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Manaus
mobilidade urbana

‘Roleta russa': Pedestres se arriscam ao atravessar vias fora de locais apropriados

As 23 passarelas e 2,5 mil faixas espalhadas pela capital não são suficientes para garantir a segurança dos pedestres, que por sua vez abusam da imprudência e, até onde há proteção, se arriscam em meio aos carros 10/04/2016 às 22:46 - Atualizado em 10/04/2016 às 23:21
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Pedestre arriscando a vida em travessia (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Mais de 2,5 mil faixas de pedestres e 23 passarelas estão espalhadas pelas principais ruas e avenidas da cidade, mas elas não são suficientes para evitar acidentes envolvendo atropelamentos. De um lado, a imprudência de quem ainda prefere se arriscar em meio aos veículos, mesmo tendo uma opção segura de travessia mais à frente. De outro, a falta de planejamento urbano e de infraestrutura para garantir a segurança dos que optariam pela travessia segura, se tivessem essa chance.

A reclamação é de quem precisa se arriscar diariamente em meio ao trânsito para ir à escola, ao médico ao trabalho ou simplesmente voltar para casa, caso da pensionista Maria da Conceição Cortez, usuária do transporte público que, sempre que pode, opta por percorrer longos percursos a pé para conseguir chegar aos lugares adequados para a travessia e que, em Manaus, são raros, critica ela. Nem mesmo grandes obras públicas, como viadutos, contemplam a travessia segura dos pedestres. É o caso do viaduto Miguel Arraes, na avenida Mário Ypiranga Monteiro, onde a travessia lembra uma ‘roleta russa’.

“Calçadas, faixas de pedestre, passarelas e sinalização são o básico, mas são poucas. Aqui vivemos a vida colocando-a em risco. Nem toda via tem um local apropriado para atravessar e, quando existe, os motoristas não respeitam. Eles dizem que são os pedestres que não respeitam a sinalização, mas coloca alguém para acompanhar! Será possível flagrar todas essas irregularidades”, desabafou.

Maria critica a falta de preocupação do poder público com os pedestres, especialmente aqueles com limitações de locomoção, como os cadeirantes, que ficam excluídos das passarelas, uma vez que a maioria não tem rampas, e também das faixas de pedestres, pois muitas não estão alinhadas com o meio-fio e a calçada. “Se para nós já é difícil, imagina pra eles”, lembrou.

Dois pesos, duas medidas

Mais do que a falta de investimentos em construção de novas passarelas e implantação de faixas de pedestres, a desigualdade na distribuição desses equipamentos é outro problema que precisa ser resolvido, na opinião da universitária Natasha Edwirgen Rodrigues Padron, 28. Para ela, enquanto alguns bairros continuam sem sinalização e equipamentos adequados, em outros houve melhoria com a implantação de faixas de pedestres e a construção de passarelas em locais estratégicos. 

Mas, alerta Natasha, é necessário mudar o material utilizado na sinalização, principalmente a tinta aplicada nas faixas de pedestres. “Quando estão no lugar certo e não estão mal sinalizadas, o problema é a tinta usada na faixa, que é derrapante. Já escorreguei em dia de chuva com o bebê no colo e, se estivesse vindo carro, poderia até ter nos atropelado”, reclamou.

Meta de 2015 foi atingida

O Instituto Municipal  de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) informou que a meta de implantar e revitalizar um total de 500 faixas de pedestres no ano de 2015 foi alcançada.   A sinalização, de acordo com o Manaustrans, foi implantada principalmente em frente a escolas e igrejas, locais mais solicitados, como também áreas de maiores movimentos de pedestres.

Neste ano, nenhuma passarela foi construída. Em Manaus existem 23 passarelas para atender a cidade e um total de 2,5 mil faixas de pedestres. Para solicitar a implantação de uma faixa, é necessário encaminhar a demanda para o email atendimento.manaustrans@manaus.am.gov.br e solicitar que uma equipe técnica irá ao local para verificar a viabilidade.

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