A gente nem sabe os motivos dessa nova greve, mas com certeza no final vai vir um belo aumento de passagem", opinou. 

O técnico em enfermagem Camilo da Silva, 23, disse que vai chegar atrasado no trabalho e culpa os empresários e a Prefeitura de Manaus. "Quem sempre paga o pato é a população. Cadê o prefeito que não dá uma basta nisso? Ele deveria banir essas empresas que só prejudicam a população. Os trabalhadores estão certos com a revolta, mas a gente não pode ser punido com isso".


Foto: Euzivaldo Queiroz

Audiência no TRT

Segundo ele, a decisão de paralisar aconteceu após um pedido de vista de uma desembargadora durante uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para definir o dissídio coletivo. “Hoje foi realizada uma audiência no TRT sobre o dissídio coletivo, mas a desembargadora Solange Santiago pediu vista do processo. Os trabalhadores ficaram revoltados com isso”, afirmou Givancir.

Segundo o sindicalista, o pedido de vista da desembargadora deixou a categoria assustada com a possibilidade da falta do reajuste. “Eu pedi para que os trabalhadores voltem aos postos, mas eles falaram que querem chamar atenção das autoridades. Querem uma resposta sobre o aumento deles, porque só no ano passado a passagem, em Manaus, aumentou duas vezes. O próprio prefeito afirmou que em janeiro os valores iriam aumentar, mas ele continua se escondendo”, destacou Givancir.

Sinetram

A reportagem entrou em contato com o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Amazonas (Sinetram), que confirmou a paralisação através da assessoria de imprensa. Porém, o sindicato das empresas disse não saber o motivo da parada.


Foto: Euzivaldo Queiroz

Prefeitura de Manaus

Em nota, a Prefeitura de Manaus, por meio da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), informou que não foi comunicada previamente da paralisação dos rodoviários e que condena o ato dos trabalhadores. “O prefeito Arthur Virgílio Neto tomou conhecimento do fato e lamentou que a categoria não busque o diálogo para resolver suas questões trabalhistas e apela para o bom senso dos trabalhadores, porque a população não pode ser penalizada”.

“O Tribunal trabalhista adia uma audiência que discutira a questão salarial dos rodoviários, por isso essa baderna na cidade? Isso é uma irresponsabilidade e eles (trabalhadores) não têm esse direito. A decisão da Corte precisa ser respeitada e é preciso pensarmos em todas as responsabilizações criminais e cíveis, com muito rigor, para evitar que esse clima de desordem tome conta da cidade”, afirmou o prefeito Arthur Neto.

De acordo com a Prefeitura de Manaus, a Procuradoria Geral do Município (PGM) vai avaliar o dano coletivo que a paralisação causou à população da cidade e deverá entrar com medida indenizatória em desfavor do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTR).

*Colaborou Alik Menezes e Amanda Guimarães

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