Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
Manaus

Ronda Maria da Penha já fez 130 visitas a agressores de vítimas de violência doméstica

Projeto implantado há menos de um mês vem reduzindo casos de descumprimento de medidas protetivas pelos agressores



1.jpg Policiais que trabalham no programa Ronda Maria da Penha, para combater a violência contra a mulher
20/10/2014 às 22:35

Em menos de um mês após o início do projeto Ronda Maria da Penha, foram feitos 130 visitas aos agressores de mulheres que tinham medida protetiva e as mulheres que sofriam violência doméstica passaram a se sentir mais seguras e confiantes, segundo a coordenadora do projeto Ronda Maria da Penha, Adriana Sales. “Antes, as vítimas faziam a denúncia na delegacia e pediam medida protetiva, que garantir o afastamento do agressor da vítima. Contudo, não existia nenhum mecanismo de fiscalização, não tinha um acompanhamento e o homem não se sentia inibido a agredir e a própria mulher não se sentia protegida”, disse Adriana.



Para a coordenadora do projeto, Adriana Sales, as visitas às vítimas fazem com que os agressores tenham medo de agir

Iniciado no dia 30 de setembro, o projeto piloto do Ronda Maria da Penha faz, diariamente, em média, dez visitas às casas das vítimas, onde agentes fazem orientações e verificam se o agressor está cumprindo o que foi determinado. “Teve um dia que a Ronda recebeu três chamadas de urgência, policiais foram até o local e, em uma chamada, o agressor foi preso em flagrante, pois não estava cumprindo a medida”, informou Adriana.   

Ainda segundo a coordenadora,  o projeto está fazendo efeito, pois as mulheres foram à delegacia denunciar e muitas levam o caso até o fim. “Antes, as vítimas faziam a  denúncia e, logo depois, vinham retirar a queixa ou, com medo do marido ir preso, não denunciavam e ficavam caladas, mesmo sendo agredidas”, disse.

Segundo a dona de casa M.R.R.S., 45, a vida dela melhorou após o companheiro temer receber visitas do Ronda. “Fiz a denúncia mais de dez vezes, e logo depois tinha até medo de voltar para casa, porque era certa a surra. Quando ele descobria  que eu tinha feito a denúncia, ele ficava uma fera e me batia. Agora ele tem medo”, disse. M.R. também contou que, depois do projeto , arrumou um emprego e o companheiro não mais a agrediu. “Ele não chega mais perto de mim, não tem coragem, agora ele sabe que a coisa é séria, se ele me ofender pode ser preso, agora ando de cabeça erguida e não deixo mais ninguém  me bater, exijo respeito dele e apanhar nunca mais”, disse.

Registros

Foram registradas 240 ocorrências de violência doméstica na área do 27° DIP, no bairro Novo Aleixo, Zona Norte, de janeiro a agosto deste ano. São todos os tipos de violência, desde verbal, física, psicológica e outras. O Novo Aleixo está entre os  bairros com maior incidência de violência doméstica da Zona Norte.



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