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Ruas de Manaus viram cenário de atos contra e pró Dilma Rousseff neste domingo (15)

Dois dias depois da mobilização em defesa de Dilma, manifestantes prometem ir às ruas de Manaus contra a presidente 14/03/2015 às 17:39
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Presidente Dilma Rousseff
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Com menos de três meses, o novo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), conquistado numa acirrada disputa de segundo turno em outubro, passa esse final de semana pelo primeiro teste das ruas. Satisfeitos e insatisfeitos com o Governo Dilma embalados pelos noticiários sobre o escândalo da Petrobras,  cerram fileiras empunhando bandeiras contra e a favor da administração da petista. Na rota das manifestação, Manaus é cenário dos dois movimentos.

Caso se confirme as intenções de participação expressas nas redes sociais, mais de 28 mil pessoas marcharão na Avenida Eduardo Ribeiro, rumo à Djalma Batista, na manhã de hoje, cobrando a destituição da presidente da República, sobre a qual, até o momento, não há registro de crime de responsabilidade, requisito exigido pela Constituição Federal para o impeachment. Pelo menos seis eventos e grupos do Facebook convidam para o protesto. Na sexta-feira centrais sindicais, partidos da base governista e movimentos sociais defenderam o Governo Dilma.

A convocação virtual, via de regra, se pauta no combate à corrupção por conta dos desdobramento da Operação Lava Jato que trouxe a público um esquema milionário de desvio de recursos da Petrobras. Além de dezenas de empreiteiros presos, a delação de ex-diretores da estatal  colocou sob suspeita de recebimento de propina figuras ilustres do Legislativo  como os presidentes do Senado Renan Calheiros  e Eduardo Cunha, ambos do PMDB. E implica o partido da presidente, o PT, o PMDB e o PP, com o desvio de verbas da estatal.  Além de políticos dessas siglas, nomes do PSDB e do PTB vão ser investigados pelo MPF.

Partidário do movimento “Fora Dilma”, o advogado Rodrigo Junqueira argumenta que um dos focos da insatisfação com a presidente foi o fato dela ter vendido, na campanha eleitoral, a imagem de um País que não existia. “Houve um logro. O País inteiro foi enganado. As pessoas votaram induzidas ao erro. Ela disse que estava tudo bem. E não está. A economia não está bem. O dólar disparado. O Brasil nunca registrou rombos no seu orçamento como os atuais.  Rombo nas contas públicas indicando que o governo não consegue controlar seus gastos”, disse Junqueira.

Para ele, a presidente tem responsabilidade e o partido a qual ela pertence, que já governam o Brasil há mais de 12 anos, são responsáveis pela institucionalização da corrupção na Petrobras. “A corrupção é endêmica no Brasil, mas o depoimento do Barusco (Pedro Barusco, ex-gerente de serviços  da Petrobras) aponta que ela se institucionalizou a partir de 2003. É preciso ter noção de que o PT no governo a coisa ficou profissional, incompativel com a ideia que o partido vendia, que vinha para acabar com esse tipo de prática”, afirmou.

Personagem: Marcos Terra Nova, Professor universitário

O professor universitário Marcos Terra Nova é um dos que confirmaram a participação na marcha contra Dilma. Ele afirma que a manifestação é legítima e demonstra a insatisfação, principalmente, com os escândalos de corrupção e a maneira como o Partido dos Trabalhadores vem administrando o País.

“Eu fiz campanha para a Dilma em 2010.  O pessoal age como se política fosse torcida de futebol. Mas é o destino do País que está em jogo. Comecei a ver que o discurso deles estava sendo hipócrita, manipulação das massas.  O que me indignou foi o fato de estarem errados e ficarem vendendo a ideia de que está tudo bem. Acho que desviaram  muito dinheiro público e usam o expediente da mentira. De se vender como salvadores da pátria. Para uma democracia funcionar é preciso a alternância do poder”.

Personagem: Jorge Luiz de Alencar, professor

O que me faz ir à rua defender o Governo Dilma  é o respeito à  democracia e o fato de que essa foi a vontade do povo, da maioria.  Há coisas pontuais que  discordo do governo. Esses ajustes no direito trabalhista considero desnecessários, mas isso não é motivo para impeachment. Um dos pontos mais importantes da gestão dela e a de Lula é a inclusão e ascensão social de uma grande parcela da população. Acho que isso  incomoda muita gente por puro preconceito.  As pessoas deveriam ir para a rua  defender o fortalecimento dos órgãos de fiscalização, para  exigir o cumprimento da Constituição no que diz respeito ao amparo ao idoso, às mulheres, às minorias, a investimentos na educação, saúde. Deveriam ir para a rua pedir uma reforma política, no Congresso, que combata a corrupção no seu nascedouro, com o fim do financiamento empresarial de campanha, ao invés de direcionarem a culpa à figura da presidente.

Blog: Socorro Santos, empresária

“Vou para  a manifestação de domingo  porque eu quero de volta o meu País, aquele no qual eu andava tranquila pelas ruas sem medo de ser assaltada, assassinada ou atropelada por motoristas bêbados. Quero, sim, aquele meu País de volta, no qual traficantes não mandavam fechar comércio e nem desfilavam tranquilamente pelas ruas, e no qual não havia as cracolândias e esse número imenso de viciados em drogas. Quero um País independente, uma nação livre. Livre da corrupção, da desonestidade e do compadrio. Livre das drogas,  dos discursos vazios, da violência de todas as cores.   Um País que proteja seus filhos, preserve suas riquezas, distribua seus bens”.

“Não tem motivos para impeachment”

Moradora do conjunto Viver Melhor, um dos projetos do Governo Dilma em Manaus, a dona de casa Ariana Oliveira afirmou que aprova a gestão da presidente. “Eu morava na casa dos outros. Participo do  bolsa família. O governo da Dilma se voltou, nos primeiros quatro anos, para os que mais precisam. Agora vamos ver o que acontece. Já teve o aumento da conta de luz, que acho normal. Tem a questão da inflação. Para mim ainda não está afetando. Não tenho ação na bolsa de valores. Esse caos que dizem que está na economia ainda não me afetou. Só o aumento da gasolina. Acho que não tem motivos para impeachment. Se ela está lá foi o povo que  colocou”.

O processo

O impeachment é o processo de cassação do ou da presidente da República. Para ele ser iniciado, no Congresso, é preciso a configuração de crime de responsabilidade. No Brasil, na hipótese da presidente Dilma Rousseff ser destituída do cargo, quem assumirá o comando do País será o vice-presidente Michel Temer, que também comanda o PMDB, partido dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara Federal, Eduardo Cunha. Os dois fazem parte da lista de políticos sob suspeita de participar do esquema de propina da Petrobras.

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