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Manaus
TRÂNSITO PERIGOSO

‘Rolezinhos’ organizados por motociclistas são verdadeiro perigo no trânsito em Manaus

Passeios motociclísticos, organizados por grupos por meio das redes sociais, começam a sair do controle e a preocupar os órgãos de trânsito. Somente domingo, 102 veículos foram apreendidos por irregularidades 15/02/2017 às 10:46
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Perfil dos participantes indica predominância de são jovens do sexo masculino
Silane Souza Manaus (AM)

A prática do “rolezinho”, reunião de centenas de motociclistas que percorrem as ruas da cidade, virou espaço para a realização de todo tipo de imprudência no trânsito e já chamou a atenção do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM).

Só entre 1º de janeiro e 12 de fevereiro deste ano, foram apreendidas 272 motocicletas em operações de repressão aos chamados “rolezinhos”, sendo 102 apenas na tarde do último domingo durante um “rolezinho” que acontecia na avenida do Samba, no bairro Alvorada Zona Centro-Oeste de Manaus.

O rolezinho não é proibido, de acordo com o Detran-AM, desde que realizado em local adequado, com uso dos equipamentos de segurança e autorização prévia. Caso contrário, vira uma versão do “racha” sobre duas rodas e, igualmente, uma infração gravíssima de trânsito, punida com a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), apreensão do veículo e obrigatoriedade do curso de reciclagem para o condutor flagrado cometendo as infrações.

Em Manaus, a maioria dos passeios chama atenção pelos flagrantes de motociclistas dirigindo sem capacete e sem os documentos de porte obrigatório, além de veículos sem equipamento obrigatório e escapamento aberto, que produz ruído acima do permitido pelas leis.

De acordo com o diretor-presidente do Detran-AM, Leonel Feitoza, a prática é um perigo quando realizada da forma como vem acontecendo. “Eles ficam fazendo manobras arriscadas nas ruas e sem nenhuma segurança, colocando em risco não só a vida deles, mas também de terceiros que não tem nada a ver com a situação”, enfatizou.

Conforme Feitoza, 99,9% dos participantes dos “rolezinhos” são jovens, a maioria homens, mas tem muitas mulheres no meio também. Os pontos mais frequentes para os encontros são as avenidas do Samba, Lourenço da Silva Braga (atrás da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa), no Centro, e da Torres, na Zona Leste.

Outro ponto onde havia “rolezinho” toda noite era na rodovia AM-450 (ex-avenida do Turismo), Zona Oeste, mas depois que o Detran-AM implantou um posto de fiscalização no local os passeios deixaram de ser feitos. Feitoza afirmou que o órgão fará a mesma coisa na avenida das Torres, no próximo mês.

Para ele, a única forma de combater os “rolezinhos” imprudentes é com ações de prevenção. “Nós nos reunimos com os grupos que promovem esse tipo de evento para chegar a um acordo. Chegamos a oferecer o sambódromo no último domingo de cada mês para eles fazerem a brincadeira com segurança, mas não aceitaram”, disse.

Coleção de infrações ao Código de Trânsito

Na operação de repressão ao “rolezinho” domingo, na avenida do Samba, bairro Alvorada, Zona Oeste, além da atuação por prática de direção perigosa (racha), os motoristas também foram autuados por dirigir sem uso de capacete ou o uso irregular do acessório de segurança, desobediência à ordem de parada, veículos sem equipamento obrigatório, escapamento aberto, que produz ruído acima do permitido pela legislação de trânsito, e motociclistas sem documentos de porte obrigatório, Certificado de Registro e Licenciamento de veículos (CRLV) e Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Durante a abordagem dos agentes, sete menores foram flagrados participando das disputas de corrida. Também foram encontrados documentos de motos falsificados, placas clonadas. De acordo com estimativa dos agentes do Núcleo de Operações Especiais de Trânsito (Neot), em torno de 250 pessoas estavam no local. Com a chegada dos agentes a maioria fugiu.

Todos os motociclistas autuados responderão a processo administrativo junto ao Detran-AM por desobediência ao Código Brasileiro de Trânsito (CTB). A direção perigosa é falta gravíssima, que diminui sete pontos na carteira e dá multa no valor de R$ 1.915,40. As motos apreendidas foram encaminhadas ao pátio do órgão. Até ontem, nenhuma havia sido recuperada pelo dono.

Um participante, que pediu para não ser identificado por A CRÍTICA, disse que domingo estava havendo uma versão motorizada dos rolezinhos que acontecem em shoppings.

Fenômeno nas redes sociais

De acordo com Leonel Feitoza, a maioria dos veículos apreendidos em “rolezinhos” vai para leilão. Eles geralmente possuem restrições como multas, licenciamento em atraso, dívidas com IPVA, placas clonadas e documentos falsificados. Além da multa de R$ 1.915,40, a direção perigosa é falta gravíssima, que diminui sete pontos na carteira.

Há diversas equipes de motociclistas que promovem “rolezinhos” pelas ruas da cidade. Em suas páginas nas redes sociais, eles defendem que “rolezinho” não é “racha”, é uma espécie de hobby, e repudiam os motociclistas que “vão para tocar o terror e afrontar os órgãos de segurança (pilotando sem capacete, empinando perigosamente colocando em risco outras pessoas”. Apesar disso, práticas ilegais são registradas todos os dias.

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