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Sabores e memórias: a volta do Mercado Adolpho Lisboa

Personagens que têm a vida ligada à história do Mercado Municipal Adolpho Lisboa aguardam, ansiosos, pela reabertura do cartão postal 20/10/2013 às 09:44
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A CRÍTICA ouviu personagens cujas histórias de vida estão intimamente ligadas aquele estabelecimento
Ana Celia Ossame Manaus, AM

Às vésperas de reabertura das portas do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, cerradas por longos oito anos marcados por questões legais e políticas que deixaram a cidade sem um dos seus principais cartões postais, A CRÍTICA ouviu personagens cujas histórias de vida estão intimamente ligadas aquele estabelecimento. O jornalista e escritor, presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL), Arlindo Porto, 84, e o ex-presidente do Instituto Geográfico Histórico e Artístico do Amazonas (IGHA), Geraldo dos Anjos, 58, viveram a infância e a juventude frequentando o mercado e têm histórias “saborosas” sobre ele.  

Era cedo da manhã quando, criança, Arlindo acompanhava o pai, seu Haroldo, numa deliciosa viagem de bonde que partia do Alto de Nazaré, na praça do mesmo nome, em Adrianópolis, Zona Centro-Sul, onde moravam, até o Mercado Adolpho Lisboa, no Centro. A viagem era somente para deliciar-se com o famoso mugunzá, feito de milho branco, tradição do mercadão, como é chamado pelos manauenses. Depois o pai ia trabalhar e ele fazia a viagem de volta no bonde.

Ao celebrar a reinauguração do mercadão recortando fatos da memória tão interessantes, ele desfia uma história de amor e reverência que o faz viajar aos tempos da infância. Ele tem vivas as imagens das tartarugas vendidas livremente nas bancas, prontas para o abate.

CREOLINA

“O mercado do peixe tinha vista para o Rio Negro, que foi fechada pela feira da Manaus Moderna”, conta o jornalista, que lembra da chamada “hora da creolina”, que acontecia a partir das 11h e era o sinal para o preço do pescado baixar. “Como não havia gelo para conservar, quem não vendesse o produto iria perdê-lo, pois os fiscais jogavam o detergente para evitar que fossem vendidos estragados”, disse Arlindo. O Adolpho Lisboa era o local de encontro também.  Estudante da antiga Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), situada próxima ao mercado, dava umas passadas pelo mercado.

Ao completar 84 anos, Arlindo,  fundador do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, compôs um texto denominado “Balanço dos 30.660 dias de vida” citando nomes de escolas, amigas e familiares incensados pela memória. Saudosista, como gosta de ser, não vê a hora de poder passear pelo seu querido Adolpho Lisboa, novamente inserido na vida da cidade, sem as tartarugas e a creolina, mas com o mungunzá de sempre, coisas que só o mercadão tem.

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