Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Prestação de contas

Site do TSE mostra rombo de R$ 2,7 milhões nas contas de Artur Neto

Campanha do prefeito reeleito de Manaus contratou despesas que são quase o dobro do valor recebido por meio de doações



1156382.JPG Assessoria do prefeito Artur Neto informou que as dívidas de campanha podem ser sanadas até a data final para entrega da prestação de contas, conforme a lei (Evandro Seixas: 16/ago/2016)
05/11/2016 às 10:46

Após realizar uma campanha que conseguiu reconduzi-lo à chefia do Executivo local por mais quatro anos, o valor gasto pelo prefeito Artur Neto (PSDB) à Justiça Eleitoral é quase o dobro do valor de seus recursos declarados. A base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informava, até o fechamento desta edição, que Artur tinha recebido R$ 3,31 milhões para realizar a campanha. No entanto, ele aparece no site do tribunal com despesas contratadas no valor de mais de R$ 6,03 milhões – uma diferença de mais de R$ 2,7 milhões.

Este número coloca o político em segundo lugar na lista de déficits de prefeitos de capitais reeleitos em 2016. O único que experimentou um rombo maior na prestação de contas foi Geraldo Julio (PSB), que se reelegeu prefeito de Recife (PE) com uma diferença de mais de R$ 2,84 milhões entre despesas e recursos.



O prefeito, através de sua assessoria, disse que a diferença entre os valores correspondes a dívidas de campanha podem ser sanadas até a data da entrega da prestação de contas final, conforme autoriza a legislação. Para tanto, ainda segundo a legislação eleitoral, é possível continuar arrecadando até o fechamento da prestação de contas, que acontece, este ano, até o dia 19 de novembro.

“A campanha pode continuar recebendo doações até a data do fechamento da prestação de contas. Caso essas doações não sejam suficientes, a legislação eleitoral permite que o partido assuma as dívidas da campanha, mediante prévia autorização do seu órgão de direção nacional, aceite do credor e apresentação de cronograma de pagamento”, informou a nota.

Doadores

Dos R$ 3,31 milhões que Artur angariou para sua campanha, R$ 213,9 mil vieram de 12 secretários municipais. Os secretários mais “mão aberta” chegaram a doar valores quase três vezes superiores ao da remuneração, fixada em R$ 15 mil. É o caso do procurador do município, Marcos Cavalcanti, que doou R$ 43 mil, ao tucano.

Além de Cavalcanti, os secretários Roberto Moita (Implurb), Paulo Farias (Semulsp), Marcio Noronha (Casa Civil), Homero de Miranda Leão (Semsa) e Bernardo Monteiro de Paula (Manauscult), doaram ao candidato valores igual ou superior aos salários que recebem do Executivo.

Além deles, Kátia Helena (Semed), Ulisses Tapajós (Seminf), Alyson de Lima, José Fernando de Farias (Casa Civil), Itamar Mar (Semmas) e Thiago Balbi (SMTU) também fomentaram a campanha do tucano.

De todos os nove candidatos que entraram na corrida pela prefeitura de Manaus este ano, Artur é o único que apresenta gastos maiores do que sua receita. Rodrigo Ramos, coordenador da campanha de Marcelo Ramos (PR), que acabou disputando o segundo turno com o tucano, disse que conseguiu fechar suas contas por conta de um orçamento “dentro das realidades da campanha”. “A gente se limitou muito por conta das novidades na legislação eleitoral. Com as formas de entrada de recursos restritas a repasse do fundo partidário e doação de pessoas físicas, o fundo representou a maior parte do que angariamos”, explicou Rodrigo.

Grande parte das despesas, segundo Rodrigo, foi usada pela coligação na campanha dos candidatos a vereador. “Enquanto gastamos cerca de R$ 2 milhões no primeiro turno, no segundo, em que só tínhamos a disputa para prefeito, gastamos só R$ 600 mil”, disse.

Tucanos lideram em déficit nas contas

Artur também se destaca dentro do quadro de tucanos que disputaram prefeituras de capitais este ano, possuindo o quarto maior déficit dentre eles, de acordo com matéria veiculada no site Valor Econômico. O levantamento feito pelo site aponta o PSDB como, além da sigla que mais cresceu em 2016, aquela que mais acumula déficits nas corridas eleitorais nas capitais: dos dez maiores déficits dessa natureza no País, seis são de tucanos.

O rombo das contas de Artur, de R$ 2,71 milhões, fica abaixo de figuras como João Leite, candidato derrotado em Belo Horizonte (MG), que teve déficit de R$ 5,3 milhões e de João Dória, que, apesar de ter ganhado a prefeitura da capital paulista, apresenta déficit de R$ 3,4 milhões.

Em números

2,71 milhões de reais é o déficit das contas da campanha de Artur Neto. Conforme o site do TSE, ele recebeu R$ 3,31 milhões para realizar a campanha mas teve mais de R$ 6,03 milhões em gastos.

213,9 mil reais foi a porção da receita de Artur Neto que veio do alto escalão do secretariado municipal. No total, 12 chefes de pastas da administração do tucano desembolsaram para ajudar na sua reeleição.

1 único prefeito reeleito teve déficit maior que o de Artur: Geraldo Julio (PSB), que se reelegeu prefeito de Recife (PE) com uma diferença de mais de R$ 2,84 milhões entre despesas e recursos.


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